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INTRODUÇÃO
A doença cerebrovascular é
uma das doenças mais comuns em países industrializados.
A Organização Mundial da Saúde, em relatório
de 1994, estima que o acidente vascular cerebral (AVC) ocupe
o 3° lugar nas estatísticas de mortalidade e o
2° entre as doenças cardiovasculares.1
No Brasil estima-se que as doenças cardiovasculares
estejam entre as principais causas de óbito nos grandes
centros urbanos.2
Apesar dos constantes avanços
no diagnóstico e na terapêutica, o AVC ainda
apresenta elevados índices de mor-bi-mortalidade. Nos
Estados Unidos, relatos recentes estimam uma incidência
anual acima de 700 mil casos. Um grande número de pacientes
sobrevive ao episódio isquêmico, mas permanece
com sequelas.3'4 Os custos diretos e indire-tos estimados
são da ordem de 40 bilhões de dólares.5
Não obstante estes dados catastróficos, o AVC
pode ser prevenido. A dificuldade maior na profilaxia se relaciona
com a progressão da estenose aterosclerótica
da artéria carótida, que é variável
e não previsível.6 Muitos pacientes apresentam
quadro inicial de ataque isquêmico transitório
(AIT) ou de amaurose fugaz (cegueira monocular transitória)
que servem de alerta para a gravidade da doença. Em
outros, o episódio isquêmico inicial é
definitivo e as sequelas são permanentes. Em outros,
o diagnóstico é laboratorial. O reconhecimento
dos acidentes isquêmicos pela história clínica
e exame físico faz parte da prevenção
do infarto cerebral.
FATORES DE RISCO
Os fatores de risco comumente identificados
para a prevenção do AVC são: hipertensão
arterial (has), cardiopatia isquêmica, fibrilação
atrial, diabetes Mellitus, hiperlipidemia e estenose da artéria
carótida.
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Já
os fatores relacionados com o estilo de vida são: tabagismo,
álcool, sedentarismo e dieta hiperlipídica.
Entre os fatores de risco, a hipertensão
arterial, definida como pressão acima de 160/95 mmHg,
tem um papel dos mais importantes e se constitui no mais prevalente
e tratável dos fatores. Tanto os níveis sistólicos
como os diastólicos são comparáveis quanto
ao impacto no desenvolvimento de isquemia cerebral.7 O risco,
idade-ajustado, dos hipertensos desenvolverem isquemia em
comparação com os normoten-sos (< 140/90
mmHg) é de 3,0 nos homens e de 2,9 nas mulheres. Níveis
sanguíneos aumentados dos lipídios se correlacionam
com a incidência de isquemia miocárdica mas não
claramente com a cerebral.8 Estudos recentes, entretanto,
relatam diminuição de 30% de AVC fatal e não
fatal nos pacientes em uso de sinvastatina. Assim, a redução
dos lipídios parece ser efetiva em reduzir o risco
de doença cerebrovascular, pelo menos em alguns subgrupos.9
Os diabéticos têm uma incidência duas a
quatro vezes maior que os não diabéticos de
desenvolver AVC. O tabagismo é outro fator de risco.
Os fumantes têm um risco relativo de 1,5 a 2,2 vezes
em relação aos controles. 10,11
O uso de antiplaquetários parece
reduzir a incidência de AVC e outros eventos vasculares
em pacientes de alto risco.12
Controvérsias permanecem sobre a dose diária,
que tem variado de 30 mg a 1.300 mg. A dose inicial recomendada
pelo NASCET para a prevenção é de 325mg/
dia.13 O controle dos fatores
de risco e a seleção adequada dos pacientes
para o tratamento cirúrgico constituem-se na melhor
abordagem para reduzir a morbi-mortalidade associada com a
isquemia cerebral.
- Prof. Adjunto da Faculdade
de Medicina da UFRGS - Serviço de Cirurgia Vascular
do HCPA.
- Médico do Serviço
de Cirurgia Vascular do HCPA.
- Prof. Adjunto da Faculdade
de Medicina da UFRGS - Serviço de Cirurgia Vascular
do HCPA.
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