RELATO DE CASO

ANGIOPLASTIA DA ARTÉRIA RENAL PROXIMAL COM
IMPLANTE PRIMÁRIO DE PRÓTESE ENDOVASCULAR (STENT DE PALMAZ)

ANGIOPLASTY WITH STENTING OF PROXIMAL RENAL ARTERY STENOSIS
(STENT DE PALMAZ)

Gaudêncio Espinosa, TCBC-RJ1, Feliciano Azevedo2. Abdon Hissa2, Maurício Hissa2,
Arno Von Ristow TCBC-RJ2, Robsom Abreu2

INTRODUÇÃO

As altas taxas de reestenose nas lesões estiais da artéria renal, submetidas a angioplastia percutânea, têm sido responsáveis pelo insucesso desta técnica.

Apesar de a angioplastia das lesões ostiais ou proximais apresentarem um sucesso técnico imediato ao redor de 80%, a taxa de reestenose oscila em 70% aos 12 meses2.

Com base nos recentes resultados obtidos na literatura mundial com o implante primário de próteses endovasculares durante a angioplastia de lesões "de novo" ostiais, da artéria renal, relatamos, neste trabalho, os dois primeiros casos realizados pelo nosso grupo.

RELATO DO 1° CASO

Paciente do sexo feminino, de 44 anos de idade, com antecedentes clínicos de pré-eclâmpsia há 12 anos, quando apresentou crise hipertensiva de 240 x 160mmHg, necessitando de cesariana para controle da hipertensão. Após este episódio, a pressão arterial manteve-se normal, sem necessidade de qualquer tipo de medicação.

Há quatro meses apresentou episódio de hipertensão arterial (230 x 170mmHg), com cefaléia intensa e hipoestesia no dimídio esquerdo e língua. Foi tratada de emergência, obtendo-se um controle parcial da pressão arterial com nifedipina sublingual.

Na semana seguinte apresentou novo episódio de hipertensão e cefaléia, sendo medicada com captopril e hidroclorotiazida, com controle instável dos níveis pressóricos arteriais.

Indicado estudo arteriográfico, que revelou lesão estenótica de 80%, no óstio da artéria renal esquerda.

A paciente foi submetida em junho de 1994 a angioplastia da artéria renal com implante primário de uma prótese endovascular (Stent de Palmaz - 6mm x l,5cm), com excelente resultado imediato (Figura l). A paciente teve alta hospitalar 48 horas após a realização do procedimento, medicada com 300mg de ácido acetilsalicílico e sem medicação hipotensora.

RELATO DO 2° CASO

Paciente do sexo feminino, de 62 anos de idade, com antecedentes clínicos de angioplastia coronária em março de 1994. Hipertensa há trinta anos, tendo piorado clinicamente nos últimos cinco anos (190 x 11 OmmHg), não mais respondendo à medicação hipotensora. Também foi constatada uma alteração na função renal, mantendo a paciente níveis séricos de creatinina de 1,8.

A paciente manteve níveis tensionais de difícil controle apesar de medicada com hidroclorotiazida, L-metildopa e enalapril.

Realizada urografia excretora, que revelou ausência de excreção pelo rim esquerdo, tendo sido indicado estudo com ultra-som Doppler, o qual revelou estenose de 90% no óstio da artéria renal direita.

A paciente foi submetida em agosto de 1994 a angioplastia da artéria renal direita, com implante primário de uma prótese endovascular (Stent de Palmaz - 6mm x 2cm), com excelente resultado imediato (Figura 2).


1. Responsável pelo Setor de Cirurgia Endovascular e Angioradiologia Intervencionista do Hospital Rio-Mar. Responsável pelo Setor de Cirurgia Endovascular e Angioradiologia Intervencionista do Hospital São Vicente de Paulo. Médico do Hospital Universitário - UFRJ.
2. Responsável pelo Setor de Radiologia Vascular da Clínica São Vicente de Paulo. Médico do Hospital Universitário - UFRJ.

Recebido em 1/11/94
Aceito para publicação em 15/5/95
Trabalho realizado no Hospital Rio-Mar - Rio de Janeiro.

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