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Deste modo, utilizo-o
de rotina em pacientes portadores de obstrução total contralateral,
o que é quase um consenso. No presente trabalho, 26 pacientes apresentavam
obstrução total da carótida contralateral e apenas
se utilizou shunt em cinco pacientes nos quais se desenvolveu isquemia
cerebral. Sendo assim, gostaria de saber se os critérios de uso
de shunt em pacientes com obstrução contralateral são
os mesmos adotados aos pacientes sem oclusão completa e se esta
conduta é tomada porque considera suficientemente seguro o método
de avaliação empregado que, como foi exposto, só
pode ser utilizado em pacientes sob anestesia regional.
Finalmente, uma última observação deve ser feita
em relação ao controle da pressão arterial sistêmica
durante o ato cirúrgico. Em cirurgias de carótida costumo
empregar sistematicamente a anestesia geral e a infiltração
anestésica do seio carotídeo. Raramente temos tido problemas
de hipotensão arterial durante o procedimento. No presente trabalho,
em 5/192 endarterectomias houve desenvolvimento de hipotensão arterial
que determinou sintomas de isquemia cerebral. Na avaliação
dos autores, qual seria a causa desta hipotensão: a falta de infiltração
anestésica do seio carotídeo ou o uso de drogas sedativas
necessárias ao controle de eventual agitação provocada
pelo fato do paciente estar acordado?
Concluindo, gostaria de cumprimentar os autores do artigo e agradecer
a oportunidade que me foi concedida de analisá-lo, em especial
à Regional do Rio de Janeiro (RJ).
Dr. José Rogério Caetano
(Hospital Aliança - Salvador, BA)
Com relação ao uso do EEG para avaliação da
perfusão cerebral durante EC, este método não tem
sido utilizado na Universidade de Utah (Divisão de Cirurgia Vascular)
por apresentar algumas desvantagens que consideramos relevantes, como
a complexidade do método, a necessidade de um profissional com
muita experiência acompanhando toda a sequência do procedimento
cirúrgico e variações de interpretação
de acordo com o tipo de anestésico utilizado.
Concordamos que a utilização sistemática, seletiva,
ou a não utilização do shunt continua sendo um assunto
muito controvertido, e nenhum trabalho até o momento mostrou que
o uso sistemático do shunt resulte em menores índices de
complicações quando comparados às outras alternativas.
Respondendo ao seu segundo comentário, pacientes com oclusão
ou estenose severa da carótida contralateral mostram-se mais propensos
ao shunt do que pacientes com lesão unilateral. Nosso estudo evidenciou
um dado que considero muito importante, ou seja, somente 19% dos pacientes
com oclusão contralateral necessitaram a colocação
do shunt, resultado semelhante ao apresentado por Hafner numa série
de 1.200 EC (30%). Considerando que sob anestesia geral, em todos ou na
grande maioria desses pacientes teria sido utilizado shunt, podemos concluir
que, realizando EC com o paciente acordado, podemos reduzir o índice
de complicações ocasionadas pela inserção
do shunt, |
principalmente o risco
de embolização proximal durante a introdução
do mesmo e o trauma ao endotélio na porção proximal
da carótida interna. Completando minha resposta, os critérios
de utilização do shunt em pacientes com oclusão da
carótida contralateral ou estenose severa são os mesmos,
com exceção dos pacientes nessa mesma situação
e AVC prévio, quando utilizamos anestesia geral e shunt.
Finalizando as respostas aos excelentes comentários do Frankini,
os mecanismos que levam os pacientes submetidos a EC a desenvolverem hipotensão
ou hipertensão no per ou pós-operatório imediato
são bastante complexos. Rotineiramente não infiltramos o
seio carotídeo e somente o fazemos quando o paciente desenvolve
bradicardia vasovagal. Nos cinco pacientes que desenvolveram hipotensão,
não houve nível de bradicardia que nos levasse a concluir
que a hipotensão fosse devida a não infiltração
do seio carotídeo; um outro dado que gostaria de mencionar é
o fato de em alguns pacientes com doença cardíaca prévia,
o uso, às vezes necessário, de bloqueadores do cálcio,
pode induzir hipotensão.
Conforme comentado anteriormente, algumas vezes observamos que, com o
decorrer do procedimento cirúrgico, os anestesiologistas diminuem
a intensidade da vigilância sobre os níveis pressóricos,
nível de hidratação, etc., e acredito que este fato
possa também contribuir para uma queda relativa da pressão
arterial.
Normalmente efetuamos o mínimo possível de sedação
para que possamos avaliar a qualquer momento a função neurológica
do paciente.
Finalizando, para ressaltar como essa questão ainda não
está bem definida, um trabalho realizado na Cleveland Clinic em
1997 concluiu que a infiltração do seio carotídeo
pós EC não reduziu a incidência de hipotensão
e aumentou a incidência de hipertensão no pós-operatório
imediato.
Dr. Alberto C. Duque
(Clínica Sorocaba/Hospital 4° Centenário/lEDE - RJ)
Gostaríamos de registrar nossa satisfação em observar
que, nos Estados Unidos, como aqui, existem grupos cirúrgicos que
verificaram que a técnica anestésica loco-regio-nal é
mais segura e permite ampliar as indicações desta cirurgia,
com menos complicações, como ficou amplamente demonstrado
neste trabalho. Usando esta mesma técnica temos tido bons resultados,
apesar da gravidade da doença aterosclerótica destes pacientes.
Com relação ao procedimento anestésico, gostaríamos
de saber se foram observadas complicações anestésicas
antes da cirurgia, complicações estas que levassem à
suspensão da cirurgia. Quais foram suas consequências?
A conversão para anestesia geral por agitação importante
antes do clampeamento ou por decisão do paciente, preocupado com
a técnica do bloqueio é rara e ocorreu em menos de 5% de
nossos pacientes.
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