ARTIGO ORIGINAL

AMPUTAÇÕES EM DIABÉTICOS ANTES E DEPOIS DE UM PROGRAMA DE
EDUCAÇÃO E PREVENÇÃO DAS LESÕES
AMPUTATIONS ON DIABETIC PATIENTS BEFORE AND AFTER A EDUCATIONAL AND
PREVENTIVE PROGRAM

Alberto C. Duque,1 Almar A. Bastos,2 Kyria S. Melo,2 Rosino Baccarini Neto3
Trabalho realizado no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE)


RESUMO
Os autores relatam a redução efetiva na incidência de amputações de perna e coxa no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia nos últimos anos, tecendo considerações sobre a provável importância de medidas profiláticas nesta redução, que incluem a realização de cirurgias arteriais, antes pouco frequentes, e o desenvolvimento de um programa de prevenção do pé diabético.

 

UNITERMOS
Pé diabético; Gangrena diabética; Amputações; Educação; Diabetes.

 

SUMMARY
The authors describe the reduction in the incidence of leg amputation (both above and below the knee) at the State Institute of Diabetes and Endocrinology and conjecture of possible factors for this reduction, which includes vascular surgery and educational programs for diabetic patients.

 

UNITERMS
Diabetic foot; Gangrene; Amputations; Education; Diabetes.

INTRODUÇÃO

O diabetes mellitus é uma grave doença e tem se tornado cada vez mais frequente.1 Uma das complicações mais temidas é a lesão distrófica que acomete os pés dos diabéticos, conhecida como "pé diabético". Esta denominação engloba, na realidade, um conjunto de alterações que atingem as extremidades dos diabéticos, incluindo principalmente a lesão neurológica (neuropatia), a isquemia arterial e a infecção. O tratamento inclui medidas higieno-dietéticas, curativos regulares, uso de fármacos e o tratamento cirúrgico, conforme o caso.2, 3

Muitas vezes, o primeiro gesto cirúrgico no tratamento do pé diabético é a amputação. Esta atitude, aparentemente dramática, impõe-se nos casos de necrose avançada, infecção grave ou risco de sepsis.4 A amputação, infelizmente, é muitas vezes necessária, pois a necrose, uma vez instalada, é definitiva. Desta forma, o ideal seria evitarmos que a necrose se instalasse ou que o seu acometimento fosse de pequena intensidade, permitindo pequenas amputações ou desbridamentos para a preservação da função do membro.5

O resultado da amputação, ainda que salve a vida do paciente, tem implicações importantes, pois a perda da extremidade raramente é aceita pelo paciente ou familiares e representa um grave ônus social. Infelizmente, apesar de todos os avanços da medicina, as amputações ainda são frequentes nos diabéticos.5 Mas vários trabalhos demonstram que estas amputações poderiam ser reduzidas por meio de ações no sentido de agilizar o atendimento assim como de uma orientação ao paciente de sua doença.4'5


1. Chefe do Serviço de Angiologia Cirurgia Vascular do IEDE. Professor Auxiliar do Curso de Pós-Graduação de Angiologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Sócio Titular da SBACV.

2. Sócio Efetivo da SBACV. Médico do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do IEDE.

4. Chefe do Serviço de Cirurgia Geral e das Clínicas Cirúrgicas do IEDE. Sócio da SBACV.

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