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Trombose carotídea com deterioração
neurológica aguda no período pós-operatório
é técnica e está relacionada a lesão distal
da íntima ou uma artéria carótida interna fina que
não recebeu remendo.'"Quando usamos anestesia regional, uma
proporção pequena de pacientes recebe o shunt. Dessa forma,
a parte distal da artéria e as placas distais são fáceis
de visualizar. Se decidirmos estender distalmente a arteriotomia na artéria
carótida interna para completa visualização, devemos
evitar lesões da íntima, suturando todas as bordas protusas,
e colocando remendos em artérias finas (particularmente em mulheres).
Desta forma, a incidência de trombose carotídea pode ser
reduzida a menos de 1%.
De significativo em nossas séries é
a ausência de outras causas de isquemia cerebral que têm sido
relatadas por outros autores."'12 Nenhum paciente teve embolia durante
a dissecção da artéria carótida antes do clampeamento
da mesma. Nós não "pré-clampeamos" a artéria
carótida antes da mobilização, mas tomamos cuidado
em "dissecar o paciente da artéria". Com técnica
meticulosa, a probabilidade de embolização é extremamente
baixa.
Também não houve incidência de
embolização com o desclampeamento da carótida e reperfusão.
Nossa técnica, assim como a da maioria dos cirurgiões vasculares,
é remover todos os debris e trombes da superfície medial
através de remoção mecânica e irrigação
de soro. Além disso, o san-gramento retrógrado pela artéria
carótida interna remove debris e ar. A reperfusão anterógrada
inicialmente na artéria carótida externa pode reduzir o
risco de embolização ao desclampeamento. Séries extensas
de pacientes têm demonstrado outras causas de isquemia cerebral,
as quais são provavelmente acidentais ou não relacionadas
à técnica de realização da EC.^^Estas incluem
AVC pós-operatório ou AIT em distribuição
carotídea não operada. Contudo, a monitorização
atenta e o controle da hipertensão e da taquicardia são
mais fáceis em pacientes que se submetem a EC sob anestesia regional
ao invés da geral. O controle da pressão sanguínea,
que nós enfatizamos no período pós-operatório,
pode reduzir a incidência dessas causas aparentemente não
relacionadas de isquemia cerebral pós-operatória, que ocorrem
na mesma frequência no lado contralateral como no mesmo lado.
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NOTA DOS EDITORES
O artigo acima foi publicado em janeiro de 1998 na
Revista J. Vasc. Surg. pelo grupo do Prof. Peter Lawrence, de Sait Lake
City (Utah), tendo sido escrito pelo nosso colega Dr. José Rogério
Caetano Alves, que na ocasião estava estagiando nos Estados Unidos.
Por iniciativa do Dr. Alberto Coimbra Duque, diretor desta Regional, o
trabalho foi traduzido para o português e distribuído aos
cirurgiões que se dispussem a debatê-lo, com críticas,
comentários e perguntas. |