ARTIGO DE REVISÃO

CONSIDERAÇÕES SOBRE O TERMO PE DIABÉTICO
CONSIDERATIONS ABOUT THE NAME "DIABETIC FOOT"

Fernando L. V. Duque1, Alberto C. Duque2


RESUMO
O termo "Pé Diabético" cognominou de forma adequada uma entidade clínico-patológica complexa, o que deu ensejo a sua pronta aceitação e difusão nos meios médico e leigo. Os autores tecem considerações sobre as vantagens, desvantagens e limites do emprego dessa locução.

 

UNITERMOS
Pé diabético; Terminologia; Conceituação.

 

SUMMARY
The facility with which the name "Diabetic Foot"was given to a só complex entity was important to allow its compreension not only in medicine, but aiso to patients in general. The advantages and disavantages of this term are discussed.

 

KEY WORDS
Diabetic foot; Term.

INTRODUÇÃO

O diabetes Mellitus primário (DM) é uma doença com forte embasamento genético, parcialmente influen-ciável pelas condições ambientais, e que consiste em distúrbios dos metabolismos glicídico, lipídico, protídico, hidromineral, hormonal e vitamínico. Desde priscas eras, o dismetabolismo glicídico, o mais evidente desses distúrbios, ficou sendo o apanágio da síndrome. Entretanto, antes que a hiperglicemia se torne patente, é possível reconhecer o DM por uma série de alterações, tais como obesidade precoce, parição de fetos grandes, os distúrbios da menarca e das gonadas, a presença precoce de litíase renal e/ou vesicular, os distúrbios oculares, a facilidade às infecções e a presença de micoses, as dislipidemias, os distúrbios da pressão arterial, as miocardiopatias, as epidermopatias, as angiopatias e, inclusive, distúrbios tróficos tais como sindactilia (Arduino1), as fissuras calcâneas (Duque8), a perna gorda constitucional8, o tipo peculiarde obesidade.

A não dependência absoluta dos distúrbios metabólicos e orgânicos ao aumento da glicose sanguínea parece evidente diante da presença desses distúrbios antes de se instalar a hiperglicemia do diabetes clássico.

Esta independência já foi constatada em relação às doenças cardiovasculares (Jarret11,12 e Panzram21) e pode ser presumida pela não correlação linear entre a gravidade e o controle da hiperglicemia e a incidência de suas "complicações" retinianas, renais, neurais e vasculares.

A disgenia DM alcança todos os tecidos, órgãos e aparelhos do corpo. Os pés não fogem à regra e, precoce e intensamente, ocorrem alterações em todos os seus componentes (veias, artérias, linfáticos, ossos, articulações, músculos, pele, fâneros e nervos). O comprometimento tecidual, agravado pelos traumas e pela vulnerabilidade do DM às infecções, gera quadros clínicos complexos que são englobados, sinteticamente, sob a denominação de "Pé Diabético".

A locução, impropriamente derivada do linguajar anglo-saxão tem, entretanto, precedentes no jargão médico, inclusive no Brasil.


  1. Professor Titular do Curso de Pós-Graduação da PUC-RJ. Chefe do Ambulatório de Angiologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Sócio Benemérito da SBACV.
  2. Professor Livre-Docente em Angiologia e Cirurgia Vascular pela UFG. Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular do IEDE. Sócio Titular da SBACV e do CBC.
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