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Na Europa e Austrália, a incidência relatada é de
0,3% a 1%,5 embora no mundo
todo possa chegar a 2,7%.'' Segundo Thomaz,7
em torno de 30% dos que necessitam de ajuda previdenciária
ou dos cofres públicos em nosso meio apresentam esta
enfermidade.
Além de fatores vasculares exemplificados por insuficiências
arteriais e venosas, fatores sistêmicos como deficiências
nutricionals comuns em pacientes crónicos, doenças de base
como diabetes Mellitus podem retardar o processo de reparação
fisiológico. A persistência de agentes agressores também
pode servir como um fator de agravamento, exemplificados por infecção
bacteriana secundária, pela presença de toxinas, tais como
o LPC (lipid-protein complex), complexos lipoprotéicos indutores
de imunossupressão pós-queimaduras ou mesmo por reações
imunológicas desencadeadas por antigenicidade cruzada entre HSP
(heat shock pro-teins) bacterianas e próprias.
Desde que Unna, um dermatologista do século XIX, desenvolveu
uma bandagem compressiva de óxido de zinco para o tratamento de
úlceras venosas, a principal terapia para estas feridas tem sido
a compressão do membro afetado.4
Diversas drogas vêm sendo desenvolvidas e testadas no sentido de
reduzir o tempo de reparação tecidual e de diminuir a morbi/mortalidade
de pacientes com úlceras.
Há na literatura médica importante controvérsia
no que diz respeito ao tratamento tópico de úlceras. A máxima
Primum non nocere* deve ser levada em conta sempre que cogitamos um novo
medicamento, enfatizando que o mesmo deve apresentar baixo potencial de
provocar reações de hi-persensibilidade, baixa absorção
sistêmica, devendo estimular, ou pelo menos não inibir,
a replicação celular e, no caso dos antibióticos,
ter mecanismos de ação pouco susceptíveis ao desenvolvimento
de resistência bacteriana.
Diversos estudos demonstraram os benefícios da Sulfadiazina de
Prata a 1% na terapia tópica de feridas de diversas etiologias,
desde as úlceras venosas,8 até
as úlceras de decúbito,9,10
passando por penfigóide bolhoso e infecções do cordão
umbilical,9 além de leitos doadores
de enxertia." Nas queimaduras, esta droga é utilizada há
mais de trinta anos.12
Os mecanismos de ação relacionados ao sucesso terapêutico
da Sulfadiazina de Prata a l % estão muito além
dos seus efeitos antimicrobianos,13,10
embora estes não devam ser menosprezados, já
que, segundo Robson e Heggers14,
a contagem bacteriana mínima para que ocorra fechamento
favorável de úlceras é de 10.5
A atividade bacteri ostática desta substância
tem sido amplamente investigada, devendo-se ressaltar a sua
ação contra Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus
aureus (MRSA), além de outras bactérias.13,15
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Em 1992, Bishop et al8
realizaram um estudo prospectivo duplo-cego em pacientes com úlceras
venosas com níveis bacterianos comparáveis e demonstraram
que a Sulfadiazina de Prata a l % reduziu de forma estatisticamente significativa
o tamanho das úlceras. Tais autores associaram a eficácia
desta droga a um favorecimento da replicação de queratinócitos
e a propriedades antiinflamatórias da substância.
Em estudo anterior, Geronemous e colaboradores16
já haviam descrito um efeito da Sulfadiazina de Prata a 1% em aumentar
a taxa de reepitelização de feridas limpas em 28%. Kjolseth
e colaboradores17 compararam os efeitos
in vivo de seis agentes tópicos frequentemente utilizados em úlceras
e demonstraram que a Sulfadiazina de Prata foi a responsável pela
mais rápida taxa de reepitelização, além de
ter sido um dos principais agentes promotores de neovascularização.
Devido a sua pequena absorção, a ação do
creme de Sulfadiazina de Prata no tratamento local de infecções
cutâneas resulta em baixíssima taxa de toxicidade sistêmica.9
Adicionalmente, problemas de intolerância local, na forma de dermatite
de contato alérgica, foram raramente observados,18
sendo todos relacionados a componentes do excipiente e não ao ingrediente
ativo.
Os benefícios da associação da Sulfadiazina de
Prata a l % com Nitrato de Cério a 0,4% em pacientes com queimaduras
vêm sendo continuamente confirmados,19,20
desde os resultados favoráveis observados por Monafo et al, em
1976.21
Boeckx et al12 ressaltam, em estudo
realizado na Bélgica, em 1992, os excelentes resultados clínicos,
no que diz respeito à diminuição da taxa de infecções,
morbidade e mortalidade da associação de Sulfadiazina de
Prata a l % ao Nitrato de Cério a 0,4%. Tais autores12
relatam não terem observado nenhum efeito colateral relacionado
ao Nitrato de Cério, exceto um caso de meta-hemoglobinemia causado
por absorção sistêmica de Nitratos. Estes autores12
postulam que seus resultados favoráveis estejam relacionados à
formação, poucos dias após o início do tratamento
de uma membrana, clinicamente amarelo-esverdeada e seca que aparece revestindo
queimaduras dérmicas profundas. Tal membrana funcionaria como uma
barreira física à contaminação bacteriana
ambiental. Do ponto de vista bioquímico pode ser explicada pela
ligação do Cério com sais de pirofosfato (inibitórios
à calcificação), permitindo a precipitação
de cálcio.
São descritos, ainda, os efeitos protetores do Nitrato de Cério
no que diz respeito à imunossupressão observada após
queimaduras, correlacionados a uma diminuição da absorção
de LPC.22
Sabe-se que a manipulação cirúrgica de queimaduras
previne a liberação excessiva de citocinas.
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