RELATO DE CASO

TRATAMENTO CIRÚRGICO DE DOENÇA AORTO-ILÍACA EM
PACIENTE COM RIM EM FERRADURA
SURGICAL TREATMENT OF AORTOILIAC DISEASE IN A PATIENT WITH HORSESHOE KIDNEY

Alessandra Carolina Vedolin,1 Cristiano Marcos D'Alcântara Schmitt,1 Caroline de Fátima Gomes Bredt,1 Marcello Barbosa Barras,2 Luiz Henrique Gil França2 Cláudio Jacobovicz3
Trabalho realizado no Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular
Periférica do Hospital de Clínicas - UFPR, Curitiba, PR


RESUMO
A presença do rim em ferradura em conjunto com doença da aorta abdominal aumenta significativamente a dificuldade técnica da reconstrução aorto-ilíaca. A preservação do suprimento sanguíneo e do sistema coletor durante o procedimento cirúrgico é o objetivo do tratamento. O sucesso da cirurgia inclui a necessidade de estudos pré-operatórios específicos, acesso cirúrgico apropriado e a segurança na divisão do istmo. Um caso em um homem de 68 anos de idade com arterioesclerose aorto-ilíaca associada ao rim em ferradura é apresentado.

 

UNITERMOS
Doença aórtica; Rim em ferradura.

 

SUMARY
The presence of horseshoe kidney in conjunction with abdominal aortic disease significantiy increases the technical difficulty of aortic reconstruction. Preservation of the renal blood suppiy and coilecting system during the surgical procedure is the goal of operative management. The success of surgery includes the need for specific preoperative studies, the appropriate operative approach and the safety of isthmus division. A case of a 68-year-old man with aortoiliac arteriosclerosis and an associated horseshoe kidney is presented.

 

KEY WORDS
Aortic disease; Horseshoe kidney.

INTRODUÇÃO

O rim em ferradura é uma anomalia rara ocorrendo em 0,15% a 0,25% da população, sendo duas vezes mais frequente no homem do que na mulher.1,2,3 A maioria dos pacientes adultos com rim em ferradura é assintomática, contudo, cerca de um terço deles poderá ter alguma forma de complicação urológica, sendo as mais comuns a infecção urinária, hidronefrose e litíase urinária.4 Essas complicações podem ser explicadas pela estase urinária na pelve renal devido à deformidade anatômica.5 Normalmente ocorre fusão dos pólos inferiores dos rins, com a formação de um istmo localizado anteriormente à bifurcação da aorta. Existem vários tipos de ectopia incluindo rins pélvicos, lombares, torácicos e ectopia renal cruzada.6

O desenvolvimento da anormalidade ocorre entre a quarta e a sexta semana de gestação, após a penetração do divertículo metanéfrico no mesoderma metanéfrico.

Neste momento, as duas massas renais estão muito próximas e uma interrupção na relação anatómica usual resulta em contato entre essas estruturas que podem se fundir.7 O grande rim em forma de "U" em geral se localiza no hipogástrio, porque a ascensão normal dos rins fundidos foi impedida pela raiz da artéria mesentérica inferior.4


  1. Médico Residente do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular Periférica do Hospital de Clínicas - UFPR, Curitiba, PR.
  2. Médico Cursista do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular Periférica do Hospital de Clínicas - UFPR, Curitiba, PR.
  3. Cirurgião Vascular do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular Periférica do Hospital de Clínicas - UFPR, Curitiba, PR.
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