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Antes da descoberta da insulina, em 1920,
os diabéticos morriam em coma diabético e desnutrição.
Hoje, a grande maioria morre das complicações
secundárias, cardiovasculares e renais. Há muitos
anos, o objetivo do tratamento passou a ser evitar que essas
complicações se instalassem e progredissem.
Entretanto, não se tinha certeza se, com o controle
rigoroso da glicemia, isso seria conseguido. Estudos em animais
sugeriam que o bom controle glicêmico diminuía
a incidência, a gravidade e a progressão dessas
complicações.
Em 1977, o estudo do belga J. Pirart,
publicado na França, foi contundente e representou
um marco no esclarecimento do problema: acompanhou 4.398 pacientes
por mais de 25 anos, e a análise dos dados demonstrou
que a frequência e a gravidade das lesões secundárias
microvasculares do diabetes se relacionavam com a duração
do diabetes e com o controle glicêmico. O estudo foi
contestado por ter utilizado a glicemia de jejum e glicosúrias
para estabelecer o nível de controle e por não
ter separado pacientes do Tipo l e 2, além de não
ser randomizado.
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O ponto final
da discussão foi, sem dúvida alguma, o Diabetes
Clinical Control Trial (DCCT), publicado em 1993, e que demonstrou
definitivamente a relação entre controle do
Diabetes Tipo l e complicações secundárias
microvasculares. No que diz respeito ao controle glicêmico
e incidência e progressão de complicações
secundárias microvasculares no Diabetes Tipo 2, o problema
só foi definitivamente esclarecido com a publicação
do United Kingdown Prospective Diabetes Study (UKPDS), que
também avaliou as complicações macrovasculares
nesses pacientes.
* Vice-Presidente da Sociedade Brasileira
de Diabetes. Prof. Associado do Curso de Pós-Graduação
em Endocrinologia da PUC- Rio de Janeiro. Chefe do Serviço
de Diabetes do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia
Luiz Capriglione (IEDE). |