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A introdução das técnicas endovasculares
na prática clínica angiológica foi secundada por
uma grande onda de entusiasmo por parte dos médicos, doentes e
autoridades sanitárias.
Com efeito, aqueles métodos apresentam facetas
muito atractivas quando empregues no tratamento da doença isquémica
dos membros inferiores: a sua execução é rápida,
são efectuados sob anestesia local, o internamento hospitalar é
curto e a recuperação rápida. Os custos económico-financeiros
aparentam ser, por essa razão, menores quando comparados com o
tratamento cirúrgico. Para além disso, dispensam a anestesia
geral bem como a intervenção cirúrgica, com todo
o desconforto, sofrimento e riscos que lhes são inerentes.
Vinte anos após a introdução da
angioplastia por balão por Gruntzig', os seus resultados
e a sua eficácia ainda são questionáveis,
mesmo após a criação de complementos
técnicos como é o caso dos stents, razão
pela qual se torna pertinente debater este tema, neste caso
através da óptica de um cirurgião vascular,
que não tem qualquer experiência de intervenção
endovascular.
Uma análise pormenorizada de 22 trabalhos publicados
na literatura internacional recente, reportando séries de doentes
portadores de isquemia crónica dos membros inferiores e submetidos
a angioplastia e/ou stent, serve de base a esta reflexão (Quadro
l). As séries foram separadas de acordo com a localização
anatómica da lesão intervencionada (ilíacas, femoral
superficial e poplítea proximal, poplítea distal e vasos
crurais) e os resultados foram apreciados na perspectiva do sucesso inicial
e dos índices de permeabilidade registrados do 1° ao 5°
ano após a intervenção.
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(a) Spence2,
1981;Gallino3, 1984;Johnston4-5,
1987, 1993; Murphy6, 1995;
Martin7, 1995; Ballard8,
1996; Sullivan9,1997.
(b) Hewes10, 1986; Zoilikofer11,
1991; Saproval12, 1992; Hunink13,
1993; White14, 1995; Martin15,
1995; Staniey16, 1996; Gray17,
1997.
(c) Schwanen18, 1998; Bakal,
Veith19, 1990; Buli20,
1992; Brown21, 1993; Treiman22,
1995.
Uma primeira impressão que se colhe na observação
deste quadro é a discrepância de resultados, ou seja a enorme
variabilidade nos números que os diversos trabalhos reportam em
cada uma das áreas anatómicas intervencionadas. O segundo
aspecto evidente é que a seguir a uma taxa elevada de sucesso inicial,
ocorre, com o decorrer do tempo, uma significativa deterioração
dos índices de permeabilidade, que é maior quanto menor
é o calibre da artéria intervencionada.
Finalmente fica-se com uma primeira impressão
que os resultados, na sua globalidade, são inferiores àqueles
que decorrem da cirurgia arterial reconstrutiva dos nossos dias.
Uma análise mais pormenorizada das publicações
mencionadas permite concluir que a discrepância de resultados se
deve fundamentalmente a duas ordens de razões: metodologias diversas
na seleção dos doentes e ausência de critérios
uniformes de avaliação de resultados, sobretudo no que se
refere ao conceito de "sucesso".
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