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A monitorização
deve ser mantida durante todo o clampeamento para identificar isquemia
cerebral tardia. A isquemia cerebral pós-operatória não
é associada com a isquemia intra-operatória, se for corrigida.
(J Vasc. Surg 27: 329-37, 1988.)
Estudos recentes prospectivos e randomizados demonstraram que a EC está
indicada em pacientes assintoináticos e sintomáticos com
estenose severa da artéria carótida, mas o benefício
deste procedimento é dependente de baixo percentual de AVC peroperatório.1-2
Redução do risco de AVC peroperatório é obtido
pela seleção de ótimos candidatos cirúrgicos,
realizando o procedimento com técnica precisa, e controlando os
fatores de risco após a operação da melhor maneira.
Investigadores que têm avaliado risco de AVC no período peroperatório
concluíram que erros técnicos e fluxo sanguíneo cerebral
reduzido durante o procedimento são com maior frequência
responsáveis por isquemia cerebral e AVC peroperatório.3
Ainda existe controvérsia na literatura com relação
ao mais apropriado tipo de anestesia para manter fluxo sanguíneo
cerebral durante clampeamento da artéria carótida. A maioria
dos trabalhos que reportam aspectos relacionados à isquemia cerebral
têm pequeno número de pacientes4 ou combinam pacientes submetidos
a EC sob anestesia geral e regional.''Isto faz o momento e o mecanismo
etiológico da isquemia cerebral difíceis de determinar porque
o início do evento neurológico somente pode ser avaliado
no paciente acordado. Este trabalho pretende determinar a incidência,
o momento e causas de isquemia cerebral no paciente acordado durante EC
realizada com o paciente sob anestesia cervical regional.
MÉTODOS
Seleção dos pacientes
Este trabalho mostra dados de 192 pacientes que se submeteram
a EC sob anestesia regional no período de 68 meses.
O estudo incluiu (l) pacientes assintomáticos com >
60% de estenose carotídea; (2) pacientes sintomáticos
com sintomas focais (ataque isquêmico transitório
[AIT], amaurose fugaz) e estenose > 50%; (3) pacientes
com alguma função neurológica residual
após um AVC e com estenose > 50%; e (4) pacientes
com sintomas não-lateralizantes (vér-tebro-basilar)
e estenose > 50%. A oclusão contralateral influenciou
a indicação cirúrgica em pacientes assintomáticos
que se submeteram a EC com >50% ao invés de >60%
de estenose carotídea. O acidente vascular cerebral
em evolução nunca foi indicação
para EC. A estenose carotídea recorrente pós-cirurgia,
EC comum e EC combinada com roubo de subclávia foram
excluídas de análise, e todas as EC realizadas
desde a publicação dos estudos clínicos
NASCET e AÇAS aderiram às respectivas recomendações,
embora os pacientes submetidos à cirurgia antes dessas
publicações preenchessem outros critérios. |
Avaliação
pré-operatória
Baseados nos critérios de seleção clínica
apresentados acima, todos os pacientes foram submetidos a exame an-giográfico
do arco e de quatro vasos cerebrais. A maioria dos pacientes também
submeteu-se ao duplex scan das carótidas antes da angiografia;
entretanto, o percentual de estenose neste estudo foi determinado exclusivamente
pelo angiogra-ma. A avaliação cardíaca foi realizada
a critério do cirurgião, baseado na avaliação
clínica.
Escolha da anestesia
Pacientes capazes de se comunicarem e moverem qualquer membro contralateral
tiveram anestesia regional recomendada para suas EC. Os pacientes que
recusaram anestesia regional foram submetidos a EC sob anestesia geral
e foram excluídos dessa análise. Pacientes nos quais desenvolveram-se
ansiedade, dificuldade de respiração, ou agitação
após realização do bloqueio anestético regional
foram convertidos para anestesia geral. Nenhum desses pacientes teve um
evento cérebro-vascular.
Técnica anestésica regional
Os pacientes foram submetidos a bloqueio do plexo cervical
superficial e profundo usando-se bupivacaína, xilocaína,
ou ambos. Para completo controle da dor, foi frequentemente
necessário injetar 5a 10 ml de xilocaína a 1%
na bainha carotídea. A injeção no bulbo
carotídeo com xilocaína a l % foi realizada
para bradicardia vasovagal. A sedação endovenosa
foi usada para ansiedade. A pressão sanguínea
foi mantida em 20 mmHg acima dos níveis pressóricos
básicos do pré-operatório. O nitroprussiato
de sódio foi usado para controle de hipertensão
sistêmica, e dopamina, fenilefrina, ou ambas foram
usadas para hipotensão.
Técnica cirúrgica
Após administração do bloqueio anestésico
regional, a exposição das artérias carótidas
foi realizada usando-se técnicas padronizadas. Todos
os pacientes foram heparinizados com 5.000 a 7.500 unidades,
e a heparina não era revertida a menos que excessivo
sangramento não pudesse ser controlado. Sucinta avaliação
neurológica foi realizada após clampeamento
da artéria carótida. Os pacientes que desenvolveram
deterioração neurológica, manifestada
por agitação severa ou convulsão que
pudesse dificultar a colocação segura do shunt,
foram imediatamente convertidos para anestesia geral, colocação
de shunt e realizada a EC. Pacientes que não desenvolveram
sintomas neurológicos foram submetidos a EC de modo
rotineiro sob anestesia regional com sedação
mínima ou sem sedação para permitir avaliação
neurológica repetidamente durante todo o procedimento.
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