Na fase crônica, após dois a quatro anos, os principais problemas são causados pela inflamação da parede das veias que, ao cicatrizarem, podem levar a um funcionamento deficiente destes vasos sanguíneos.
O conjunto das lesões (pigmentação escura da pele, grandes varizes, inchação das pernas, eczemas e úlceras de perna) é chamado de síndrome pós-flebítica. Esta complicação leva a imensos problemas socioeconômicos por ser de tratamento caro, prolongado e extremamente penoso em suas repercussões sociais.

A melhor atitude é a preventiva, principalmente nas situações predisponentes e/ou desencadeantes. A profilaxia adequada reduz em 2/3 os casos de TVP e em 1/3 os casos de embolia pulmonar. Todo paciente internado deve ser classificado sificado quanto ao risco de TVP, e aqueles com risco mediano ou alto devem receber alguma profilaxia, seja através de medicamentos

(anticoagulantes e, mais modernamente, as heparinas de baixo peso molecular) e/ou métodos mecânicos (meias elásticas, elevação dos pés ao leito, fisioterapia e, no caso de pacientes cirúrgicos, levantar precocemente do leito).

A TVP é, muitas vezes, assintomática. O diagnóstico clínico é difícil. O exame mais utilizado para o diagnóstico da TVP é o mapeamento com Duplex Scan, mas outros exames como a Flebografia, a Pletismografía, a Tomografia e a Ressonância Magnética podem ser necessários.

O tratamento é feito com substâncias anticoagulantes (impedem a formação do trombo e a evolução da trombose) ou fibrinolíticos (destroem o trombo). Mais modernamente, e em situações selecionadas, o tratamento da TVP pode ser feito na própria residência do paciente, usando-se as heparinas de baixo peso molecular.

A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO DAS LESÕES NO PÉ DIABÉTICO

No diabético, o controle da glicemia é essencial para
se evitarem problemas das extremidades, principalmente dos pés

O pé humano é uma estrutura altamente especializada, que dá suporte e locomoção, além de ser importante para a estética. É constituído de delicadas estruturas osteomioligamentares, harmoniosamente balanceadas, visando a uma função complexa. Para isso, conta com uma rede vascular especializada, constituída de artérias, veias e vasos linfáticos, além de nervos.

Os diabéticos, em face da intolerância à glicose causada pela diminuição de insulina circulante, desenvolvem problemas em vários setores do organismo, que são tanto mais graves e precoces quando pior for o controle da hiperglicemia (açúcar alto no sangue). A arterosclerose é muito favorecida pela diabetes e se instala precocemente em indivíduos mal controlados.

O descontrole é a principal causa das complicações do diabetes, que incluem a neuropatia (alteração da função do nervo) a arteriopatia (alteração do fluxo sanguíneo pelas artérias) e a infecção (diminuição da resistência aos micróbios). Portanto, os diabéticos que não controlam sua gli-cemia adequadamente terão os problemas das extremidades, especialmente dos pés. A frequência é tão grande que se cunhou o termo de "Pé Diabético".

A arteriopatia é geralmente distal, isto é, atinge as artérias abaixo do joelho, ocorrendo também nos capilares (os pequenos vasos da microcirculação);

a neuropatia provoca a redução da dor e sensibilidade nos pés, levando o paciente a ignorar dores e até feridas ;e a infecção é o fator que leva, em questão de horas ou dias, à destruição dos tecidos.

O tratamento da vasculopatia inclui o uso de fármacos, que irão dilatar os vasos ou tentar desobstruí-los. Outros produtos agem evitando a coagulação do sangue (anticoagulantes) ou a adesão das plaquetas - células que iniciam a trombose.

Nem sempre o tratamento clínico é suficiente e, às vezes, somos obrigados a lançar mão da cirurgia, através das pontes, como a ponte de safena. Muitas vezes já existe necrose. Neste caso, o cirurgião vascular realizará uma drenagem cirúrgica ou um desbridainento da lesão, retirando a parte do tecido necrosado (morto).

Quando a parte necrosada for extensa (gangrena), o cirurgião deverá realizar uma amputação. Esta solução, extrema, é, às vezes, o único recurso para salvar a vida do paciente, já que a gangrena poderá levar o paciente diabético ao óbito. Melhor que tratar, no entanto, é evitar. Assim, o controle rigoroso da glicemia é essencial. Dessa forma, o acompanhamento do endocrinologista é fundamental para que o controle da doença seja próximo do ideal.

Pág.
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16