VARIZES DOS MEMBROS INFERIORES

O paciente acometido por varizes procura o médico pelo sofrimento que causam, pela preocupação estética e pelo temor de complicações

São classificadas em varizes essenciais ou primárias e varizes secundárias. As primárias, mais comuns, não têm um fator causal aparente, e as secundárias são assim denominadas por serem consequentes a uma fístula arteriovenosa (comunicação anormal congénita ou adquirida entre uma artéria e uma veia), ou a alteração no sistema venoso profundo, como malformação das veias ou válvulas, trombose venosa profunda ("entupimento" das veias profundas, que são responsáveis pela drenagem de 80% a 85% do sangue venoso nos membros inferiores, fazendo com que este retorno se dê através das veias superficiais, as safenas magnas e as safenas parvas) e síndrome pós-flebítica (complicação terrível da doença).

Assim como os problemas da coluna vertebral, as varizes também se enquadram no alto preço que o homem paga por ser um animal bípede.

No nosso organismo possuímos três tipos de circulação: a arterial, que leva o sangue do coração ao resto do corpo; a venosa, que é responsável pela drenagem do sangue das extremidades do coipo para o coração; e a linfática, cuja função é drenar o interstício.
De acordo com a Lei da Gravidade, e tomando-se como ponto zero o coração, podemos notar que o sangue venoso, nos membros inferiores (pés, pernas e coxas), "corre" contra a ação da gravidade e também contra a pressão do abdome; por isso precisa lançar mão de certos subsídios para impedir o refluxo sanguíneo, ou seja, que o sangue que já subiu não desça novamente.

Os mecanismos anti-refluxo são: o "bombeamento" do sangue pela musculatura da panturrilha ("batata da perna"); a estrutura da parede das veias superficiais nos membros inferiores, cuja espessura é normalmemte resistente à dilatação; e a presença das válvulas (pequenas formações saculares dentro das veias), as quais não permitem o refluxo sanguíneo e direcionam o fluxo de baixo para cima.

Não existe nenhuma relação estabelecida entre a formação de varizes e depilação ou uso de salto alto, assim como não há influência com relação a carregar peso; todavia, subir escada pode ser considerado até um exercício físico, portanto, ajuda a incrementar o retorno venoso.

A ginástica, desde que recomendada pelo médico e acompanhada por professores de educação física, não só não provoca varizes como também é bastante aconselhável para evitá-las.

Quanto à musculação, desde que não seja exagerada, não tem contra-indicação. No entanto, atletas podem ter varizes, caso possuam fatores de risco compatíveis. Os remadores, halterofilistas e fisiculturistas têm maior predisposição para ocorrência de tal enfermidade, pois nesses exercícios exige-se grande aumento da pressão intra-abdominal.

As condições que propiciam surgimento de varizes são todas as situações intrínsecas ou extrínsecas capazes de debilitar a parede venosa, aumentar a pressão dentro do vaso e/ou acometer a função das válvulas. Portanto, os principais fatores de risco são:

  • Raça - a população afro-asiática é notoriamente menos acometida pela doença varicosa;
  • Idade - influi na tonicidade dos tecidos;
  • Sexo - a maior frequência entre as mulheres possivelmente se deve ao hormônio feminino;
  • Predisposição hereditária - um componente genético tem sido relacionado ao aparecimento das varizes, o que faria com que o indivíduo já nascesse com a tendência para tal;
  • Obesidade - também influência o tônus tecidual;
  • Hábitos alimentares - a dieta pobre em fibras levam à constipação intestinal (prisão de ventre) e, conse-qüentementc, ao aumento da pressão abdominal;
  • Hábitos posturais - a permanência por mais de seis horas por dia na posição em pé ou sentado favorece o edema postural dos membros inferiores c a doença varicosa;
  • Gravidez — as varizes ocorrem não somente devido à elevação exacerbada das taxas dos hormônios femininos, mas também pela compressão da veia cava inferior pelo útero gravídico, dificultando o retorno venoso. O risco de varizes é maior em mulheres multíparas (aquelas que tiveram duas ou mais gestações);
  • Uso de anticoncepcionals;
  • Traumatismo;
  • Moda - cintas abdominais apertadas podem aumentar a pressão intra-abdominal e dificultar o retorno venoso;
  • Trombose Venosa Profunda;
  • Tabagismo - favorece a formação de trombes no organismo. Este risco aumenta muito quando associado ao uso de anticoncepcionals;
  • Problemas ortopédicos, como pé plano;
  • Sedentarismo.
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