VARIZES DOS MEMBROS INFERIORES

A escleroterapia não é um tratamento inócuo. Portanto, deve ser feito por um médico habilitado para este procedimento, ou seja, angiologista e/ou cirurgião vascular

O paciente varicoso não necessita do médico para saber o nome de sua doença. O simples diagnóstico de varizes é de tal modo evidente que é feito pelo próprio paciente.

O paciente acometido por varizes procura o médico por três motivos principais: pelo sofrimento que causam, pela preocupação estética e pelo temor das complicações.

As principais queixas clínicas dos pacientes são: dor tipo "queimação" ou "cansaço", sensação das pernas estarem pesadas ou ardendo, edema (inchaço) das pernas, principalmente ao redor do tornozelo, que, frequentemente, melhoram com a elevação dos membros inferiores e agravam-se no fim do dia, quando se permanece por longo tempo em pé ou sentado, no calor, nos períodos próximo ou durante a menstruação e também durante a gravidez.

Os flebotônicos e linfocinéticos mais utilizados aumentam o tônus vascular, diminuem a permeabilidade capilar, reduzem o processo inflamatório, aliviam a dor e incrementam a atividade linfo-cinéüca.

Para o bom resultado do tratamento, medidas gerais devem ser consideradas, tais como: emagrecer, praticar exercícios físicos (preferencialmente a natação, a hidroginástica e as caminhadas), evitar o uso de anticoncepcionals, evitar ficar de pé parado por muito tempo, não usar cintas abdominais apertadas, ingerir dieta rica em fibras e corrigir problemas ortopédicos.
O tratamento específico das varizes depende, fundamentalmente, da sua natureza (primárias ou secundárias) e difere de acordo com o calibre (grossura) da veia a ser tratada. Aqueles cordões varicosos, salientes e visíveis, que elevam a pele são de tratamento cirúrgico, enquanto as microvarizes (pequenas veias de trajeto tortuoso ou retilíneo, de aproximadamente l mm a 2 mm de largura, que não causam saliência na pele, são de tratamento microcirúrgicoJá as telangiectasias ou aranhas vasculares, que são finos vasos encontrados com mais frequência na região externa ou interna das coxas devem ser tratadas pela escleroterapia (injeção de solução alcoólica ou hipertônica dentro destes vasos, que irrita suas paredes fazendo com que se contraiam e desapareçam).

Nos casos em que há a concomitância de veias cali-brosas com telangiectasias, a cirurgia deve ser realizada em primeiro lugar. Geralmente, após um mês da operação dá-se o início do tratamento escleroterápico das veias residuais, que em muitos casos são pequenos trajetos que foram interrompidos.

Isto se deve ao fato de que, após este intervalo de tempo, já ocorreu a reabsorção das equimoses (extravasamento de sangue no tecido subcutâneo alterando sua coloração).

Há ainda a possibilidade do uso do laser, que pode ser indicado isolado ou associado à escleroterapia; é indicado particularmente nas telangiectasias de coloração avermelhada ou nas chamadas "manchas vinhosas".

Naqueles pacientes que não querem ou não podem fazer nenhum dos tipos de tratamento citados, pode ser empregado o tratamento clínico com medicamentos, elevação dos membros inferiores e, fundamentalmente o uso de meia elástica.

As injeções de substâncias escleroterápicas costumam ser bem toleráveis, embora o conceito de dor seja algo bastante subjetivo e variável.

É importante ressaltar que este não é um tipo de tratamento inócuo e, portanto, deve ser feito por um angiologista ou cirurgião vascular. O paciente deve precaver-se diante de tratamentos "milagrosos" veiculados na mídia.

O tratamento cirúrgico é complexo. Quando as veias forem bastante grossas, há a necessidade de se abrir um pequeno corte para retirá-las. Isto também acontece quando é preciso retirar as veias safenas.

Nas veias não tão calibrosas, faz-se um pequeno furo (incisão de cerca de l mm) com o bisturi e com a ajuda de uma agulha de crochet retira-se a variz. Para o tratamento das veias perfu-rantes (veias que comunicam o sistema venoso profundo com o superficial) insuficientes, que podem causar grande edema, eczema, lipodermatoesclerose e úlcera também usamos a cirurgia, que dá bons resultados, de um modo geral. Recentemente foi desenvolvida técnica cirúrgica videoendos-cópica, que tem se mostrado bastante promissora no tratamento de ulcerações gigantes e de longa data.

As veias que são retiradas, por estarem doentes, não colaboram para a circulação; ao contrário, sua retirada causa melhoria na drenagem venosa dos membros inferiores, aliviando sintomas, melhorando a estética e prevenindo as complicações da evolução da doença, que clinicamente se expressa por: acentuação dos trajetos varicosos; hiperpig-mentação cutânea (manchas ocres) ocasionada pelo extravasamento de sangue no tecido subcutâneo, eczema varicoso provocado pela presença de hemoglobina livre no tecido subcutâneo, que causa processo inflamatório crônico

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