Em um levantamento recente de dez grandes centros médicos, representando l .750 procedimentos de TIPS, 64% foram realizados para o tratamento de episódios de hemorragia digestiva recorrente.25 Os três principais centros do mundo (San Francisco, Freiburg e Portland) com maior experiência neste tipo de procedimento, têm 62-92% dos TIPS realizados para o tratamento de sangramentos digestivos recorrentes e refratários ao tratamento endoscópico.26,27,28

A ascite refratária a tratamento clínico constitui outra importante indicação para a realização do TIPS. A ascite refratária não possui uma definição uniformemente aceita. No entanto, podemos considerar como portadores de ascite refratária os pacientes que apresentam uma ascite volumosa e que acabam evoluindo para a necessidade de repetidas paracenteses de alívio, apesar de manterem uma dieta hipossódica, e doses diárias de diuréticos superiores a 400mg de espirolactona e 160mg de furosemida. Em uma experiência combinada de vários centros médicos, observamos uma melhora da ascite em 67-87% dos casos,29,30,31 definida por uma diminuição das doses diárias de diuréticos de pelo menos 50%.32 Desta forma, podemos observar que três quartos dos pacientes submetidos a TIPS obterão um benefício clínico, necessitando de pequenas doses de diuréticos.


INDICAÇÕES E CONTRA-INDICAÇÕES PARA TIPS

Indicações
• Hemorragia Aguda por Varizes de Esôfago Não Controlada Endoscopicamente
• Sangramento Recorrente de Varizes de Esôfago
• Ascite Refratária a Tratamento Clínico
• Alterações do Trato de Saída (Budd-Chiari Síndrome)
Indicações Promissoras
• Preparo Pré-Transplante Hepático
Contra-Indicações Relativas
• Infecção sistêmica
• Infecção Ativa Intra-Hepática
• Encefalopatia Severa
• Tumores Hepáticos Hipervasculares
• Trombose Portal
Contra-Indicações Absolutas
• Insuficiência Cardíaca de Câmaras Direitas
• Fígado Policístico
• Falência Hepática Severa



Tabela 1: A hemorragia por varizes de esôfago e a ascite refratária estão entre as indicações mais frequentes para a realização do TIPS. No quadro acima relacionamos as principais indicações e contra-indicações para este procedimento recomendadas pelo "National Digestivo Diseases Advosory Board -1994".

ECO-COLOR-DOPPLER NO PACIENTE COM HIPERTENSÃO PORTA.

O ultra-som Doppler é o método não invasivo mais importante de que dispomos atualmente, para estudar o sistema venoso portal e obtermos informações para selecionar-mos os pacientes que serão submetidos ao TIPS, bem como para o seu posterior acompanhamento clínico.33

Os dados obtidos a partir do estudo ultra-sonográfíco portal dependem, em grande parte, da experiência do examinador, devendo este estar familiarizado com o equipamento utilizado, com as técnicas padrão de Duplex, bem como com a anatomia dos órgãos abdominais e sua vasculatura. Outros fatores que podem influenciar o resultado são a obesidade, a presença de ascite, e gás intestinal.

A hipertensão porta se caracteriza ultra-sonografica-mente por uma baixa velocidade de fluxo, geralmente menor do que 30cm/seg. Pacientes que apresentam esplenomegalia sem trombose portal, com uma diminuição da velocidade máxima de fluxo (Vmax), para valores iguais ou inferiores a 20cm/seg é indicativo de hipertensão porta, independente da causa etiológica.34 Um aumento da velocidade de fluxo poderá estar presente em pacientes com grande esplenomegalia e recanalização da veia umbilical.

Uma inversão do fluxo sanguíneo portal (fluxo hepato-fugal) poderá ser observada em pacientes com cirrose hepática avançada, na síndrome de Budd-Chiari, ou em pacientes que desenvolveram uma grande circulação venosa colateral, formando "shunts" espontâneos esplenorenais. A inversão do sentido do fluxo também poderá ser observada nas veias mesentéricas superior e inferior, bem como na veia esplénica, representando um sinal indireto da presença de fluxo venoso colateral.

Pode ser observado um aumento do diâmetro da veia porta maior do que 13mm, no entanto este achado não é obrigatório.35 Este pode-se encontrar dentro dos limites da normalidade em pacientes que desenvolvem espontaneamente uma circulação venosa colateral. A esplenomegalia é um achado típico na hipertensão porta, porém também não é obrigatório.

No estudo ultra-sonográfíco é importante identificar diversas situações que poderão constituir um obstáculo ou até mesmo uma contra-indicação para a realização do TIPS, como as imagens focais sugestivas de tumor ou metástase, a trombose da veia porta, a doença hepática policística e a dilatação dos duetos biliares.

ECOCOLOR-DOPPLER PARA MONITORIZAÇÃO DO TIPS

No pós-procedimento imediato do TIPS, o paciente deverá ser submetido a um estudo ultra-sonográfíco, determinando-se a velocidade máxima de fluxo através do "shunt", a qual pode atingir até 150cm/seg.36

Um dos principais problemas que ocorrem durante a evolução clínica, nos pacientes submetidos a TIPS, é o desenvolvimento de estenoses de repetição ao longo do "shunt", com necessidade de várias dilatações da lesão estenótica, já que a recidiva é frequente. O TIPS desenvolve algum tipo de estenose em 35%-40% dos pacientes, sendo que a maioria das estenoses são focais, estando localizadas no trato de saída do "shunt", ao nível da veia supra-hepática em 75% dos casos.

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