A evolução tecnológica dos equipamentos de ultra-sonografia associada com o aperfeiçoamento das técnicas de power Doppler e de imagem tridimensional permitem imagens ainda mais nítidas. A correlação da avaliação da imagem da estenose pelo ultra-som e pela angiografia já é uma realidade e deve prosperar.39 A análise da ecomorfologia das placas de ateroma também é área promissora na determinação do potencial embolígeno de uma lesão.40,41

Uma estenose de 60% no NASCET corresponde a 80% no ECST. Esta conversão é essencial para a comparação dos resultados destes estudos.

ANGIOPLASTIA E STENT

uso da angioplastia com balão, desenvolvida por Gruntzing no início dos anos 70, no tratamento das estenoses ateroscleróticas, mostrou ser efetiva. Entretanto, a despeito de vários estudos, permanece o debate sobre a eficácia relativa e a aplicabilidade da angioplastia trans-luminal percutânea (ATP) comparada com a cirurgia pela limitação imposta pela reestenose.

Os stents ganharam popularidade nos últimos anos. Há diferentes tipos com diferentes características. Os estudos comparando ATP com ou sem stent mostram melhores resultados com o uso destes, embora se aguarde comparação entre o uso primário de stents e a cirurgia.42

Nos últimos anos tem havido um grande interesse em tratar as estenoses de carótida com angioplastia e stent, e relatos têm sido publicados ou apresentados em congressos.43,44 O emprego de uma técnica potencialmente mais simples e barata, embora não comprovada, tem sido alardeada como justificativa para seu uso. Antes que seu uso clínico se dissemine, alguns aspectos devem ser lembrados conforme as observações do comité de cirurgia cardiotorácica e vascular da American Heart Association.

Primeiro, os benefícios da endarterectomia de carótida estão bem demonstrados por estudos prospectivos multicêntricos. Segundo, há o risco intrínseco da angiografia e da manipulação do cateter. Portanto, a morbi-mortalidade com a ATP deve ser estabelecida bem como os critérios de treinamento, antes do seu emprego disseminado. Terceiro, ao contrário da angioplastia de coronária e ilíaca, a oclusão aguda da carótida pode não ser factível de correção cirúrgica de emergência e nem apresenta bons resultados. Quarto, a endarterectomia de carótida é relativamente segura e os índices de sucesso, de complicações e de permanência hospitalar são favoráveis quando realizada por cirurgiões experientes, mesmo para pacientes considerados de risco para outros procedimentos.

No debate sobre quem deve realizar a ATP com ou sem stent de carótida, uma resposta emerge. No momento, ela deve ser realizada como parte de um estudo prospectivo controlado com auditoria independente.42

As técnicas da angioplastia com stent para a carótida estão disponíveis, há uma experiência limitada e um grande interesse. Entretanto, a existência da técnica não justifica o seu uso antes de estudos mais adequados de "longo prazo".

CONCLUSÕES

Com os recursos diagnósticos atuais, a avaliação obje-tiva da doença da bifurcação carotídea deve levar em consideração o grau de estenose mas não as características da placa (p.ex., presença de úlcera ou hemorragia intraplaca). Portanto, a indicação cirúrgica é baseada no grau de estenose; a indicação baseada nas características da placa da carótida aguarda novos estudos. A presença de trombo aderido à parede do vaso, no entanto, sugere uma evolução desfavorável com maior risco de AVC isquêmico.

A endarterectomia de carótida apresenta um risco pequeno mas sério de AVC ou morte, mas o risco sem a cirurgia é substancialmente maior. O risco de um AVC ipsilateral é praticamente abolido pela cirurgia com sucesso que se constitui no mais efetivo meio de prevenção de AVCI nos pacientes com estenose severa da bifurcação carotídea.

Na prática clínica, o risco cirúrgico depende do tipo de paciente operado, da técnica empregada e da experiência da equipe cirúrgica. Como os ensaios clínicos referidos envolveram cirurgiões selecionados com controle de qualidade dos seus resultados, as conclusões relatadas devem ser aplicadas com reserva na prática individual. Os benefícios da endarterectomia de carótida diminuem com o aumento dos índices peri-operatórios de AVCI incapacitante e fatal.

Hertzer et al45 relataram os resultados imediatos de 2.228 endarterectomias de carótida consecutivas. Salientam que é necessário manter um protocolo e dados atualizados com o objetivo de confrontar o •; resultados individuais e institucionals com as recomendações internacionals. Num modelo de análise estatística multivariada, observaram que o sexo (feminino), a urgência da cirurgia e a reoperação influenciaram negativamente os índices de morbi-mortalidade. Observaram, ainda, que o índice de AVC pós-operatório foi maior com o uso de remendo sintético e o fechamento primário da arteriotomia comparados com o uso de remendo com veia.

Os benefícios da endarterectomia de carótida são proporcionals ao grau da estenose e ao número de fatores de risco presentes, aos quais o paciente está exposto sem a cirurgia. Os dados sugerem, ainda, que os homens têm um benefício maior com a cirurgia que as mulheres. Os benefícios relativos são maiores com a cirurgia precoce (devemos lembrar que os estudos prospectivos envolveram doentes com AVC recente), portanto, aguardar semanas ou meses para operar pode não ser benéfico para o doente.

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