A linfangite é o processo inflamatório dos vasos linfáticos, podendo ter origem bacteriana, por micose interdigital ou ferimento na pele, viral, fúngica ou parasitária por leishmaniose, filariose, toxoplasmose e oncocercose.

Os sintomas mais comuns das linfangites são a presença de estrias avermelhadas e quentes, longitudinais na perna, estendendo-se desde a lesão cutânea até a virilha, o que corresponde ao trajeto dos vasos linfáticos, e calor, dor local, adenomegalia inguinal (íngua), febre e edema (inchaço).

Tanto as erisipelas como as linfangites deverão ser tratadas de forma intensiva, pois, caso contrário, poderá se instalar o linfedema (elefantíase), que, muitas vezes, adquire proporções dramáticas, levando a danos irreversíveis.

A profilaxia das erisipelas e linfangites consiste no combate às micoses interdigitais, cuidados especiais na

higiene dos pés e tratamento de pequenos traumatismos ou arranhões e de pequenas infecções da pele. Uma vez instalada, o tratamento deverá incluir repouso com elevação do membro afetado, curativos diários quando necessário, antibióticos, linfocinéticos (drogas que atuam nos vasos linfáticos), flebotônicos (drogas que atuam nas veias) nos casos em que houver insuficiência venosa associada, analgésicos (drogas contra a dor) e antitérmicos (drogas contra a febre).

Tratamento alternativos, como amarrar uma fita vermelha na perna ou colocar uma tartaruga embaixo da cama, certamente não agravam as erisipelas ou as linfangites, mas não as curam.

As duas doenças são facilmente controladas, mas devem ser tratadas de forma agressiva pois uma só crise pode levar ao linfedema.

ANEURISMAS ARTERIAIS

O diagnóstico é possível, quase sempre, pelo exame físico.
A simples palpação do trajeto arterial mostra sua dilatação e expansão

Denomina-se aneurisma a dilatação anormal e permanente de um determinado segmento das artérias. De forma simplificada, pode-se dizer que a origem desta dilatação é o enfraquecimento da parede arterial, congênito, como no caso de alguns aneurismas intracranianos, ou secundário a certas doenças - inflamações, infecções, traumatismos ou degeneração, sem dúvida a mais frequente, causada pela aterosclerose, patologia de elevada incidência na população, melhor detalhada em outro capítulo desta publicação.

Em princípio, qualquer artéria pode ser acometida, mas é a aorta abdominal, especialmente em seu segmento abaixo das artérias renais, a mais frequentemente envolvida pelo aneurisma. Local onde também ele se reveste de maior importância e, portanto, é a este tipo vamos nos referir — o aneurisma da aorta abdominal (AAA).

Uma vez enfraquecida a parede arterial, ela cede à constante pressão pulsátil do sangue em seu interior e, se dilata. A partir daí e, de acordo com conceitos de leis físicas, essa dilatação aumenta cada vez mais, progredindo inexoravelmente para a rotura da artéria, situação sempre de extrema gravidade, que pode culminar com o óbito do paciente, as vezes até mesmo antes que ele consiga alcançar recursos médicos.

A velocidade com que isso ocorre, ou seja, o tempo de crescimento do aneurisma, é variável de pessoa a pessoa e

depende de fatores como a sua localização, natureza da doença que o causou e presença de fatores contribuintes, como a hipertensão arterial. Há casos em que vários anos se passam desde o início da doença, sem que seja observada variação significativa no volume do AAA. Por outro lado, há casos em que esse crescimento é rápido.

A probabilidade de rotura é diretamente proporcional ao tamanho do aneurisma, mais especificamente ao seu diâmetro. De modo geral, considera-se que a partir de 4 cm de diâmetro, todo AAA deva ser tratado, de forma a evitar sua complicação maior, a rotura.

Outro dado relevante nesta patologia é a ausência de sintomas em grande número de casos. Ou seja, o portador do aneurisma nada sente no início, podendo as manifestações aparecer apenas tardiamente, quando, pelo volume, a dilatação começa a comprimir estruturas vizinhas na cavidade abdominal, ou ainda, surgir apenas na vigência da expansão aguda ou da rotura, em decorrência da hemorragia interna.

Mesmo quando presentes antes da rotura, os sintomas podem ser vagos e não específicos, podendo surgir dores lombares que simulam problemas renais ou de coluna, náuseas e plenitude gástrica (estômago cheio), etc, de forma que o diagnóstico só é feito "por acaso", através de consulta ou exames realizados com outra finalidade.

Pág.
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16