Tabela 3
Condição da artéria carótida contralateral em pacientes com isquemia intra-operatória

  Total Isquemia %
Oclusão contralateral 26 5 19,0
Estenose contralateral > 50% 46 2 4 ,3
Estenose contralateral < 50% 128 2 1 ,6

P < 0.01

Tabela 4
Indicações para anestesia e colocação de shunt

  # %
Bloqueio regional inicial 200 100
Regional; convertido para geral + shunt 8 4
Regional, sem shunt 183 de 192 95,3
Regional, isquemia, mudança para shunt 9 4,7

Desde que os pacientes não foram selecionados baseados na indicação clínica ou anatomia, as conclusões deste estudo podem provavelmente ser aplicadas a pacientes que se submetam a EC sob anestesia geral. A única área em que nossos dados não deveriam ser generalizados referem-se à colocação de shunt. Devido à pequena proporção de nossos pacientes que requereram shunt, complicações relacionadas à colocação de shunt podem ter sido minimizadas. Cirurgiões que realizam EC com o paciente sob anestesia geral e colocação rotineira de shunt devem esperar ter mais complicações relacionadas ao shunt. Além disso, técnicas que reduzem o metabolismo cerebral, tais como anestesia geral com supressão eletroencefalográfica podem também reduzir isquemia fluxo-relacionada.7 Dessa forma, esta técnica pode ser considerada em situações nas quais o shunt não é viável, como numa artéria carótida distal muito fina. Além dessas duas específicas circunstâncias, nós acreditamos que estes pacientes são representativos da população usual de pacientes que se submetem a EC sob todos os tipos de anestesia. Fluxo reduzido correspondeu à maioria dos incidentes de isquemia cerebral em nossos pacientes e tiveram uma distribuição bimodal do momento. Em cerca de metade dos pacientes, a isquemia desenvolveu imediatamente (até um minuto após o clam-peamento da carótida); com frequência foi severa e requereu correção imediata com desclampeamento ou colocação de shunt. A isquemia pode manifestar-se de diversas formas, incluindo agitação, confusão, diminuição da força muscular na perna ou braço contralateral, ou alterações da fala. Con-seqüentemente, todos esses parâmetros deveriam ser monitorizados se a EC é realizada com o paciente sob anestesia e acordado. O restabelecimento do fluxo carotídeo imediatamente reverteu esse sintomas. Em nosso estudo, a ocorrência desses sintomas não aumentou o risco de AVC peropera-tório. Vários dos nossos pacientes foram convertidos para anestesia geral assim como receberam colocação de shunt quando ocorreu isquemia relacionada ao fluxo sanguíneo, apesar da colocação do shunt ser uma manobra crítica.

Nós convertemos para anestesia geral quando tivemos preocupação sobre a habilidade do paciente em permanecer imóvel durante a colocação do shunt. Nós também acreditamos que o uso de anestesia geral com thiopental pode promover melhor proteção cerebral em alguns desses pacientes com isquemia importante.

O segundo pico de isquemia cerebral ocorreu vinte a trinta minutos após clampeamento da carótida. Esta isquemia tardia foi causada provavelmente por relativa hipotensão, que reduziu o fluxo sanguíneo colateral através da carótida contralateral e das artérias vertebrais. Apesar da importância da estabilidade da pressão sanguínea ser um princípio geral com qualquer técnica anestésica, a importância da manutenção da pressão normal-aumentada durante EC foi discutida somente em poucos estudos.8 Qualquer técnica de monitorização, usando-se avaliação neurológica com o paciente acordado, eletroencefa-lografia, ou pressões retrógradas precisam ser mantidas através de toda a duração do clampeamento carotídeo. Sedação pesada de um paciente acordado após um período inicial de observação limita a detecção de isquemia cerebral no estágio tardio da EC. Além disso, o uso de pressões do coto distal, que comu-mente são obtidas somente no início da cirurgia, deixa o paciente vulnerável durante o procedimento à ocorrência tardia, não detectada, de hipotensão. Vulnerabilidade tardia à isquemia durante o procedimento é dependente da pressão sanguínea; conseqüentemente, nós tentamos manter a pressão sanguínea sistólica pelo menos 20 a 30 mmHg acima da pressão pré-operatória, mesmo que seja necessário manipulação farmacológica. Petrozza et al9 mostraram um percentual baixo de AVC com esquema similar.

Pacientes que desenvolvem isquemia cerebral tardia irão frequentemente resolver seus sintomas com elevação farmacológica da pressão sanguínea. Se os sintomas não forem totalmente resolvidos, então o shunt deve ser colocado. O paciente não deve ser deixado com qualquer sequela residual, mesmo que seja pequena.

Um grupo de pacientes é particularmente vulnerável à isquemia fluxo-relacionada - aqueles com oclusão ou es-tenose da carótida contralateral. Apesar de 80% dos pacientes que têm oclusão da carótida contralateral suportarem o clampeamento da carótida, 20% não o conseguem. Conseqüentemente, o cirurgião deveria rotineiramente colocar shunt nesses pacientes ou estar preparado para colocar o shunt em um de cada cinco que desenvolva isquemia. Nossa estratégia tem sido realizar EC nesses pacientes sob anestesia regional se antes da operação eles estão calmos, têm a bifurcação carotídea baixa, e não tiveram um AVC recente. Nós clampeamos a artéria carótida por dois a três minutos sob atenta observação. Se o paciente permanece intacto neuro-logicamente, prosseguimos com o procedimento, mantendo a pressão sanguínea numa faixa normal-aumentada.

Se eliminamos a isquemia cerebral por causas relacionadas ao fluxo, então outras causas de isquemia cerebral são incomuns.

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