| OBJETIVO
Existe controvérsia com relação
à melhor técnica para identificar isquemia cerebral durante
endarterectomia da carótida (EC). A anestesia regional permite
avaliação contínua da função neurológica
e, portanto, pode ajudar a determinar a incidência, o momento e
causas de isquemia cerebral.
MÉTODOS
O momento e as manifestações clínicas
de qualquer evento neurológico durante EC e até trinta dias
após foram determinados pela revisão dos relatórios
cirúrgicos, prontuários médicos e fichas ambulatoriais
de consecutivos pacientes que foram submetidos a EC sob anestesia regional
no período de 68 meses.
RESULTADOS
Duzentos pacientes submeteram-se à EC; as
indicações foram estenose assintomática > 60%
em 25%, isquemia cerebral transitória com estenose > 50% em
52%, e prévio acidente vascular cerebral (AVC) com estenose >
50% em 23%. Oito pacientes (4%) foram convertidos para anestesia geral
por razões não isquêmicas. Dos restantes 192 pacientes,
183 (95,5%) submeteram-se ao procedimento com anestesia regional e sem
shunt, 2% tiveram isquemia cerebral e foi colocado shunt, e 2,5% tiveram
isquemia cerebral, foram convertidos para anestesia geral, e colocado
shunt. Isquemia cerebral desenvolveu em nove pacientes após o clampea-mento
da carótida, manifestado por perda de consciência em quatro,
confusão em dois, disartria e confusão em um, e força
muscular contralateral diminuída em dois. Isquemia cerebral imediata
desenvolveu em quatro dos nove pacientes até um minuto de clampeamento;
todos os quatro receberam colocação de shunt. Em cinco dos
nove pacientes, isquemia cerebral ocorreu entre vinte e trinta minutos
após clampeamento; todas ocorreram durante relativa hipotensão
intra-operatória (redução média de 35 mmHg
da pressão sistólica).
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Todos os pacientes acordados
que desenvolveram sintomas isquêmicos imediatamente retomaram e
mantiveram função neurológica normal com a colocação
de shunt. Cinco dos 26 pacientes (19%) com oclusão contralateral
requereram shunt; nenhum teve isquemia pós-operatória.
O tempo médio de clampeamento da carótida foi de 27 minutos.
Complicações pós-operatórias (trinta dias)
incluíram um percentual de AVC de 0,5%, percentual de 0,5% de isquemia
cerebral transitória pós-operatória, percentual de
0,5% de piora de prévio AVC agudo, e percentual de 0,5% de infarto
do miocárdio (nenhum óbito). Dos nove pacientes que tiveram
alterações isquêmicas intra-operatórias, nenhum
teve déficit neurológico pós-operatório; os
três pacientes que tiveram alterações neurológicas
no pós-operatório não tiveram sintomas isquêmicos
intra-operatórios.
CONCLUSÕES
A endarterectomia da carótida com anestesia regional permite
monitorização neurológica contínua e pode
ser realizada com segurança inclusive quando coexiste oclusão
contralateral; shunt intra-operatório por isquemia é necessário
em 4,5% de todos os casos e em 19% de pacientes com oclusão contralateral.
A isquemia intra-operatória foi fluxo-relacionada em nossos pacientes;
ocorreu precocemente devido a clampeamento da carótida homolateral
e tardiamente devido a fluxo colateral reduzido como resultado de hipotensão.
Da Universidade de Utah, Escola de Medicina,
Divisão de Cirurgia Vascular, Departamento de Cirurgia.
Apresentado no 11° Encontro Anual da Sociedade Vascular do Leste,
Atlantic City, N.J., Maio 2-4, 1997
Pedidos de cópias: Peter R Lawrence, MD, Universidade de Utah,
Escola de Medicina, Departamento de Cirurgia, Divisão de Cirurgia
Vascular, 50 North Medical Dr., Sait Lake City, UT 84132
Direitos autorais® 1998 pela Sociedade
de Cirurgia Vascular e Sociedade Internacional de Cirurgia Cardiovascular,
Capítulo Norte Americano
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