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das manifestações de uma enfermidade sistêmica (por
exemplo, doenças do tecido conjuntivo, como o lúpus,
a artrite reumatóide, a esclerodermia, as quais ocasionalmente
podem cursar com uma vasculite cutânea ou até
mesmo com comprometimento inflamatório de troncos arteriais
importantes). Se na fase aguda o controle da enfermidade basal
é mais do que adequado, na fase crônica esse
controle ganha importância redobrada para se evitarem
surtos de agudização da inflamação
vascular.
Um outro ponto a ser destacado é o de que as vasculites podem,
às vezes se manifestar de modo semelhante, com o mesmo tipo de
lesão. Assim, a púrpura pode ser uma exteriorização
tanto de uma vasculite isolada, como a Púrpura de Henoch-Schonlein,
quanto de uma vasculite infecciosa, como a da meningite. Portanto, deve-se
ter cuidado para não se instituir o tratamento apenas pela manifestação
clínica sem se preocupar com a sua causa básica. E aqui,
novamente vale lembrar que existem as vasculites primárias, de
etiologia desconhecida (Takayasu, tromboangeíte, púrpura
de Henoch-Schonlein) e as secundárias, de causas variadas (doenças
do tecido conjuntivo, infecções, farmacodermias, etc.),
estas últimas exigindo atenção para o controle dos
distúrbios causadores.
Finalmente, complementando estas considerações básicas
a serem levadas em conta antes da instituição do tratamento
de uma vasculite, deve ser destacado que, em relação à
evolução, existem vasculites que têm um comportamento
evolutivo bastante satisfatório, sendo raras as complicações,
especialmente quando tratadas adequadamente, ficando quase sempre restritas
à superfície cutânea; já outras evoluem rapidamente
para uma descompensação da lesão cutânea ou
do funcionamento de órgãos, exigindo por isso uma pronta
e eficaz interferência terapêutica. Como regra geral, na primeira
condição o comprometimento fica limitado aos pequenos vasos
da pele, enquanto na segunda são acometidas artérias tronculares
das extremidades ou nutridoras de órgãos.
Por tudo isso, volta-se a enfatizar que não se pode estabelecer
uma conduta terapêutica padronizada para todas as formas de vasculites.
ASPECTOS FISIOPATOLÓGICOS
Mesmo na abordagem terapêutica do tema vasculite, é importante
que o médico tenha uma noção, ainda que sumária,
da fisiopatologia da agressão inflamatória ao vaso. O agente
agressor pode ser tanto o complexo imune - resultado da reação
antígeno, anticorpo e complemento - quanto uma toxina bacteriana.
Uma das consequências dessa agressão é a rotura dos
lisossomas, organelas celulares que são verdadeiras fábricas
de enzimas proteolíticas, e que, ao
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se romperem, lançam
essas enzimas nos tecidos e na corrente sanguínea, as quais são
capazes de atuar sobre células, como leucócitos, mastócitos,
granulócitos, fibrócitos, e sobre outros elementos constituintes
dos tecidos, como fibras colágenas ou a própria substância
fundamental da matriz extracelular.
A ativação de células pelas enzimas proteolíticas
produz substâncias como histamina, serotonina, bradicinina,
prostaglandina, que agem sobre os vasos determinando alterações
da motilidade. A ação vasomotora dessas aminas
ditas vasoativas resulta em aumento da permeabilidade capilar,
com exsudação excessiva de líquido para
o interstício, causando edema. Há ainda incremento
da proliferação de fibroblastos, conduzindo
à fibrose, e um estímulo à migração
leuco-citária para os tecidos onde acontece o processo
inflamatório (incluindo aqui também a parede
vascular), com ativação desses elementos, o
que provoca mais aumento da permeabilidade capilar, produção
de radicais livres, maior aderência de leucócitos
ao endotélio, etc.
Um ponto que mostra uma relação de causa e efeito entre
a fisiopatologia e a terapêutica das vasculites é, por exemplo,
o uso de corticosteróides na fase aguda da inflamação
vascular, buscando-se proteger as membranas lisossômicas da rotura
e diminuir a permeabilidade capilar, ações terapêuticas
desenvolvidas por aqueles medicamentos.
TRATAMENTO DA FASE AGUDA
Identificada a vasculite na fase aguda, seja pelas manifestações
clínicas de febre, anorexia, perda de peso, artral-gias,
mialgias, flebite migratória, etc., ou por meio de
resultados de exames laboratoriais, entre os quais anemia,
leucocitose, aceleração da VHS, positividade
da proteína C reativa, aumento da fração
alfa-1 glicoproteína ácida, etc., o tratamento
deve ser instituído com o objetivo de deter o processo
flogístico vascular. Nesta fase, podem ser utilizadas
as seguintes classes de medicamentos: antiinflamatórios
não hormonais, corticosteróides, imunossupressores,
anticoagulantes e fibrinolíticos, drogas hemorreológicas,
antibióticos e analgésicos. É evidente
que, no caso das vasculites secundárias, o tratamento
da afecção desencadeante deve também
começar paralelamente nesta fase.
Antiinflamatórios não-hormonais - possuem ação
inibidora sobre a síntese de prostaglandinas, a formação
de colágeno e a fagocitose leucocitária, eventos comuns
na inflamação; além disso, estabilizam as membranas
lisossômicas, incrementam a fibrinólise e inibem a agregação
plaquetária, estas duas últimas ações realizadas
por drogas como a aspirina (em doses baixas) e a indometacina. |