ARTIGO DE REVISÃO

DOENÇA VASCULAR EXTRACRANIANA
TRATAMENTO CIRÚRGICO - II
EXTRACRANIAL VASCULAR DISEASE - SURGICAL TREATMENT - II

Bruce A. Perler, MD

INDICAÇÕES PARA CIRURGIA

O primeiro passo para o sucesso cirúrgico da reconstrução da doença oclusiva do ramo do arco aórtico é uma meticulosa seleção do paciente para a cirurgia. Os pacientes com doença oclusiva das artérias subclávia, vertebral e/ou inominada, muitas vezes se apresentam com insuficiência vértebro-basilar (IVB) (Tabela l) e, mais raramente, com sintomas isquêmicos no braço, tais como claudicação ou embolização periférica ou a combinação de sintomas do membro superior e cerebral. Contudo, a reconstrução para a doença oclusiva do arco aórtico representa uma pequena fração da prática cirúrgica dos mais atarefados cirurgiões vasculares, por diversas razões.

Em primeiro lugar, o envolvimento por aterosclerose da artéria inominada e da subclávia ocorre com menos frequência. No Estudo Combinado da Doença Arterial Oclusiva Extracraniana, incluindo 6.534 pacientes, somente em 17% foi encontrada uma estenose de 30% ou mais de um destes vasos.

Em segundo lugar, mesmo na presença de lesões significantes destes vasos, a maioria dos pacientes é assintomática na ausência de doença coexistente da carótida interna. No estudo tardio, por exemplo, somente 24% dos pacientes preenchiam os critérios clínicos e angiográficos do roubo da subclávia. Em um outro estudo envolvendo mais de trezentos pacientes com fluxo reverso, documentado, em uma ou ambas as artérias vertebrais, 64% eram assintomáticos.

Em terceiro lugar, o processo da doença aterosclerótica nas artérias inominada e subclávia não parece ser de progressão tão rápida quanto em outros vasos.

Finalmente, a história natural da doença oclusiva dos ramos do arco aórtico parece ser na maioria dos casos benigna.

Em um estudo de 32 pacientes com roubo da subclávia assintomáticos, acompanhados por dois anos, nenhum se tornou sintomático. Em uma outra série de 55 pacientes com roubo da subclávia assintomático, somente quatro pacientes desenvolveram sintomas de IVB e nenhum sofreu um infarto da circulação posteriormente em uma catamnésia (follow-up) de mais de quatro anos.

Entretanto, de modo diferente ao da doença da carótida, há pouca evidência para fundamentar a revascularização profilática dos pacientes assintomáticos com doença oclusiva dos ramos do arco aórtico. Por outro lado, os sintomas da IVB podem ser extremamente incapacitantes para o paciente que a possui ou até debilitá-lo por isquemia da extremidade superior, quando então a revascularização está claramente indicada. Além disso, tendo em vista o uso crescente da artéria mamaria interna na revascularização coronariana, um número cada vez maior de pacientes tem sido observado com angina em decorrência do desenvolvimento significativo da doença oclusiva da artéria subclávia proximal, a assim chamada síndrome do roubo da coronária, onde a revascularização da subclávia pode proporcionar alívio completo dos sintomas.

REVASCULARIZAÇÃO CIRÚRGICA

Embora as indicações para revascularização tenham se tornado bem estabelecidas, não há um consenso com respeito a qual seria o melhor método da reconstrução vascular, i.e., transtorácico direto contra extratorácico, com reparo extra - anatômico. O procedimento escolhido irá depender da distribuição do processo da doença oclusiva, do(s) vaso(s) envolvido(s) e da condição clínica geral do paciente.

REPARO DIRETO

O mais antigo método para a revascularização dos ramos do arco aórtico foi o anatômico, denominado ponte (bypass) via transtorácica ou endarterectomia.


* Cirurgião Vascular do Johns Hopkins Hospital - Baltimore (USA).


Tradução: Dr. Guilherme Abrahão

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