LIÇÕES DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR

EMERGÊNCIAS VASCULARES - LESÕES VASCULARES IATROGÊNICAS
CONCLUSÕES ESPECÍFICAS

Dr. Luiz Henrique Coelho1

INTRODUÇÃO

As lesões arteriais são bem mais frequentes que as venosas, por isso vamos falar basicamente delas. Noventa por cento dos traumas eram atribuídos aos traumatismos penetrantes, cedendo espaço nos últimos anos para as lesões iatrogênicas.

Em julho de 1998 foi publicado um estudo feito em um grande hospital da Grécia sobre 237 pacientes operados de lesões vasculares traumáticas: 36% delas eram iatrogênicas, cerca de 1/3, A maioria das lesões foi por cateterismo cardíaco e a especialidade mais frequentemente envolvida foi a ortopedia.

Quando a via femoral foi utilizada como acesso vascular, ocorreram falsos aneurismas, e, quando a via braquial estava envolvida, predominou a trombose como principal complicação. A taxa de mortalidade também não é desprezível. A principal razão para essas lesões são as técnicas de diagnósticos e tratamento percutâneo e os dispositivos para assistência cardíaca, principalmente o balão intra-aórtico, o catéter de Swan-Ganz e o fato de a maioria desses pacientes ser portadora de aterosclerose avançada.

Os procedimentos mais diretamente envolvidos com essas lesões são: angioplastias (o principal deles), angiogra-fias periféricas, cateterismo cardíaco e balão intra-aórtico, laparoscopias, principalmente as ginecológicas, com lesões de vasos ilíacos, retiradas de meniscos por via artroscópica, cirurgias oncológicas, nefrectomias e cirurgias de hérnia inguinal.

Os principais sítios de lesões iatrogênicas são os vasos femorais, pelo seu acesso fácil e por serem superficiais; nos membros superiores o mesmo ocorre com a artéria braquial, e entre os vasos abdominais destacam-se lesões ilíacas.

• Exemplo de caso:

Hematoma extenso que teve evolução satisfatória apenas com a suspensão do anticoagulante.

A angiografia periférica é o mais benigno dos procedimentos vasculares invasivos, com 0,1% a 4% de complicações. Em seguida vem o cateterismo cardíaco, a angio-plastia periférica, a angioplastia coronária (5%) e o balão intra-aórtico (4% a 43%).

• Exemplo de caso:

Embolia bilateral em paciente que se submeteu a estudo angiográfico de aorta e membros inferiores.

FATORES PREDISPONENTES

a) Tamanho de arteriotomia: nas mulheres, as artérias costumam ser menores e, se a arteriotomia for muito ampla, a sutura pode predispor à estenose. E comum vermos colegas hemodinamicistas abrirem a artéria braquial longitudinalmente, outros transversalmente e fecham de qualquer forma, quando sabemos que a técnica está diretamente relacionada com as complicações;

b) O não uso da heparina, que protege contra isquemia apesar de favorecer a hemorragia;

c) A duração do procedimento;

d) O número de trocas de catéteres e o diâmetro do introdutor. Trabalho recente comparou o uso de bainhas 5F com 7F e este último apresentou maior número de complicações;

e) Por último, a experiência do intervencionista.


  1. Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV.
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