IX ENCONTRO DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR - RIO DE JANEIRO

AVANÇOS NA TERAPIA TROMBOLÍTICA

Conferência do Dr. João Francisco Jr.

Nossa experiência com o uso de drogas fibrinolíticas é, na verdade, pequena, porque o fibrinolítico que usamos bastante na Escola Paulista é dirigido mais para doenças arteriais. Ou seja, temos usado com muita frequência em artéria, dez vezes mais do que em veia, fazendo trombólise local. A nossa experiência maior é com os fibrinolíticos para uso local.

Começamos a usar o fibrinolítico para tratar a trombose venosa, e nossa ideia era tratar, .posteriormente, a embolia pulmonar com drogas fibrinolíticas. A nossa experiência maior, entretanto, ficou restrita mais à trombose venosa do que à embolia pulmonar. Por um motivo relativamente simples: os casos de tromboses venosas são vistos por nós na cirurgia vascular, enquanto os doentes que chegam ao pronto-socorro ou ao hospital com embolia pulmonar são tratados por um socorro de clínica médica e internados nas enfermarias de pneumologia ou cardiologia. E nós só somos chamados para ver esse tipo de paciente, ou para pesquisar a fonte da embolia ou quando já estão muito bem, já pertos da alta hospitalar, ou quando eles acham que têm uma indicação de interrupção de veia cava, por exemplo. E esses casos também não se prestariam a fazer a terapêutica trombolítica. Os casos que nós pegamos, na verdade, são casos nossos, internados com trombose venosa e que acabaram, durante a internação, desenvolvendo um quadro de embolia pulmonar. Então, nossa experiência em embolia pulmonar também não é muito extensa com o uso dessas drogas.

As drogas atualmente mais utilizadas como drogas fibrinolíticas são várias, sendo que essas três seriam as mais clássicas - a estreptoquinase, a uroquinase e o TPA. Exceto essas três, as demais não têm um uso clínico ainda bem definido, que seria a "scuba" e outro tipo de droga, derivadas, na verdade, da uroquinase e da estreptoquinase. Classicamente, as drogas usadas em todo o mundo são essas três. Na verdade, elas não são drogas fibrinolíticas, na verdadeira acepção da palavra; elas são drogas ativadoras da fibrinólise, e nenhuma delas lisa diretamente a fibrina nem dissolve o trombo. Elas ativam, isto sim, o nosso sistema fibrinolítico.

A primeira droga a ser utilizada foi a estreptoquinase, que é uma enzima derivada da cultura do estreptococo beta-hemolítíco.

A estreptoquinase age de uma maneira diferente das outras drogas. Ela se liga ao plasminogênio, formando um complexo plasminogênio-estreptoquinase, e é esse complexo que ativa o plasminogênio, produzindo a plasmina; e a plasmina vai lisar a fibrina. A plasmina produzida também se combina com a estreptoquinase, formando um complexo plasmina-estreptoquinase e também vai ativar o plasminogênio. É uma reação em cadeia, mas a estreptoquinase, isoladamente, não consegue ativar a fibrinólise, ela tem que formar um complexo com o plasminogênio. É uma droga que provoca algumas reações alérgicas. No início tínhamos muitos problemas de reações alérgicas, coisa que hoje é muito rara. É uma droga que a gente considera de bom uso e é a que nós usamos atualmente.

A uroquinase foi retirada de urina humana, e tem uma ação diferente da estreptoquinase. Ela ativa diretamente a conversão do plasminogênio em plasmina; diferente, já que não precisa formar aquele complexo que a estreptoquinase forma. Atualmente ela é produzida a partir de células renais de feto, o que fez cair bastante o seu custo, mas é extremamente cara ainda, e eu considero inviável, para o Brasil, o uso da uroquinase.

A outra droga bastante usada é o TPA, que foi extraída de cultura de células de melanoma. Inicialmente, ela é feita através de DNA recombinante, por engenharia genética, daí o rTPA, que é o recombinante, e que fez cair bastante o seu preço; o seu custo inicial era bastante elevado. Quando foi lançado, o TPA, teoricamente, era a droga ideal. Enquanto a estreptoquinase e a uroquinase atingem todo o fibrinogênio livre circulante, o TPA, segundo os pesquisadores teria uma afinidade com o plasminogênio, estaria ligado à fibrina: ela iria aluar somente e exclusivamente no trombo. Daria menos hemorragia e menos complicações. Isso, teoricamente.

Na verdade, hoje se sabe, após vários estudos, e não há nenhuma dúvida, que a melhor droga é a uroquinase, porque dá menos complicações secundárias, lisa muito bem o trombo, tem uma ação superior à estreptoquinase e ao TPA.


Professor de Cirurgia Vascular da Escola Paulista de Medicina.
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