Além do efeito antiflogfslico, os antiinflamatórios não-hormonais possuem efeitos analgésico e antipirético. De modo geral, seu uso em vasculites não é frequente, mas está indicado como primeira opção em vasculites cutâneas localizadas, como o erite-ma nodoso e o eritema indurado, que ainda são discutidos se devem ser enquadrados como tipos de vasculites; para alguns especialistas, o substrato básico dessas lesões é a degeneração adiposa com reação inflamatória vascular secundária. Estas afecções podem responder bem a uma terapia pouco agressiva que seja isenta ou com mínima reação colateral. Da mesma forma, quando frente a uma flebite migratória, uma vez identificado e retirado o agente que esteja produzindo a reação de hipersensibilidade, o uso de anti-inflamatório não-hormonal como tratamento inicial pode ser uma escolha; havendo sucesso terapêutico, não há necessidade de uso imediato de corticosteróide. É preciso lembrar os efeitos adversos dessas drogas, entre os quais, a dor epigástrica, náuseas, sangramento gastrintestinal, leucopenia, trombocitopenia etc.

Corticosteróides - medicamentos de uso habitual na terapêutica das vasculites, quase sempre como primeira escolha, seja pelo seu efeito antiinflamatório seja por sua atividade imunossupressora, esta última quando administrados em altas doses. O efeito antiinflamatório dos corticosteróides deve-se, principalmente, à proteção que induz à membrana dos lisossomas e, também, graças a sua ação constritiva sobre a microvasculatura, impedindo a ocorrência de tran-sudação plasmática, a migração de células sanguíneas (especialmente leucócitos e monócitos) e a passagem de imunocomplexos através da membrana basal. Seu efeito imunossupressor decorre da inibição da imunidade celular e humoral e da síntese de anticorpos.

Como principais representantes estão a prednisona e a prednisolona. O primeiro é mais usado na prática, por ter um alto poder antiinflamatório com doses menores, reduzindo os efeitos mineralocorticóides desses medicamentos (especialmente a retenção hídrica). A posologia média diária antiflogística é de 15mg, com aumento ou redução de 5mg a cada três-cinco dias do tratamento, devendo a resposta terapêutica ser obtida dentro de três a quatro semanas. Caso isso não aconteça, torna-se necessário avaliar a possibilidade ou de aumentar a posologia até um nível de dose imunossupressora ou de iniciar a terapia diretamente com medicamento imu-nossupressor. A dose diária imunossupressora oscila entre 60 e 80mg, sendo administrada durante dez a 14 dias para obtenção de um resultado favorável do tratamento.

Embora seja medicação de primeira escolha para as vasculites, o uso de corticosteróides apresenta, na maioria dos casos, efeitos inconclusivos quanto a uma possível interferência benéfica na evolução das arterites em geral. Há relato de casos com resultados excelentes, como o de Iwao Sato, que comprovou o restabelecimento de pulso em 20% dos enfermos com arterite deTakayasu, possivelmente graças

à redução do edema subintimal que interfere na pulsatibilidade da artéria. Na arterite temporal, sua ação é altamente eficaz no bloqueio da evolução da lesão, havendo indicação formal para o seu emprego.

Não se pode esquecer dos efeitos colaterais dessas drogas, especialmente a epigastralgia, as alterações psíquicas, o edema, o hisutismo e a hiperglicemia . Sua retirada deve ser sempre gradual para evitar a insuficiência supra-renal.

Imunossupressores - constitui uma terapia alternativa frente à má resposta das altas doses de corticosteróides no tratamento das vasculites. Estes medicamentos têm como ações básicas a inibição da proliferação celular (linfócitos T e B) e inibição da produção de antígenos e anticorpos. O grupo principal está formado pêlos citotóxicos, que têm como representantes a azatioprina, a ciclofosfamida, a vincristina e o methotrexate. A posologia e a via de administração são variáveis, dependendo da enfermidade e do seu estagio evolutivo. Dos mais usados são a ciclofosfamida e a azatioprina, em doses diárias de 2 a 3mg/kg. Entre os efeitos adversos da terapia com os imunossupressores estão as infecções oportunísticas, as neoplasias e, paradoxalmente, a possibilidade de aumento das reações imunológicas. E conveniente que, durante o tratamento, haja controle laboratorial da leucometria (que deve ser mantida acima de 3.000/mm3) e da contagem de plaquetas.

Pulsoterapia com corticóides e imunossupressores - recurso que tem sido utilizado em formas graves de vasculites com possibilidades de lesões em órgãos nobres. Tem como vantagens a acentuada supressão da resposta imunitária e a atenuação dos efeitos colaterais que acontecem com as doses fracionadas. Diversos esquemas são preconizados, sendo um deles com a metilprednisolona, em dose diária de l g em 250ml de soro glicosado, em ciclos iniciais de três dias, seguindo-se quatro ciclos semanais e, por fim, ciclo mensal. Outro esquema é o da ciclofosfamida em dose de 15mg/kg em 500inl de soro fisiológico, em ciclo mensal. Existem con-tra-indicações, especialmente diante de infecções, hipertensão arterial e úlcera péptica.

Anticoagulantes e fibrinolíticos - as ações anticoagu-lante, antiinflamatória, anticomplemento e antiagregante plaquetária da heparina e o incremento da atividade fibrinolítica (que se acha reduzida nas vasculites) promovido pela estreptoquinase justificam o uso dessa classe de medicamentos em certas situações da fase aguda da inflamação vascular, especialmente quando estão acometidos vasos calibrosos, visando à prevenção da trombose e da coagulação intravascular disseminada.

Antibióticos - são utilizados quando há associação do processo inflamatório vascular com uma enfermidade infecciosa. Entre os principais agentes indutores dessa associação estão o bacilo de Koch, o bacilo de Hansen, o treponema pailidum, o estreptococo, o estafilococo e o meningococo.

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