Estão equivocados os médicos que pensam que irão ser eles a decidir; infelizmente vão ser as leis do mercado que irão ditar a sua justiça: vai fazer intervenção endoluminal quem tiver equipamento, experiência, acesso aos doentes e quem a realizar a custos econômico-financeiros mais baixos.

É na qualidade de cirurgião que faço esta apreciação crítica sobre a actualidade da intervenção endoluminal, aqui e agora. Não posso porém deixar de mencionar que também no decurso dos últimos 20 anos ocorreram enormes progressos no âmbito da anestesia e cirurgia vascular, nomeadamente na estratificação do risco operatório, na introdução de novos agentes anestésicos ou da anestesia loco-regional, na monitorização cardíaca e hemodinâmica, nos cuidados intensivos polivalentes, na introdução da revascularização extra-anatómica ou dos novos materiais de enxerto e sutura (Quadro VII).

QUADRO VII
ANGIOPLASTIA/STENT DOS MMII
Progressos da anestesia/cirurgia


  • Estratificação do risco operatório
  • Novos agentes anestésicos
  • Anestesia loco-regional
  • Monitorização cardíaca e hemodinâmica
  • Cuidados intensivos polivalentes
  • Revascularização extra-anatômica
  • Materiais de enxerto e sutura

A cirurgia tornou-se ainda mais eficaz, a morbilidade e a mortalidade operatórias baixaram significativamente em todos os sectores, esvaziando, de certa forma, parte do conteúdo dos argumentos que apoiavam a intervenção endoluminal.

No estado actual dos nossos conhecimentos, permito-me concluir afirmando que o mecanismo íntimo de acção e a resposta biológica da artéria são poderosos factores limi-tantes do sucesso, a médio ou longo prazo, da intervenção endoluminal; a sua elevada selectividade restringe a utilização a apenas pequenos grupos, bem seleccionados, de doentes; e, finalmente, os seus custos económico-financeiros não são, paradoxalmente, inferiores aos da cirurgia.

Termino, considerando que a intervenção endoluminal é, em minha opinião, uma alternativa válida de tratamento apenas para indivíduos sofrendo de isquemia crítica dos membros inferiores, com curta esperança de vida ou contra-indicação absoluta para a cirurgia.

Estou certo que a progressiva melhoria na qualidade dos biomateriais (guias, cateteres, balões, stents), das técnicas de imagem e da farmacoterapia, nomeadamente os novos inibidores das funções plaquetárias responsáveis pela resposta proliferativa da parede arterial, poderão vir a melhorar os resultados da intervenção endoluminal nos anos mais próximos, tornando-a mais eficaz e credível.

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