| INTRODUÇÃO
As lesões arteriais são bem mais frequentes
que as venosas, por isso vamos falar basicamente delas. Noventa por cento
dos traumas eram atribuídos aos traumatismos penetrantes, cedendo
espaço nos últimos anos para as lesões iatrogênicas.
Em julho de 1998 foi publicado um estudo feito em
um grande hospital da Grécia sobre 237 pacientes operados de lesões
vasculares traumáticas: 36% delas eram iatrogênicas, cerca
de 1/3, A maioria das lesões foi por cateterismo cardíaco
e a especialidade mais frequentemente envolvida foi a ortopedia.
Quando a via femoral foi utilizada como acesso vascular,
ocorreram falsos aneurismas, e, quando a via braquial estava envolvida,
predominou a trombose como principal complicação. A taxa
de mortalidade também não é desprezível. A
principal razão para essas lesões são as técnicas
de diagnósticos e tratamento percutâneo e os dispositivos
para assistência cardíaca, principalmente o balão
intra-aórtico, o catéter de Swan-Ganz e o fato de a maioria
desses pacientes ser portadora de aterosclerose avançada.
Os procedimentos mais diretamente envolvidos com
essas lesões são: angioplastias (o principal deles), angiogra-fias
periféricas, cateterismo cardíaco e balão intra-aórtico,
laparoscopias, principalmente as ginecológicas, com lesões
de vasos ilíacos, retiradas de meniscos por via artroscópica,
cirurgias oncológicas, nefrectomias e cirurgias de hérnia
inguinal.
Os principais sítios de lesões iatrogênicas
são os vasos femorais, pelo seu acesso fácil e por serem
superficiais; nos membros superiores o mesmo ocorre com a artéria
braquial, e entre os vasos abdominais destacam-se lesões ilíacas.
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Exemplo de caso:
Hematoma extenso que teve evolução
satisfatória apenas com a suspensão do anticoagulante.
A angiografia periférica é o mais
benigno dos procedimentos vasculares invasivos, com 0,1% a 4% de complicações.
Em seguida vem o cateterismo cardíaco, a angio-plastia periférica,
a angioplastia coronária (5%) e o balão intra-aórtico
(4% a 43%).
• Exemplo de caso:
Embolia bilateral em paciente que se submeteu a
estudo angiográfico de aorta e membros inferiores.
FATORES PREDISPONENTES
a) Tamanho de arteriotomia: nas mulheres, as artérias
costumam ser menores e, se a arteriotomia for muito ampla, a sutura pode
predispor à estenose. E comum vermos colegas hemodinamicistas abrirem
a artéria braquial longitudinalmente, outros transversalmente e
fecham de qualquer forma, quando sabemos que a técnica está
diretamente relacionada com as complicações;
b) O não uso da heparina, que protege contra
isquemia apesar de favorecer a hemorragia;
c) A duração do procedimento;
d) O número de trocas de catéteres
e o diâmetro do introdutor. Trabalho recente comparou o uso de bainhas
5F com 7F e este último apresentou maior número de complicações;
e) Por último, a experiência do intervencionista.
- Especialista em Cirurgia Vascular
pela SBACV.
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