| INTRODUÇÃO
O uso de estrogênios, tanto na terapia de reposição
hormonal da menopausa (TRHM), como em contraceptivos orais (CO), figura
em livros de Medicina Interna como uma das condições associadas
a aumento de risco para a ocorrência de tromboembolismo venoso (TEV).
1 O estudo HERS despertou maior preocupação
com respeito à associação de TEV e TRHM ao reportar
incidência de eventos tromboembólicos cerca de três
vezes maior na população tratada com estrogênios conjugados
e acetato de medroxiprogesterona do que nos controles em uso de placebo.2
E importante conhecer a real dimensão desse risco e até
que ponto ele pode interferir nas decisões terapêuticas relacionadas
à estrogenioterapia, tendo em vista a frequência e a relevância
da prescrição de CO e TRHM.
CONTRACEPTIVOS ORAIS
Existem muito mais trabalhos abordando a relação
de TEV com o uso de CO do que com o uso de TRHM. Douketis et al,3
em revisão recente da literatura, abrangendo o período
entre 1966 e 1996, identificaram 26 estudos que investigavam a associação
entre TEV com uso de CO, oito que investigavam a associação
com TRHM e um que incluía CO e TRHM. Dependendo da metodologia
empregada, o risco relativo (RR) varia, tanto em relação
aos contraceptivos orais como à terapia de reposição
hormonal da menopausa.
Os menores valores de RR (intervalo de
confiança a 95%) foram observados nos estudos controlados
randomizados: 1,1 (0,4-2,9), para os CO, e 0,7 (0,3-1,6) para
a TRHM. Os maiores RR foram registrados pelos trabalhos com
metodologia de coorte retrospectiva, no caso dos CO, e caso-controle,
para a TRHM: 4,8 (2,5-7,7) e 2,4 (1,7-3,5), respectivamente3
(Tabela l).
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Alguns trabalhos 4,6 identificaram
um risco relativo mais elevado, da ordem de 5,0 (intervalo
de confiança a 95%: 2,5-7,5)3 com os CO de terceira
geração. Em relação aos CO de
segunda geração, o RR de TEV para os CO contendo
gestodene ou desogestrel foi de 1,5 (intervalo de confiança
a 95%: l,1-2,l).6 As razões
para isso não são claras, uma vez que esses
produtos têm menor quantidade de etinil-estradiol que
os CO mais antigos, o que deveria diminuir o RR, pois há
evidências de que este seja dependente da dose de estrogênio.7-9
Uma hipótese seria que o aumento do RR corra por conta
dos progestágenos utilizados nos CO de terceira geração,
que têm núcleo esteróide gonano, no que
se distinguem dos progestágenos presentes nos CO mais
antigos. Os trabalhos que observaram maior risco de TEV com
CO de terceira geração, entretanto, foram questionados
por Rekers et al, que neles identificaram possíveis
fatores de tendenciosidade.10
- Professor Associado de
Endocrinologia da Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro. Diretor do Instituto Estadual de Diabetes
e Endocrinologia Luiz Capriglione.
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