ARTIGO ORIGINAL

INCIDÊNCIA, MOMENTO, E CAUSAS DE ISQUEMIA CEREBRAL DURANTE
ENDARTERECTOMIA DE CARÓTIDA COM ANESTESIA REGIONAL
INCIDENCE, MOMENT AND CAUSES OF CEREBRAL ISCHEMIA DURING CAROTID
ENDARTERECTOMY WITH REGIONAL LOCK ANESTHESIA

Peter F. Lawrence, MD, José C. Alves, MD, Douglas Jicha, MD,
Kiran Bhirangi, FRCS, e Philip B. Dobrin. MD, Salt Lake City, Utah
Publicado no Journal of Vascular Surgery, vol 27, n° l, 1998. Traduzido com permissão da Morby-Year Inc., em 7/8/98

OBJETIVO

Existe controvérsia com relação à melhor técnica para identificar isquemia cerebral durante endarterectomia da carótida (EC). A anestesia regional permite avaliação contínua da função neurológica e, portanto, pode ajudar a determinar a incidência, o momento e causas de isquemia cerebral.

MÉTODOS

O momento e as manifestações clínicas de qualquer evento neurológico durante EC e até trinta dias após foram determinados pela revisão dos relatórios cirúrgicos, prontuários médicos e fichas ambulatoriais de consecutivos pacientes que foram submetidos a EC sob anestesia regional no período de 68 meses.

RESULTADOS

Duzentos pacientes submeteram-se à EC; as indicações foram estenose assintomática > 60% em 25%, isquemia cerebral transitória com estenose > 50% em 52%, e prévio acidente vascular cerebral (AVC) com estenose > 50% em 23%. Oito pacientes (4%) foram convertidos para anestesia geral por razões não isquêmicas. Dos restantes 192 pacientes, 183 (95,5%) submeteram-se ao procedimento com anestesia regional e sem shunt, 2% tiveram isquemia cerebral e foi colocado shunt, e 2,5% tiveram isquemia cerebral, foram convertidos para anestesia geral, e colocado shunt. Isquemia cerebral desenvolveu em nove pacientes após o clampea-mento da carótida, manifestado por perda de consciência em quatro, confusão em dois, disartria e confusão em um, e força muscular contralateral diminuída em dois. Isquemia cerebral imediata desenvolveu em quatro dos nove pacientes até um minuto de clampeamento; todos os quatro receberam colocação de shunt. Em cinco dos nove pacientes, isquemia cerebral ocorreu entre vinte e trinta minutos após clampeamento; todas ocorreram durante relativa hipotensão intra-operatória (redução média de 35 mmHg da pressão sistólica).

Todos os pacientes acordados que desenvolveram sintomas isquêmicos imediatamente retomaram e mantiveram função neurológica normal com a colocação de shunt. Cinco dos 26 pacientes (19%) com oclusão contralateral requereram shunt; nenhum teve isquemia pós-operatória. O tempo médio de clampeamento da carótida foi de 27 minutos. Complicações pós-operatórias (trinta dias) incluíram um percentual de AVC de 0,5%, percentual de 0,5% de isquemia cerebral transitória pós-operatória, percentual de 0,5% de piora de prévio AVC agudo, e percentual de 0,5% de infarto do miocárdio (nenhum óbito). Dos nove pacientes que tiveram alterações isquêmicas intra-operatórias, nenhum teve déficit neurológico pós-operatório; os três pacientes que tiveram alterações neurológicas no pós-operatório não tiveram sintomas isquêmicos intra-operatórios.

CONCLUSÕES

A endarterectomia da carótida com anestesia regional permite monitorização neurológica contínua e pode ser realizada com segurança inclusive quando coexiste oclusão contralateral; shunt intra-operatório por isquemia é necessário em 4,5% de todos os casos e em 19% de pacientes com oclusão contralateral. A isquemia intra-operatória foi fluxo-relacionada em nossos pacientes; ocorreu precocemente devido a clampeamento da carótida homolateral e tardiamente devido a fluxo colateral reduzido como resultado de hipotensão.


Da Universidade de Utah, Escola de Medicina, Divisão de Cirurgia Vascular, Departamento de Cirurgia.

Apresentado no 11° Encontro Anual da Sociedade Vascular do Leste, Atlantic City, N.J., Maio 2-4, 1997

Pedidos de cópias: Peter R Lawrence, MD, Universidade de Utah, Escola de Medicina, Departamento de Cirurgia, Divisão de Cirurgia Vascular, 50 North Medical Dr., Sait Lake City, UT 84132

Direitos autorais® 1998 pela Sociedade de Cirurgia Vascular e Sociedade Internacional de Cirurgia Cardiovascular, Capítulo Norte Americano

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