ARTIGO DE REVISÃO

ESTENOSE DA CARÓTIDA EXTRACRANEANA:
ANALISE DOS FATORES DE RISCO E DAS INDICAÇÕES CIRÚRGICAS
EXTRACRANEAL CAROTID STENOSIS:
AN APPROACH OF RISK'S FACTORS AND SURGICAL MANAGEMENT

Luiz. Francisco Costa', Gilberto de Souza2, Adamastor H. Pereira1 Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFRGS Serviço de Cirurgia Vascular do Hosp. de Clínicas de Porto Alegre -HCPA

INTRODUÇÃO

A doença cerebrovascular é uma das doenças mais comuns em países industrializados. A Organização Mundial da Saúde, em relatório de 1994, estima que o acidente vascular cerebral (AVC) ocupe o 3° lugar nas estatísticas de mortalidade e o 2° entre as doenças cardiovasculares.1 No Brasil estima-se que as doenças cardiovasculares estejam entre as principais causas de óbito nos grandes centros urbanos.2

Apesar dos constantes avanços no diagnóstico e na terapêutica, o AVC ainda apresenta elevados índices de mor-bi-mortalidade. Nos Estados Unidos, relatos recentes estimam uma incidência anual acima de 700 mil casos. Um grande número de pacientes sobrevive ao episódio isquêmico, mas permanece com sequelas.3'4 Os custos diretos e indire-tos estimados são da ordem de 40 bilhões de dólares.5 Não obstante estes dados catastróficos, o AVC pode ser prevenido. A dificuldade maior na profilaxia se relaciona com a progressão da estenose aterosclerótica da artéria carótida, que é variável e não previsível.6 Muitos pacientes apresentam quadro inicial de ataque isquêmico transitório (AIT) ou de amaurose fugaz (cegueira monocular transitória) que servem de alerta para a gravidade da doença. Em outros, o episódio isquêmico inicial é definitivo e as sequelas são permanentes. Em outros, o diagnóstico é laboratorial. O reconhecimento dos acidentes isquêmicos pela história clínica e exame físico faz parte da prevenção do infarto cerebral.

FATORES DE RISCO

Os fatores de risco comumente identificados para a prevenção do AVC são: hipertensão arterial (has), cardiopatia isquêmica, fibrilação atrial, diabetes Mellitus, hiperlipidemia e estenose da artéria carótida.

Já os fatores relacionados com o estilo de vida são: tabagismo, álcool, sedentarismo e dieta hiperlipídica.

Entre os fatores de risco, a hipertensão arterial, definida como pressão acima de 160/95 mmHg, tem um papel dos mais importantes e se constitui no mais prevalente e tratável dos fatores. Tanto os níveis sistólicos como os diastólicos são comparáveis quanto ao impacto no desenvolvimento de isquemia cerebral.7 O risco, idade-ajustado, dos hipertensos desenvolverem isquemia em comparação com os normoten-sos (< 140/90 mmHg) é de 3,0 nos homens e de 2,9 nas mulheres. Níveis sanguíneos aumentados dos lipídios se correlacionam com a incidência de isquemia miocárdica mas não claramente com a cerebral.8 Estudos recentes, entretanto, relatam diminuição de 30% de AVC fatal e não fatal nos pacientes em uso de sinvastatina. Assim, a redução dos lipídios parece ser efetiva em reduzir o risco de doença cerebrovascular, pelo menos em alguns subgrupos.9 Os diabéticos têm uma incidência duas a quatro vezes maior que os não diabéticos de desenvolver AVC. O tabagismo é outro fator de risco. Os fumantes têm um risco relativo de 1,5 a 2,2 vezes em relação aos controles. 10,11

O uso de antiplaquetários parece reduzir a incidência de AVC e outros eventos vasculares em pacientes de alto risco.12 Controvérsias permanecem sobre a dose diária, que tem variado de 30 mg a 1.300 mg. A dose inicial recomendada pelo NASCET para a prevenção é de 325mg/ dia.13 O controle dos fatores de risco e a seleção adequada dos pacientes para o tratamento cirúrgico constituem-se na melhor abordagem para reduzir a morbi-mortalidade associada com a isquemia cerebral.


  1. Prof. Adjunto da Faculdade de Medicina da UFRGS - Serviço de Cirurgia Vascular do HCPA.
  2. Médico do Serviço de Cirurgia Vascular do HCPA.
  3. Prof. Adjunto da Faculdade de Medicina da UFRGS - Serviço de Cirurgia Vascular do HCPA.
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