| CORREÇÃO
DOS FATORES DE RISCO
Conforme a resposta às intervenções
terapêuticas, os fatores de risco têm sido classificados,
de uma forma um tanto esquemática, em quatro categorias (American
College of Cardiology):
I - Fatores de risco nos quais as
intervenções correti-vas reduziram a incidência de
coronariopatias: uso do tabaco - o colesterol LDL - dieta rica em gorduras
e colesterol - hipertensão arterial - hipertrofia ventricular esquerda
- fatores trombogênicos.
II - Fatores de risco nos quais as
intervenções parecem (calcadas em interpretações
patofisiológicas e evidências epidemiológicas e clínicas)
reduzir a incidência de coronariopatias: diabetes - sedentarismo
- HDL - Triglicerídeos; LDL denso e pequeno - menopausa.
III - Fatores de risco nitidamente
associados com o maior risco de coronariopatias e que, se modificados,
poderão baixar a sua incidência: fatores psicossociais -
lipoproteí-nas (a) - homocisteína - estresse oxidativo -
ingestão de álcool.
IV - Fatores de risco associados
com o aumento de risco de coronariopatias, mas não podem ser modificados
ou cuja modificação quase certamente não alterará
a incidência de coronariopatias: sexo - idade - estado socioeconômi-co
- história familiar de AE.
Em termos gerais, ainda faltam evidências conclusivas,
em estudos em grandes populações, de que o combate a todos
os fatores de risco acarrete redução na mortalidade total
(Huliey, 1992). Os estudos mais amplos feitos até agora mostram
um certo benefício no combate aos fatores de risco, o que coonesta
e serve de base para o tratamento clínico destes fatores. O benefício
é maior nos pacientes que já apresentam alguma forma de
aterosclerose, especialmente coronariana (Goldman).
Denomina-se "profilaxia (ou prevenção)
primária" o combate aos eventuais fatores de risco em pessoas
ainda
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sem manifestações
ateroscleróticas visando-se impedir ou postergar a instalação
da AE. A "prevenção secundária" é
aquela feita em pacientes com lesões ateroscleróticas já
instaladas visando-se a melhoria da lesão, redução
da sua progressão e redução das complicações.
Embora muitos fatores de risco tenham atividade ate-rogênica autónoma,
a associação de um ou mais fatores aumente enormemente o
efeito nefasto sobre o aparelho cardiovascular. No Pooling Project, por
exemplo, vemos que numa população de 30 a 59 anos de idade,
acompanhada por dez anos, o primeiro evento coronariano surgiu em 2,3%
dos indivíduos sem fatores de risco, 5,4% dos só fumantes,
em 5,4% dos só hipertensos e em 5,4% dos dislipídicos. Mas,
nos indivíduos fumantes, um outro fator de risco aumentou a incidência
de cardiopatia para 10,3% e, nas pessoas com três fatores de risco,
a incidência foi de 18,9%. O risco real em cada caso é maior
que a soma dos riscos medidos isoladamente. O que sugere que eles se potencializam
criando mais aterosclerose ou aumentando a gravidade das lesões.
Em trabalhos experimentais há claras evidências do desaparecimento
de estrias gordurosas da íntima de animais hipercolesterolêmicos
colocados sob regime normocoleste-rolêmico por certo período.
Há fortes sugestões de que, no homem, estas lesões,
e mesmo parte das placas fibrosas, regridem com dieta hipolipídica.
Estes conhecimentos abrem um amplo horizonte na terapêutica profilática
da aterosclerose, o que é ainda mais auspicioso pelo fato de o
tratamento curativo das oclusões aterotrombóticas ser trabalhoso,
dispendioso e geralmente insuficiente.
Embora inúmeros aspectos da aterogênese e da evolução
da aterosclerose ainda estejam envoltos em mistério, o reconhecimento
e correção dos fatores de risco das doenças cardiovasculares
já começaram a dar frutos, que, certamente, se multiplicarão
em futuro próximo.
- Professor de Angiologia da Faculdade
de Medicina da FTESM e PUC (RJ).
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