Um assunto importante é quando foi necessária a colocação do shunt, por perda da consciência após o clampeamento e foi medida a pressão retrógrada. Qual a sua impressão sobre o seu valor preditivo para, per si, indicar a necessidade do shunt?

Observamos que uma posição confortável da cabeça do paciente, que está acordado e atento ao que se passa ao seu redor, é importante para a boa tolerância do procedimento. Por isto usamos uma máscara de oxigênio, analgésicos, antiinflamatórios e outras medidas para o conforto do paciente. Qual a sua rotina neste aspecto?

Dr. José Rogério Caetano
(Hospital Aliança - Salvador, BA)
Com relação às complicações anestésicas antes da cirurgia, 4% dos pacientes (8/200) foram convertidos para anestesia geral por razões não-isquêmicas, sendo que um paciente recebeu um bloqueio cervical alto (conhecido como raque total) e a cirurgia foi transferida para a manhã seguinte, sem ter este paciente apresentado nenhuma sequela ou complicação decorrente deste tipo de anestesia não desejada. Outras causas não-isquêmicas com indicação de conversão para geral foram a tosse paroxística em dois pacientes, ansiedade em dois e agitação psicomotora em três.

Quanto à medida da pressão retrógrada em pacientes com necessidade do shunt, isto é, se os que necessitam shunt porque perdem a consciência no momento do clampeamento têm pressão retrógrada alta, acima de 50mmHg como você e o Dr. Ivanésio Merlo observaram em alguns casos, achamos esta colocação muito interessante, mas não fizemos a medida da pressão retrógrada naqueles pacientes com indicação de shunt.

Conforme mencionado anteriormente, Hafner mostrou, em sua série de 1.200 pacientes submetidos a EC sob anestesia loco-regional, que em 125 pacientes com pressão retrógrada entre O e 25mmHg, somente 45% requereram shunt. Não há dúvida que quanto menor a pressão retrógrada na carótida interna maior a necessidade de proteção cerebral. Não podemos garantir, entretanto, que pacientes com pressão retrógada elevada não irão requerer shunt.

Com relação ao conforto do paciente, agimos de maneira semelhante à que você descreveu, apenas acrescentando um sistema de aquecimento da face e do tórax do paciente, denominado "bear hug", que, traduzindo literalmente, significaria " abraço do urso", no sentido de que o urso tem uma pele grossa e aquece você. Estas medidas, descritas em seu trabalho, e mais o aquecimento externo, parecem ajudar os nossos pacientes a enfrentar o ambiente frio do centro cirúrgico.

Gostaria de agradecer à Regional do Rio de Janeiro por mais esta oportunidade. Sem dúvida, os autores nacionals podem e devem publicar seus trabalhos no exterior, mas ter o reconhecimento de seus pares é uma oportunidade única e que devo aos membros da nossa sociedade.

Finalizando, quero agradecer ao Alberto Duque pelo gentil convite para que fizéssemos a tradução desse nosso trabalho realizado na Divisão de Cirurgia Vascular da Universidade de Utah, USA, e aos colegas que enviaram seus comentários e questões de maneira tão brilhante.



Endereço para correspondência

Dr. Alberto Coimbra Duque
Avenida Venezuela, 131/501 e 510
20081-310 - Centro - Rio de Janeiro (RJ)

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