IX ENCONTRO DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR - RIO DE JANEIRO

REVASCULARIZAÇÂO INTRALUMINAL COM CATÉTER: RECENTES AVANÇOS

Conferência Dr. Frank J. Criado*

Como todos sabemos, foi Charles Dotter quem começou, em 1964, esta sua especialidade e, infelizmente, nós, os cirurgiões, não tivemos uma atitude muito inteligente ou receptiva acerca de todos esses avanços, mas outros, em outras especialidades e em outros continentes, como Andreas Gruntzig, que prestou mais atenção e desenvolveu, então, a angioplastia por balão, dez anos mais tarde, em 1974. Houve outras figuras estelares também no campo endovascular, além de Dotter e de Gruntzig, sobretudo Jut-kins, que foi co-autor do artigo original e seu colaborador de toda a vida, e o Dr. Sonnes, da Clínica de Cleveland, que descreveu pela primeira vez a angiografia coronária e começou a incrível explosão do desenvolvimento da cirurgia e do intervencionismo coronário. Diga-se de passagem que estas quatro figuras fundamentais no desenvolvimento da terapêutica endovascular morreram no mesmo ano, em 1985.

Isto então foi o que revolucionou em mais de um sentido nossa especialidade (Figura l). Tanto é assim que uma nova subespecialidade nasceu. Infelizmente ignoramos e não nos demos conta de que a descoberta e a genialidade de Dotter haviam sido realmente incríveis. E ele teve a capacidade, a sagacidade de predizer e ver o que iria ocorrer nos próximos vinte e cinco anos, incluindo o desenvolvimento dos stents. Queiramos ou não, a angioplastia é uma técnica que funciona e tem êxito.

As figuras 2 e 3 nos mostram um paciente com claudicação e com uma lesão focal discreta da artéria ilíaca comum direita, tratado por via percutânea, cruzado do outro lado com angioplastia, e o angiograma de controle, onde se vê que, todavia, há lesão residual ou recidivante. Mas isto é dez anos mais tarde e o paciente continua assintomático. Nós, cirurgiões, queiramos ou não, criamos esta técnica que funciona sim e tem êxitos, pelo menos em algumas indicações.

Sabemos que, globalmente considerada, a angioplastia obtém êxito em 90% dos casos inicialmente. Ao longo de cinco anos de acompanhamento desses pacientes, aproximadamente a metade tem um bom resultado.

Fig. 1 - Balão de Dotter

Os resultados certamente variam, dependendo do segmento afetado e das variáveis, que nos permitem predizer e prognosticar em determinado caso.

E isto se conhece muito bem hoje, sobretudo para dois segmentos: o setor ilíaco, onde certamente a angioplastia tem seu êxito maior, principalmente na ilíaca comum. Diga-se de passagem que a ilíaca externa não tem um prognóstico tão bom e, de fato, a ilíaca externa tem quase o mesmo prognóstico que a artéria femoral superficial. Assim, quando dizemos que a artéria ilíaca é o melhor terreno para a angioplastia, nos referimos à comum ou à primitiva.

As quatro variáveis que se podem correlacionar em forma estatisticamente significativa com o prognóstico são a indicação do procedimento, seja por claudicação ou por isquemia grave; o segmento envolvido, seja da ilíaca comum ou externa; o tipo de lesão, quer dizer, estenose ou oclusão; e o run off, ou seja, fluxo de saída nas artérias infra-inguinais. Para o setor fêmoro-poplíteo, a equação para prognosticar é um pouco diferente, com variáveis que são um pouquinho diferentes, mas, de toda maneira, sabemos quais são os resultados em um, três e cinco anos, que evidentemente não se podem comparar aos resultados na ilíaca comum.


* Maryland Vascular Institute
Pág.
16
17
18
19
20