| A história
moderna da interrupção da veia cava inferior
por enfermidade venosa tromboembólica começou
no ano de 1944, com Homans, de Boston, e continuou durante
as duas décadas seguintes com todos as descobertas
e invenções que conhecemos. Na década
de 60, o panorama terapêutico para a cirurgia vascular
era a ligadura da veia cava inferior, ligadura cirúrgica,
que é uma intervenção maior, realizada
por via retroperitoneal, tecnicamente uma operação
bonita e linda de se fazer, mas com resultados terríveis.
Uma mortalidade operatória de 14% em média,
um número baixo, bom de recidiva de embolia pulmonar.
Mas, sem dúvida, com, pelo menos, um de cada três
pacientes terminando em forma evolutiva com uma insuficiência
venosa crônica severa, dando base, naturalmente, a tromboses,
à interrupção completa e permanente da
veia cava inferior.
PANORAMA TERAPÊUTICO PARA A
CIRURGIA VASCULAR NA DÉCADA DE 60
ICV Ligation
- Op mortalit -> 14%
- Recurrent PE -> 6%
- Fatal -> 2%
- CVI->33%
Foi por este motivo que os pesquisadores
procuraram encontrar e inventar dispositivos e técnicas
que permitissem a interrupção da veia cava com
a filtragem dos coágulos, mas sem interromper o fluxo
da veia cava. E há vários clipes, como o de
Moretz, que foram descritos e muitos outros. Na década
de 70, a estratégia e as pautas terapêuticas
mudaram, no sentido de não se realizar mais uma ligadura
completa; em vez disso, realizar a interrupção,
a compartamentalização da luz da veia cava para
evitar este problema. É claro, este era o wishfull
thinking (que se desejava), porque o panorama não melhorou
em nada. A verdade é que esses procedimentos são
totalmente inúteis. Por quê? Porque todos terminam
em trombose completa da veia cava inferior; esse é
o mesmo tipo de mortalidade operatória, porque é
o mesmo tipo de operação basicamente.
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Naturalmente,
são efetivos no que se refere à prevenção
da embolia pulmonar, como o era a ligadura. Em princípio,
pareceu um avanço, mas não o foi. Muitos avanços
de que falamos e de que nos congratulamos de termos desenvolvido,
é simplesmente porque ainda não os estudamos
suficientemente ou o acompanhamento dos pacientes não
é bastante extenso. Na verdade, uma história
repetida muitas vezes ao longo dos séculos.
TERAPÊUTICA NA DÉCADA DE
70
ICV Interruption - Plicaton &
Clips
- Op mortality -> 12%
- Recurrent PE -> 4%
- Fatal -> 1,7%
- Caval occlusion - 30%
A segunda época, ou era, da interrupção
da veia cava inferior foi iniciada pelo Dr, Mobin Uddin, com
o começo da era intraluminal, ou seja, com o desenvolvimento
de dispositivos transluminais para a interrupção
da veia cava inferior. Começando em 1967 e continuando,
praticamente, até a atualidade. Este dispositivo tem
somente um interesse histórico, porque sinalizou o
começo da mudança da parte cirúrgica
extravenosa para a interrupção transluminal
intracava. Mas está aí toda a sua importância.
Ele não é mais fabricado, porque realmente ocasiona
trombose na veia cava inferior, em praticamente todos os casos,
se se acompanha suficientemente os pacientes por longos períodos
e com os estudos necessários.
Foi o Dr. Lazar Greenfield quem deu início
à etapa mais contemporânea da interrupção
da veia cava inferior. Com o desenvolvimento do dispositivo
que se tomou, sem dúvida alguma, no único dispositivo
que é totalmente efetivo, e que, além disso,
ocasiona uma incidência de trombose a longo prazo, que
é a menor em toda a literatura. Esse é o melhor
dispositivo já inventado.
* Maryland Vascular Institute |