| CONSIDERAÇÕES
INICIAIS
Ao se preparar para a abordagem terapêutica de
uma vasculite deve o médico, em primeiro lugar, verificar se o
processo está em fase aguda. Para isso, é necessário
ter à sua disposição resultados de exames laboratoriais,
como hemograma, velocidade de hemossedimentação, proteína
C reativa e a fração alfa l glicoproteína ácida.
A seguir, é conveninente avaliar se existe
comprometimento de órgãos nobres consequente à inflamação
vascular, entre os quais o rim e o fígado, pois além de
ser necessário cuidar dos distúrbios funcionals decorrentes
desse comprometimento - e não ficar apenas restrito ao que existe
nas extremidades - durante o tratamento clínico poderão
ser usados drogas e procedimentos analgésicos que, na dependência
do grau de lesão renal ou hepática, terão que ser
prescritos com moderação ou até mesmo ter o seu uso
contra-indicado. Nesse ponto, desde um simples exame de EAS até
a tomografia computadorizada podem ser úteis para a avaliação
do distúrbio funcional causado em um órgão pela vasculite.
Por fim, o diagnóstico etiológico é
mais do que necessário quando se deseja realizar a abordagem terapêutica
da inflamação vascular, pois não é possível
estabelecer uma conduta padronizada para a mesma, considerando que existem
variantes que incluem causa desencadeante (primária ou secundária),
forma de evolução, extensão das manifestações,
etc. Nesta fase diagnostica, a parceria do angiologista com o reumatologista
é muito importante, uma vez que a fronteira da competência
entre os dois especialistas às vezes torna-se imprecisa. Quando
a vasculite é secundária a uma provável doença
do colágeno, a identificação laboratorial de auto-anticorpos
com certo grau de especificidade (anti-Ro, anti-Sm, anti-RA, etc.) permite
um diagnóstico mais próximo da causa da inflamação
vascular (lúpus, esclerodermia, artrite reumatóide, etc.),
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procedimento com o qual
o reumatologista, pela prática rotineira, está mais familiarizado.
No entanto, pode o angiologista ou o cirurgião vascular, numa fase
inicial de pesquisa, até ousar identificar laboratorialmente uma
causa reumatológica da vasculite mediante a determinação
do fator antinuclear (FAN), cuja positividade é encontrada na maioria
das doenças do colágeno, ou do fator reumatóide,
cuja positividade conduz ao diagnóstico da artrite reumatóide.
Daí para a frente, é adequado o concurso do reumatologista,
da mesma forma que o inverso é verdadeiro quando se trata da arterite
de Takayasu ou da tromboangeíte obliterante ou, ainda, da arterite
temporal.
Identificada a fase em que a inflamação vascular se encontra,
a extensão do seu comprometimento e a sua causa, pode-se, então,
esquematizar o seu tratamento clínico.
PONTOS BÁSICOS PARA O TRATAMENTO
Alguns pontos são importantes para se ter na lembrança
quando se aborda o tratamento das vasculites. O primeiro é o de
que vasculite pode ser uma doença isolada (por exemplo, a arterite
de Takayasu) ou, então, uma das manifestações de
uma enfermidade sistêmica (por exemplo, doenças do tecido
conjuntivo, como o lúpus, a artrite reumatóide, a esclerodermia,
as quais ocasionalmente podem cursar com uma vasculite cutânea ou
até mesmo com comprometimento inflamatório de troncos arteriais
importantes).
- Professor convidado do Departamento
de Medicina Interna da Faculdade de Ciências Médicas da
UERJ. Chefe do Departamento de Angiologia do CENTERVASC do Hospital
da Beneficência Portuguesa. Titular da SBCV-RJ. Titular do Colégio
Brasileiro de Cirurgiões.
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