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INTRODUÇÃO
O sangramento gastrointestinal causado pela rutura
de varizes de esôfago é provavelmente a complicação
mais dramática que ocorre nos pacientes cirróticos com hipertensão
porta. Várias técnicas têm sido empregadas para o
tratamento desta situação clínica, como a escle-rose
e ligadura elástica das varizes esofagianas, o uso de balão
de Sunstaque-Blakemore, a utilização de diversas drogas
como a somatostatina, e diversos tipos de técnicas cirúrgicas.
O "shunt" porto-cava é um método
cirúrgico bem conhecido que se baseia na descompressão do
sistema venoso portal mediante a sua conexão com a cava inferior.
Em 1990, Rypins e Sarfeh1 sugeriram calibrar
este "shunt" descrevendo um novo tipo de anastomose entre estas
duas veias, interpondo entre estas um enxerto sintético de diâmetro
previamente estabelecido (anastomose em H).
O "shunt porto-sistêmico percutâneo
transjugular" (TIPS) é um método muito
recente de descompressão portal, que rapidamente tem-se
desenvolvido nos últimos anos, e que se comporta essencialmente
como um "shunt" porto-cava calibrado em H, sendo
muito efetivo para a redução da pressão
portal. Inúmeras publicações da literatura
médica recente sustentam esta afirmação.2,3,4
Seguramente o TIPS é o "shunt" porto-sistêmico
mais estudado, se considerarmos a curta história deste
procedimento.
HISTÓRICO
Em 1969, Rosh et al5
demonstraram num estudo experimental em cinco cães, a possibilidade
de realizar uma comunicação ("shunt") intra-hepática
entre a veia porta e a veia supra-hepática, utilizando para tal
uma agulha desde a veia jugular interna direita e puncionando o fígado
através da veia supra-hepática até atingir a veia
porta.
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O parênquima hepático foi dilatado utilizando
os catéteres coaxiais de Dotter, implantando-se posteriormente
um tubo de tefiom entre a veia porta e as veias supra-hepáticas.
Estes mesmos autores publicam, em 1971,6
um estudo significativamente maior, com 34 cães, utilizando
para manter o per-tuito do parênquima hepático
tubos de silastic e espirais metálicas siliconizadas,
obtendo uma patência de algumas semanas. No entanto,
dentre as próteses utilizadas, dez migraram para fora
da veia porta. Em 1977, Reich et al7
utilizaram em 11 porcos um crio-probe de 9mm, com a finalidade
de criar um trato largo através do parênquima
hepático. Seis dos animais mantiveram o "shunt"
patente por um período máximo de 42 dias.
Posteriormente, em 1979, Gutierrez e Burgener,8 utilizando
balões de angioplastia, realizaram em cães com hipertensão
porta, shunts de 12 e 15mm, conseguindo a normalização da
pressão porta em todos os animais. No entanto, a estenose do "shunt"
permaneceu como principal problema, obrigando a realizar repetidas dilatações
para evitar sua oclusão. Alguns "shunts"permaneceram
patentes por um ano.
Finalmente, em 1982, Colapinto et al9
realizam o primeiro caso clínico de TIPS em humano, para tratar
um san-gramento de varizes de esôfago devido a cirrose hepática.
Para criar o "shunt" foi utilizado um balão de angioplastia
de 12mm de diâmetro, o qual permaneceu insuflado entre a veia porta
e a veia supra-hepática, por 12 horas, conseguindo uma queda significativa
da pressão porta, quando o balão foi desinsuflado. Em 1983,
este mesmo autor publica uma série maior de pacientes, onde a trombose
do "shunt" permanecia sendo o principal problema.10
1 - Professor Adjunto do Departamento
de Cirugia da Universidade
Federal do Rio de Janeiro - Hospital Universitário Clementino Fraga
Filho - UFRJ.
Responsável pela Unidade de Cirurgia Endovascular do Hosp. São
Vicente de Paulo.
Responsável pela Unidade de Cirurgia Endovascular do Hosp.Rio-Mar
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