ARTIGO DE REVISÃO

AVALIAÇÃO E TRATAMENTO DAS DOENÇAS VASCULARES DOS MEMBROS INFERIORES
EVALUATION AND TREATMENT OF LOWER EXTREMITY VASCULAR DISEASE

Bruce A. Perler, MD
Tradução: Dr. Guilherme Abrahão

INTRODUÇÃO

O tratamento da isquemia dos membros inferiores representa uma área em crescimento na prática médica atu al. A arteriosclerose, a causa mais importante da doença oclusiva das artérias periféricas, é predominantemente observada nas pessoas de mais idade, e os idosos representam o segmento que mais rápido cresce na nossa sociedade. O percentual de indivíduos com mais de 65 anos crescerá cerca de 35%, e o daqueles com mais de 85 crescerá 60% nas próximas três décadas. Próximo ao ano 2030 calcula-se que aproximadamente 7% da população dos EUA estará com mais de 85 anos. Numa época de pressão crescente na contenção dos custos da saúde bem como da expansão do número de opções terapêuticas disponíveis no tratamento das doenças vasculares, será exigido do médico que atende um paciente com isquemia dos membros inferiores um julgamento mais criterioso na seleção dos pacientes com indicação cirúrgica.

INDICAÇÕES PARA CIRURGIA

A seleção da terapia apropriada para o paciente com isquemia das extremidades inferiores requer a determinação criteriosa de três pontos fundamentais. Primeiro, devemos definir o estado clínico do paciente cuidadosamente; isto é, a severidade da isquemia, o local anatómico e a extensão do processo oclusivo e a história natural da doença sem cirurgia. Em segundo lugar, devemos considerar a morbidade aguda da revascularização cirúrgica. Finalmente, devemos estabelecer de modo antecipado a durabilidade a longo prazo do procedimento cirúrgico necessário para tratar a evolução da doença do paciente.

A morbidade e a durabilidade a longo prazo da reconstrução cirúrgica deveriam ser determinadas no contexto de um arsenal amplo de opções endovasculares menos invasivas.

A severidade da insuficiência arterial é definida como isquemia não ameaçadora do membro ou como isquemia ameaçadora do membro. A maioria dos pacientes com isquemia dos membros inferiores sintomática apresenta inicialmente o tipo não ameaçador, que se manifesta pela claudicação intermitente. Não deve ser demasiadamente enfatizado o fato que em muitos pacientes a claudicação intermitente é um sintoma relativamente benigno com um prognóstico a longo prazo favorável que se caracteriza por estabilização dos sintomas ou melhora sob medidas conservati-vas. Além disso, o risco de amputação do membro nesta população de pacientes é excessivamente baixo. Entretanto, a decisão de indicar um procedimento cirúrgico de reconstrução arterial para claudicação intermitente deve ser baseada no grau em que os sintomas da claudicação interfiram adversamente no estilo de vida do paciente. A conduta conservativa está indicada para aqueles pacientes cujos sintomas não limitem de modo severo as atividades normais, nos pacientes cujos sintomas são de início recente, nos que apresentaram melhora sintomática sob tratamento conser-vativo e naqueles cuja comorbidade médica representa um risco inaceitável para a terapêutica cirúrgica. De modo contrário, a isquemia ameaçadora dos membros que se manifesta com dor de repouso, úlceras que não cicatrizam, ou gangrena franca, impõe uma conduta terapêutica agressiva a fim de se preservar a viabilidade do membro na quase totalidade dos casos. A maioria dos pacientes que apresentam isquemia ameaçadora dos membros sofre de doença oclusiva nas diversas áreas da árvore arterial incluindo quase que universalmente o território fêmoro-poplíteo-tibial.

Na prática contemporânea, mais de 80%, e em alguns relatos mais de 90%, dos pacientes que apresentam isquemia ameaçadora dos membros irão submeter-se à cirurgia de salvamento como tentativa agressiva de revascularização. De modo crescente, a abordagem terapêutica multidisciplinar incluindo simultaneamente cirurgia de bypass e cirurgia endovascular vem sendo realizada para conseguir revascularizações bem sucedidas nos diversos territórios arteriais.

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