IX ENCONTRO DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR - RIO DE JANEIRO

INTERRUPÇÃO DA VEIA CAVA INFERIOR: TÉCNICAS ATUAIS

Conferência do Dr. Frank J. Criado

A história moderna da interrupção da veia cava inferior por enfermidade venosa tromboembólica começou no ano de 1944, com Homans, de Boston, e continuou durante as duas décadas seguintes com todos as descobertas e invenções que conhecemos. Na década de 60, o panorama terapêutico para a cirurgia vascular era a ligadura da veia cava inferior, ligadura cirúrgica, que é uma intervenção maior, realizada por via retroperitoneal, tecnicamente uma operação bonita e linda de se fazer, mas com resultados terríveis. Uma mortalidade operatória de 14% em média, um número baixo, bom de recidiva de embolia pulmonar. Mas, sem dúvida, com, pelo menos, um de cada três pacientes terminando em forma evolutiva com uma insuficiência venosa crônica severa, dando base, naturalmente, a tromboses, à interrupção completa e permanente da veia cava inferior.

PANORAMA TERAPÊUTICO PARA A
CIRURGIA VASCULAR NA DÉCADA DE 60

ICV Ligation

  • Op mortalit -> 14%
  • Recurrent PE -> 6%
    - Fatal -> 2%
  • CVI->33%

Foi por este motivo que os pesquisadores procuraram encontrar e inventar dispositivos e técnicas que permitissem a interrupção da veia cava com a filtragem dos coágulos, mas sem interromper o fluxo da veia cava. E há vários clipes, como o de Moretz, que foram descritos e muitos outros. Na década de 70, a estratégia e as pautas terapêuticas mudaram, no sentido de não se realizar mais uma ligadura completa; em vez disso, realizar a interrupção, a compartamentalização da luz da veia cava para evitar este problema. É claro, este era o wishfull thinking (que se desejava), porque o panorama não melhorou em nada. A verdade é que esses procedimentos são totalmente inúteis. Por quê? Porque todos terminam em trombose completa da veia cava inferior; esse é o mesmo tipo de mortalidade operatória, porque é o mesmo tipo de operação basicamente.

Naturalmente, são efetivos no que se refere à prevenção da embolia pulmonar, como o era a ligadura. Em princípio, pareceu um avanço, mas não o foi. Muitos avanços de que falamos e de que nos congratulamos de termos desenvolvido, é simplesmente porque ainda não os estudamos suficientemente ou o acompanhamento dos pacientes não é bastante extenso. Na verdade, uma história repetida muitas vezes ao longo dos séculos.

TERAPÊUTICA NA DÉCADA DE 70

ICV Interruption - Plicaton & Clips

  • Op mortality -> 12%
  • Recurrent PE -> 4%
    - Fatal -> 1,7%
  • Caval occlusion - 30%

A segunda época, ou era, da interrupção da veia cava inferior foi iniciada pelo Dr, Mobin Uddin, com o começo da era intraluminal, ou seja, com o desenvolvimento de dispositivos transluminais para a interrupção da veia cava inferior. Começando em 1967 e continuando, praticamente, até a atualidade. Este dispositivo tem somente um interesse histórico, porque sinalizou o começo da mudança da parte cirúrgica extravenosa para a interrupção transluminal intracava. Mas está aí toda a sua importância. Ele não é mais fabricado, porque realmente ocasiona trombose na veia cava inferior, em praticamente todos os casos, se se acompanha suficientemente os pacientes por longos períodos e com os estudos necessários.

Foi o Dr. Lazar Greenfield quem deu início à etapa mais contemporânea da interrupção da veia cava inferior. Com o desenvolvimento do dispositivo que se tomou, sem dúvida alguma, no único dispositivo que é totalmente efetivo, e que, além disso, ocasiona uma incidência de trombose a longo prazo, que é a menor em toda a literatura. Esse é o melhor dispositivo já inventado.


* Maryland Vascular Institute
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