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Como todos sabemos, foi Charles Dotter quem começou,
em 1964, esta sua especialidade e, infelizmente, nós, os cirurgiões,
não tivemos uma atitude muito inteligente ou receptiva acerca de
todos esses avanços, mas outros, em outras especialidades e em
outros continentes, como Andreas Gruntzig, que prestou mais atenção
e desenvolveu, então, a angioplastia por balão, dez anos
mais tarde, em 1974. Houve outras figuras estelares também no campo
endovascular, além de Dotter e de Gruntzig, sobretudo Jut-kins,
que foi co-autor do artigo original e seu colaborador de toda a vida,
e o Dr. Sonnes, da Clínica de Cleveland, que descreveu pela primeira
vez a angiografia coronária e começou a incrível
explosão do desenvolvimento da cirurgia e do intervencionismo coronário.
Diga-se de passagem que estas quatro figuras fundamentais no desenvolvimento
da terapêutica endovascular morreram no mesmo ano, em 1985.
Isto então foi o que revolucionou em mais
de um sentido nossa especialidade (Figura l). Tanto é assim que
uma nova subespecialidade nasceu. Infelizmente ignoramos e não
nos demos conta de que a descoberta e a genialidade de Dotter haviam sido
realmente incríveis. E ele teve a capacidade, a sagacidade de predizer
e ver o que iria ocorrer nos próximos vinte e cinco anos, incluindo
o desenvolvimento dos stents. Queiramos ou não, a angioplastia
é uma técnica que funciona e tem êxito.
As figuras 2 e 3 nos mostram um paciente com claudicação
e com uma lesão focal discreta da artéria ilíaca
comum direita, tratado por via percutânea, cruzado do outro lado
com angioplastia, e o angiograma de controle, onde se vê que, todavia,
há lesão residual ou recidivante. Mas isto é dez
anos mais tarde e o paciente continua assintomático. Nós,
cirurgiões, queiramos ou não, criamos esta técnica
que funciona sim e tem êxitos, pelo menos em algumas indicações.
Sabemos que, globalmente considerada,
a angioplastia obtém êxito em 90% dos casos inicialmente.
Ao longo de cinco anos de acompanhamento desses pacientes,
aproximadamente a metade tem um bom resultado.
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Fig. 1 - Balão de
Dotter
Os resultados certamente variam, dependendo do segmento
afetado e das variáveis, que nos permitem predizer e prognosticar
em determinado caso.
E isto se conhece muito bem hoje, sobretudo para
dois segmentos: o setor ilíaco, onde certamente a angioplastia
tem seu êxito maior, principalmente na ilíaca comum. Diga-se
de passagem que a ilíaca externa não tem um prognóstico
tão bom e, de fato, a ilíaca externa tem quase o mesmo prognóstico
que a artéria femoral superficial. Assim, quando dizemos que a
artéria ilíaca é o melhor terreno para a angioplastia,
nos referimos à comum ou à primitiva.
As quatro variáveis que se podem correlacionar
em forma estatisticamente significativa com o prognóstico
são a indicação do procedimento, seja
por claudicação ou por isquemia grave; o segmento
envolvido, seja da ilíaca comum ou externa; o tipo
de lesão, quer dizer, estenose ou oclusão; e
o run off, ou seja, fluxo de saída nas artérias
infra-inguinais. Para o setor fêmoro-poplíteo,
a equação para prognosticar é um pouco
diferente, com variáveis que são um pouquinho
diferentes, mas, de toda maneira, sabemos quais são
os resultados em um, três e cinco anos, que evidentemente
não se podem comparar aos resultados na ilíaca
comum.
* Maryland Vascular Institute |