A história e o exame clínico são muito importantes na identificação das complicações. Mais recentemente, o eco-Doppler tem ajudado não só no diagnóstico como também no tratamento. As arteriografias são usadas muito raramente e só para lesões muito extensas.

As formas de apresentação são:
- pseudo-aneurismas;
- hematoma ou hemorragia: é importante a diferenciação entre ambas. O Doppler pode ajudar identificando a comunicação entre o vaso e loja;
- trombose do sistema;
- fístula arteriovenosa;
- dissecção;
- rotura.

As duas últimas são menos frequentes.

CONDUTAS ESPECÍFICAS

a) Pseudo-aneurismas - muitas vezes as lesões são pequenas, de l cm a 3cm. Na maioria das vezes, deve-se tentar trombosar com o transdutor do eco-Doppler, o que se consegue em 84% dos casos. Nas lesões de 3cm a 8cm, a taxa de sucesso cai, mas deve ser tentada a compressão por pelo menos uma hora em intervalos de dez minutos.

A cirurgia do pseudo-aneurisma fica reservada àqueles com dor progressiva, o que sugere envolvimento neurológico do hematoma. Quando há isquemia associada também há indicação cirúrgica.

O acompanhamento de 239 casos de pseudo-aneurismas num período que variou de dez a 15 anos, revelou que apenas 9% necessitaram de tratamento cirúrgico, quando a dilatação tinha de l cm a 8cm donde se conclui que pseudo-aneurisma não é igual à cirurgia.

b) Os hematomas quase sempre não necessitam tratamento especial; na maioria das vezes, só a suspensão do anticoagulante é suficiente. Atenção especial deve ser dada aos hematomas de retroperitônio que, apesar de serem muito graves, dão poucas manifestações clínicas, exceto pela hipotensão e a queda do hematócrito.

Na maioria são pacientes cardiopatas, idosos e que por isso podem ter mortalidade bastante alta.

c) Fístulas arteriovenosas: o tratamento é cirúrgico.

d) Dissecções produzidas por catéter, quando são pequenas e restritas a segmentos curtos, podem ser tratadas clinicamente ou com a ressecção de segmentos. A colocação de umpatch também é uma opção utilizada.

e) A trombose de artéria braquial por cateterismo, na literatura é citada entre 0,3% e 2,8% e provavelmente tem incidência porque na maioria das vezes, apesar de não encontrarmos pulso radial, a artéria braquial frequentemente esta trombosada e o paciente, assintomático. Muitos destes casos não têm registros nas estatísticas médicas. Os sintomas só aparecem quando o gradiente entre a artéria braquial e as artérias do antebraço é maior que 50 mmHg. Por outro lado, 50% desses casos vão desenvolver sintomas mais tarde, especialmente sob a forma de claudicação. A metade de todos estes pacientes vai ter seu quadro de isquemia agravado e necessitará de algum tipo de tratamento.

Outro aspecto importante é que o tratamento tardio dessas tromboses certamente implicará um procedimento mais complexo.

Aquela pequena trombose que, no início, seria tratada com anestesia local e trombectomia simples, acaba se transformando numa cirurgia de ponte com anestesia geral e interposição de safena geralmente num paciente cardiopata. A cirurgia quando é feita até 24 horas depois do cateterismo implica retrombose em apenas 2%, passando a 12% quando a cirurgia é feita posteriormente.

O tratamento clínico está relacionado com a maior incidência de sintomas neurológicos.

Um número razoável de pacientes que se submeteram a cateterismo cardíaco e complicaram, terá de fazer outro cateterismo e certamente precisará da artéria radial para uma futura monitorização cardíaca. Por isso é importante recuperar precocemente a artéria braquial e, mesmo no paciente assintomático, com trombose de artéria braquial por Cat, toda atitude tem que ser no sentido de restabelecer o fluxo arterial antes das primeiras 24 horas.

A artéria que mais frequentemente se rompe em uma angioplastia é a artéria ilíaca, e algumas vezes o tratamento pode ser feito no mesmo tempo com a colocação de uma endoprótese revestida. Se não for possível, é necessário o acesso retroperitoneal com abordagem da artéria.

Endereço para correspondência
Dr. Luit Henrique Coelho
Rua Marquês de Olinda, 25/302
22251-040 -Botafogo - Rio de Janeiro (RJ)

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