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Fig. 1 - Início do
tratamento
Fig. 2 - Após 20 dias de tratamento
Tompach, em 1997, demonstrou que uma única
sessão de HBO a 2,4 ATA por 120 minutos produz uma
estimulação sustentada de fibroblastos por 72
horas.16
Concomitantemente, um aumento da pressão
de oxigênio nos tecidos permite um "clearance"
mais eficiente de bactérias pelos neutrófilos,
proporcionando também um aumento de oxigênio
para a respiração celular da pele e células
do tecido conectivo, resultando numa diminuição
da necrose numa área infectada.17
Níveis de tensão de oxigênio entre 300
mmHg e 400 mmHg têm sido medidos em pacientes durante
HBO a 2 ATA, níveis esses comparados ao nível
necessário para a parada na produção
de toxinas por Clostridium em meio de
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cultura,
sendo que, uma vez que a produção de toxinas
é suspensa, o ciclo da doença é quebrado
e as toxinas residuais são rapidamente fixadas nos
tecidos, o que explicaria a rápida melhora clínica
em alguns pacientes com gangrena gasosa que realizam HBO.18
Hohn, em 1976, já demonstrou que a atividade
bactericida de neutrófilos humanos por Staphilococos
aureus foi diminuída a níveis de PO2 abaixo
de 15 mmHg e drasticamente reduzida a níveis abaixo
de 5 mmHg. 19 Além
de S. aureus, o neutrófilo também necessita
de oxigênio para exercer sua ação bactericida
em outras bactérias comumente encontradas em úlceras
de perna, como E. coli, Serratia marcescen, Klebsiela pneumoniae
e Proteus vulgaris.20
Por sua vez, Siddiqui, também em 1997, defendeu
que o oxigênio agiria como um "sinal celular", isto é,
que as células de uma ferida não curada responderia à
HBO porque a elevação suprafisiológica da tensão
de oxigênio serviria como um sinal de que o oxigênio suficiente
estaria envolvido para prosseguir com a cicatrização normal.21
Uma dúvida comumente presente é sobre
a relação custo-benefíco do tratamento com HBO, haja
vista que se o tratamento clínico dá bons resultados em
um número significativo de casos, em quais úlceras seria
indicada a HBO? O Comité de Oxigenoterapia Hiperbárica da
"Undersea and Hyperbaric Medical Society" tem baseado a conduta
na classificação de Wagner para o pé diabético.22
Wagner classificou em Grau I as lesões superficiais sem penetração
em tecidos profundos; não há indicação para
HBO nesse tipo de lesão. O Grau II envolve ulceração
profunda que atinge tendão, ossos ou cápsula de articulação;
a HBO pode não ser economicamente compensadora ou necessária
A HBO pode ser indicada nas lesões Grau III, onde tecidos profundos
estão envolvidos e há grandes infecções, como
osteomielite ou mal perfurante plantar. Também pode ser efetiva
nas lesões Grau IV, aonde há gangrena de algumas porções
de dedo (ou dedos) do pé e antepé. No Grau V, o comprometimento
é tão extenso que não haverá outro procedimento
indicado que não seja a amputação.
Devemos ressaltar que a oxigenoterapia hiperbárica
deverá ser sempre acompanhada de desbridamento dos tecidos inviáveis,
com limpezas cirúrgicas sempre que as mesmas forem necessárias.
CONCLUSÃO
Respeitada a necessidade da resolução,
quando possível, dos fatores desencadeantes do pé
diabético, a oxigenoterapia hiperbárica tem
demonstrado grande eficácia no tratamento desse tipo
de afecção, por promover a síntese de
colágeno, neovascularização e aumentar
a atividade bactericida dos neutrófilos.
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