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Com o desenvolvimento das endopróteses metálicas
intravasculares ("stents"), surgiu uma nova possibilidade
para a realização do TIPS. Em 1985, Júlio
Palmaz et al 11 realizam
um estudo experimental em 12 cães, utilizando "stents"
como meio de sustentação do parênquima
hepático obtendo uma patência do "shunf"
superior a nove meses. Em 1987, Rosch et al12
realizam em porcos o implante de trinta "stents"de
Gianturco, os quais permaneceram pérvios durante as
seis semanas do estudo. Finalmente Richter et al13
realizam os primeiros casos em três pacientes, implantando
o "stent" de Palmaz para a confecção
do "shunt". Este foi efetivo nos três pacientes,
descomprimindo o sistema portal. Posteriormente este mesmo
autor amplia a sua experiência para dez pacientes nos
quais o "shunt" foi efetivo em sete casos.14,15
TIPS - ASPECTOS TÉCNICOS
Basicamente, o TIPS é realizado mediante uma
punção com agulha e consequente cateterização
da veia porta a partir da veia supra-hepática. Após a cateterização
da veia porta, o parênquima hepático é dilatado com
um balão de angioplastia realizando-se posteriormente o implante
de uma endoprótese vascular, com o objetivo de manter aberto o
trajeto criado (Figura l). Antes de realizar o procedimento é necessário
um estudo ultra-som com Doppler determinando o diâmetro da veia
porta, bem como a velocidade do seu fluxo sanguíneo, servindo como
parâmetro inicial nos estudos de acompanhamento posteriores.
Uma vez que se decidiu realizar o TIPS, devemos realizar
uma angiografia das veias supra-hepáticas, bem como uma portografia,
com a finalidade de estudar a real anatomia da árvore vascular
hepática, determinando o melhor local para realizar a punção
do parênquima em direção à veia porta.
Normalmente, a via de acesso utilizada é a
veia jugular interna direita, a qual oferece um trajeto totalmente reto
através da cava superior e átrio direito, atingindo-se facilmente
as veias supra-hepáticas (Figura 2a). Geralmente a veia escolhida
para a punção é a veia supra-hepática direita.
A punção do fígado pode ser
realizada com a agulha de Colapinto ou com a agulha de Rosch-Uchida. Desta
forma, a agulha transfixa o fígado desde a veia supra-hepática
até atingir a veia porta. Uma vez que o sistema porta foi cateterizado,
realiza-se uma portografia bem como a medida da pressão porta prévia
ao procedimento (Figura 2b).
O parênquima hepático é dilatado
com um catéter balão de 8 ou l0mm de diâmetro, implantando-se
posteriormente uma endoprótese vascular, que deverá recobrir
todo o trajeto que foi dilatado, para evitar a sua oclusão. Nós
preferimos utilizar a endoprótese tipo "Wallstent" devido
a sua grande flexibilidade que permite colocá-la em trajetos curvos.
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Fig. 1 - Esquema demonstrativo da punção
hepática com agulha de Rosch-Uchida e consequente cateterização
da veia porta a partir da veia supra-hepática direita (a).
Após a cateterização da veia porta, o parênquima
hepático é dilatado com um catéter balão de
angioplastia transluminal (b), realizando-se posteriormente
o implante de uma endoprótese vascular, com o objetivo de manter
aberto o trajeto criado (c)
Após o implante da endoprótese vascular,
realizamos nova portografia e medimos a pressão porta pós-procedimento
(Figura 2c). A pressão porta normal varia entre 0 a 5 mmHg, sendo
que pressões acima de 15 mmHg se associam com a recidiva do sangramento
pelas varizes de esôfago.
ENDOPRÓTESES VASCULARES -"STENTS"
Com o objetivo de superar as limitações
da angioplastia surgiram, muito recentemente, as endopróteses vasculares
ou "stent", que rapidamente se tornaram parte integrante da
intervenção vascular. As endopróteses vasculares
são malhas metálicas de forma tubular que, atuando como
esqueleto ou arcabouço interno, sustentam as estruturas vasculares
complementando o resultado das angioplastias. Estas endopróteses
são confeccionadas de vários materiais, sendo o aço
inoxidável o que é mais frequentemente utilizado. |