Houve uma distribuição bimodal no momento do aparecimento da isquemia; ocorreu muito cedo ou muito tarde durante o clampeamento da carótida. O tempo médio de clampeamento da carótida foi de 27 minutos. A isquemia cerebral desenvolveu em quatro dos nove pacientes no primeiro minuto de clampeamento, enquanto desenvolveu em cinco pacientes vinte a trinta minutos após clampeamento da carótida e antes do desclampeamento. Nesses cinco pacientes, a isquemia cerebral estava relacionada à hipotensão sistêmica, com uma redução média da pressão sistólica de 35 mmHg. Todos os pacientes acordados que desenvolveram isquemia cerebral tiveram resolução completa dos sintomas com a colocação do shunt; todos os pacientes que foram convertidos para anestesia geral acordaram sem sequela neurológica. O momento do aparecimento da isquemia cerebral, independente da origem, é mostrado na figura l.

Isquemia pós-operatória
Complicações pós-operatórias incluíram um AVC discreto (0,5%) no hemisfério homolateral cinco dias após a cirurgia, um AIT (0,5%) no período pós-operatório imediato no hemisfério homolateral, e piora em um prévio AVC estável (0,5%). Severa cefaléia pós-operatória desenvolveu em um paciente (0,5%). Houve um infarto do miocárdio documentado e nenhum óbito. Todas as quatro complicações ocorreram em pacientes que não apresentaram evidências de isquemia intra-operatória ou uso de shunt. Nenhum dos nove pacientes que tiveram isquemia intra-operatória apresentou sequela neurológica no pós-operatório.

A causa das alterações neurológicas no período intra-operatório parece ser por redução do fluxo sanguíneo colateral porque responderam à colocação do shunt. Isquemia pós-operatória foi o resultado de êmbolo em um paciente e trombose em outro e foi determinada por duplex scan e tomografia computadorizada. O paciente com cefaléia pós-operatória apresentou duplex scan e tomografia computadorizada com aparência normal e, portanto, foi considerado ter hiperperfusão. Não houve correlação entre estenose ou oclusão no lado contralateral e ocorrência de AVC.

DISCUSSÃO

A incidência de AVC após EC tem sido progressivamente reduzida num período de trinta anos pela melhor sele-ção de pacientes, modificações e avanços na técnica cirúrgica, melhora da anestesia, e melhor controle pós-operatório.6 O benefício da EC para pacientes assintomáticos e sintomáticos é dependente de um baixo percentual perope-ratório de AVC;4 até maiores vantagens com a cirurgia poderiam ser demonstradas se o percentual de AVC peroperatório fosse menor. Uma maneira para reduzir o percentual de AVC durante a cirurgia é observar um paciente acordado durante todo o período em que a cirurgia é realizada, ao invés de termos o paciente dormindo, anestesiado (anestesia geral) para determinar a causa precisa e o momento do evento adverso que possa levar ou causar um AVC. Este estudo é uma avaliação de uma série inteira de pacientes que se submeteram a EC acordados e sob anestesia regional.

Fig. 1-0 gráfico demonstra o tempo da ocorrência e causas de todos os eventos isquêmicos em 200 pacientes que se submeteram à EC

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