IX ENCONTRO DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR - RIO DE JANEIRO

ANEURISMAS DA AORTA ABDOMINAL: COMPARAÇÃO
ENTRE O TRATAMENTO ENDOLUMINAL E O CONVENCIONAL

Conferência do Dr. Frank J. Criado

O tema de nossa conferência é, sem dúvida, um dos capítulos mais interessantes e, eu diria, um dos grandes triunfos da cirurgia vascular contemporânea - o tratamento dos aneurismas da aorta, junto com o salvamento de pernas com isquemia crítica.

A incidência dos aneurismas da aorta parece estar aumentando. Parece ser maior de 5% nos homens acima de 65 anos de idade, tendo aumentado sete vezes nos últimos quarenta anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, calcula-se que há mais de um milhão de pessoas com aneurismas da aorta. Entretanto, a taxa anual de cirurgias é mais ou menos 10% dos casos, pois hoje, apesar de todos os avanços tecnológicos, na maioria dos casos o aneurisma não é diagnosticado antes da rotura final. Já é clássico mencionar o trabalho de Ester, da Mayo Clinic, em 1950, que demonstrou, pela primeira vez, que os aneurismas da aorta realmente se comportam clinicamente como uma lesão maligna, no sentido de que a sobrevida em cinco anos, sem tratamento, é menor de 20%, mais ou menos igual ou pior que a evolução natural de várias neoplasias malignas, tratadas na medicina diária. Ou seja, o aneurisma da aorta é uma lesão comparada a uma bomba relógio. Alguns a comparam com um submarino, porque é profunda, não pode ser detectada de forma simples, exceto pelo ultra-som, como os submarinos; e nós, cirurgiões vasculares e médicos em geral, temos a responsabilidade de aumentar nossa pesquisa diagnostica neste tema tão importante.

Talvez a maioria dos grandes avanços técnicos tenha ocorrido no campo dos aneurismas, desde o princípio da história e ainda em nossa era contemporânea. Não escapa a ninguém o fato de que a operação que Dubost realizou em Paris, em 29 de março de 1951, seria o começo do tratamento de aneurismas. Porque, pela primeira vez, se descreveu um método que permitiu o tratamento efetivo e com sucesso dessa patologia. Aproximadamente dez anos mais tarde, em 1964, o grupo de Michael DeBakey, em Houston, publicou cerca de l .500 casos operados, demonstrando que a cirurgia, pelo menos, aumentava a sobrevida desses pacientes cerca de 100% além do que se obtém na evolução natural sem tratamento.

Este foi um relato clássico e extremamente dramático nas suas consequências, mas, infelizmente, perdeu-se a oportunidade para sempre de se realizar um estudo randomizado, comparativo, do que a cirurgia do aneurisma significou na evolução natural dessa patologia.

ADVANCES IN SURGICAL REPAIR

  • Cell saver (auto transfusion)
  • Epidural block
  • Tube graft replacement whenever feasible
  • Retroperitoneal approach for patients with severe pulmonary problems

Foram descritos vários avanços no tratamento ultimamente, mas talvez a importância maior (que nós introduzimos em nossa prática, há cinco anos) tenha sido o uso rotineiro da auto-transfusão com o cell saver em todos os casos de cirurgia da aorta aneurismáüca ou não, e o uso do bloqueio epidural, junto com a anestesia geral, que significou um passo muito importante na diminuição não só da dor para o paciente como também uma diminuição significativa de incidência de complicações respiratórias que, como todos sabem, estão relacionadas, pelo menos em parte, à presença da dor à respiração e tosse sem expectoração.

Além disso, demo-nos conta, lia muitos anos, e hoje existem vários estudos demonstrando que se deve escolher um enxerto reto, tubular, não bifurcado, na maioria desses pacientes. Em nossa experiência, quase 70% dos casos foram realizados em tubo reto e não bifurcado. A operação é mais rápida, mais simples e com menos problemas. Além disso, a forma de abordagem retroperitoneal certamente não é nova, porque a primeira operação contemporânea de aneurisma com Dubost foi realizada por via retroperitoneal. É uma via que talvez seja difícil de se justificar de fonna rotineira, mas que demonstrou sua superioridade nos enfermos com certas condições mórbidas, locais no abdome ou sistêmicas, como, por exemplo, enfermidade obstrutiva broncopulmonar, para os quais o prognóstico pode melhorar.

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