Movia-nos o desejo de documentar uma situação até hoje inédita, qual seja, a publicação de artigo nesta revista por membro de nossa regional, bem como permitir que o excelente trabalho fosse divulgado em nosso idioma. A diretoria da SBACV/RJ agradece a todos que contribuíram para esta iniciativa inédita e parabeniza o Dr. José Rogério Caetano Alves por mais este pioneirismo.

DISCUSSÃO E COMENTÁRIOS

Prof. Carlos José de Brito
(Hospital da Lagoa - Rio de Janeiro)
Temos a mesma opinião dos autores com relação à pressão retrógrada da carótida interna, que representa um teste válido apenas para as condições do momento em que as carótidas vão ser clampeadas, sendo inútil para alertar sobre as alterações da circulação cerebral que ocorrerem durante o clampeamento. O próprio clampeamento de teste feito antes da interrupção do fluxo carotídeo com o paciente acordado também só é válido para as condições do momento, mas, nesse caso, como o paciente está desperto, qualquer alteração no fluxo durante o ato cirúrgico será detectado pelo aparecimento de sinais e sintomas neurológicos. O teste inicial para o paciente acordado serve apenas para a decisão de colocar o shunt de imediato, mas de forma alguma garante que a sua colocação não se imponha durante a cirurgia. Na própria experiência dos autores, mais da metade dos problemas de fluxo ocorreu após vinte a trinta minutos de clampeamento.

São duas as perguntas que gostaríamos de formular:
Em primeiro lugar, pudemos observar que em todos os pacientes que foram convertidos para a anestesia geral, quer por problemas de fluxo ou não, um shunt foi colocado. Devemos depreender que a orientação dos autores é colocar o shunt de rotina quando o paciente é operado sob anestesia geral?

Em segundo lugar, diante do fato de que a necessidade do shunt com o paciente acordado pode ocorrer em qualquer momento do ato cirúrgico, sendo na experiência dos autores, mais frequentes entre os vinte a trinta minutos de clampeamento, e portanto já em fase adiantada da cirurgia, gostaríamos de saber qual o procedimento a ser adotado, quando a sutura, principalmente com uso de patch, já está em fase de acabamento, ocasião em que a colocação do shunt é bem mais difícil tecnicamente e, portanto, mais arriscada, diante do aparecimento de problemas neurológicos?

Dr. José Rogério Caetano
(Hospital Aliança - Salvador, BA)
Com relação à pergunta inicial do Dr. Carlos José, usamos de rotina o shunt em pacientes sob anestesia geral, ressaltando que existe controvérsia na literatura quanto aos métodos de avaliação da perfusão cerebral para uso seletivo do shunt em pacientes sob anestesia geral; a medida da pressão retrógrada da carótida interna é bastante utilizada e o valor abaixo de 50mmHg é aceito pela maioria dos serviços como indicação seletiva de shunt, apesar do grupo da UCLA (Prof. Moore) ter estabelecido 25mmHg como nível crítico mínimo para utilização do shunt. É importante mencionar a experiência de Hafner, que mostrou na sua série de l .200 pacientes submetidos a EC sob anestesia loco-regional, que, em 125 pacientes com pressão retrógrada entre O e 25mmHg, somente 45% requereram shunt. Da mesma forma, Baker demonstrou que cerca de 7% de todos os seus pacientes submetidos a EC e 20% dos pacientes com sintomas coexistentes de insuficiência vértebro-basilar ou história prévia de AVC, ocorreram alterações no EEG apesar de pressão retrógrada > 50 mmHg. Portanto, entendemos que usando-se a medida da pressão retrógrada da carótida interna ou avaliação pelo EEG sob anestesia geral, o percentual de pacientes submetidos a colocação de shunt será maior do que no grupo de pacientes submetidos a EC sob anestesia loco-regional.

Respondendo à sua segunda pergunta, os cinco pacientes que apresentaram tardiamente alterações da função neurológica encontravam-se hipotensos (redução média de 35mmHg da pressão sistólica), sendo que essas alterações manifestaram-se de forma mais branda do que nos quatro pacientes que apresentaram deterioração rápida da função neurológica nos primeiros minutos pós-clampeamento da carótida. Paralelo ao controle farmacológico imediato da hipotensão, procedemos à colocação do shunt. Em nenhum desses cinco pacientes houve colocação de patch, mas, considerando essa hipótese e caso a sutura estivesse em fase final, procederíamos apenas com a correção farmacológica da hipotensão. Recentemente, uma publicação da Universidade de New York, USA, mostrou, através da oximetria cerebral durante o clampeamento da carótida, que a correção imediata da hipotensão é, na maioria dos casos, suficiente para evitar alteração da função neurológica.

Dr. João Luiz Sandri
(Vitória, ES)
O trabalho do Dr. Peter Lawrence e do Dr. José Rogério Caetano Al vês analisa muito bem a incidência e o tempo de aparecimento e as causas da isquemia cerebral na EAC sob anestesia loco-regional, técnica que realmente permite a correia identificação destes eventos no decorrer da cirurgia, por ser a meu ver, a única maneira segura de se ter o controle eficaz das funções cerebrais. Esta, realmente, é uma

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