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maneira muito segura de
se identificarem os eventos neurológicos intra-operatórios,
e de decidir pela utilização do shunt, observando objetivamente
os efeitos sobre a função cerebral. Nós também
a utilizamos em pouco mais de 50% de nossos pacientes, mas existem algumas
contra-indicações que temos observado em nosso meio e gostaria
de perguntar quais são as suas indicações para uma
anestesia geral de saída, sem contar os casos de conversão
por ansiedade ou outro problema qualquer.
Gostaria de tecer algumas considerações sobre um dado importante
que anotei: "o tempo médio de clampeamento carotfdeo foi de
27 minutos". Isto, a meu ver, mostra que os autores devem realizar
uma endarterectomia bem despreocupados com o tempo e sem correria, dando
mais importância à qualidade da endarterectomia do que com
a rapidez com que é realizada. Pergunto: houve ou há alguma
preocupação desta ordem? Pois penso que somente com um bloqueio
loco-regional e com as funções cerebrais sob controle é
que o cirurgião pode realizar a EAC com tranquilidade. Nós
achamos que uma EAC bem feita é melhor do que uma EAC rápida,
e, evidentemente, gasta-se mais tempo com detalhes importantes, como o
fim da placa, fixação ou não, patch ou não.
Por fim, uma curiosidade importante relatada pelo Dr. Lawrence nos comentários
do artigo original no JVS, é que o "anestesiologista é
extremamente cuidadoso com todos os aspectos do estado neurológico
do paciente e a pressão sanguínea nos primeiros dez minutos
da EAC. Nós o encorajamos a estar também vigilante no período
mais tardio..." Embora esta não seja a regra, é claro,
nós conseguimos um "tento" muito importante com os anestesiologistas,
não só treinados na técnica da anestesia loco-regional,
mas pensando com respeito sobre a importância e a sua responsabilidade
na endarterectomia carotídea. Isto tem sido muito importante para
os nossos resultados.
Este trabalho encerra uma importante análise de dados e traz uma
grande contribuição para quem se esmera em fazer uma EC,
com baixa morbidade, quer sob anestesia loco-regional ou geral.
Dr. José Rogério Caetano
(Hospital Aliança - Salvador, BA)
Respondendo ao Dr. Sandri, as indicações primárias
de anestesia geral para EC na Divisão de Cirurgia Vascular
da Universidade de Utah, USA são: pacientes pouco cooperativos,
reoperação, bifurcação carotídea
alta, possibilidade de cirurgia na carótida comum ou
by-pass carotídeo-subclávia, oclusão
contralateral e prévio AVC evidenciado por TC.
Com relação ao tempo de clampeamento da carótida,
concordamos plenamente com a sua filosofia de realizar a EC com tranquilidade
e dando ênfase a detalhes importantes como limite proximal da endarterectomia,
fixação de placas, etc.
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Outro fator que certamente
contribuiu para o tempo médio de clampeamento da carótida
ter sido de 27 minutos é que operamos com residentes e, com muita
frequência, auxiliamos o residente chefe ou o fellow.
Finalmente, também ressalto a grande importância do anestesiologista
que atua no caso em participar de maneira ativa e consciente no cuidado
de pacientes submetidos a EC sob anestesia loco-regional.
Dr. Airton Delduque Frankini
(Porto Alegre - RS)
O objetivo do trabalho é avaliar a isquemia cerebral
durante o ato cirúrgico de endarterectomia carotídea
stan-dard sob anestesia regional. Para tanto, foram revisados
os prontuários de 192 pacientes que atenderam às
condições necessárias ao estudo em questão.
Apesar de se tratar de um estudo retrospectivo, o correto
preenchimento dos prontuários, especialmente dos relatórios
cirúrgicos, demonstrou ter sido eficiente na pesquisa
das informações necessárias. As indicações
cirúrgicas respeitaram critérios propostos nos
triais internacionals sobre o assunto e o estudo angiográfíco
pré-operatório foi realizado em todos os casos.
A técnica cirúrgica empregada seguiu rotina
estabelecida na literatura, bem como a técnica do bloqueio
anestésico. Os resultados avaliados em pacientes operados
sob anestesia regional permitiram algumas observações.
Conforme salientado pêlos próprios autores, existem
várias causas para isquemia cerebral no intra-operatório,
embora no presente estudo os nove casos tenham ocorrido devido
à redução de fluxo: em quatro pacientes
imediatamente após o pinçamento carotídeo,
e em cinco pacientes entre vinte e trinta minutos após
o início do procedimento, tendo se atribuído
à hipotensão arterial sistêmica. Em todos
estes pacientes, imediatamente se utilizou shunt e não
houve sequela em nenhum dos casos. Além disso, em cinco
destes nove pacientes havia obstrução total
da artéria carótida contralateral. Em relação
a estas observações gostaria de fazer algumas
considerações e perguntas.
Os métodos de avaliação de isquemia
cerebral basearam-se em manifestações clínicas
e daí a importância de terem sido os pacientes
submetidos ao procedimento sob anestesia regional. Contudo,
gostaria de saber se em algum outro trabalho desenvolvido
na instituição foi empregada a eletroencefalografia
como método de avaliação de eventual
isquemia cerebral intraoperatória e, em caso afirmativo,
que resultados foram obtidos?
Uma das grandes discussões quando se fala sobre cirurgia de artéria
carótida se refere ao emprego do shunt. Particularmente uso shunts
em casos selecionados, como observei ser também a conduta da instituição
onde o trabalho foi realizado. No entanto, tenho uma visão um pouco
diferente daquela apresentada neste estudo. Penso que a utilização
de um shunt de calibre adequado permite ao cirurgião realizar o
procedimento com mais segurança e tranquilidade, com um risco mínimo.
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