CURSO

EMBOLIZAÇÃO TERAPÊUTICA: COMO FAZER/PARA QUE SERVE

Adalberto Pereira de Araujo1

EMBOLIZAÇÃO TERAPÊUTICA:
COMO FAZER

Para realizar uma embolização terapêutica é necessário dispormos do mesmo material que permite fazer uma angiografia por cateterismo, acrescido das substâncias que são utilizadas para provocar a embolização. O procedimento é feito em local onde esteja instalado um aparelho de Rx, que disponha de um intensificador de imagem (radioscopia) e tenha acoplado um sistema de troca chapa (AOT), uma câmara de filmagem de 35mm e uma bomba injetora automática. E conveniente que se disponha de uma mesa de pelo menos l,60m de comprimento por 0,60m de largura sobre rodízio, onde possamos colocar os catéteres e as guias metálicas, que têm comprimentos muitas vezes de mais de um metro. A disponibilidade de um aparelho de subtração digital permitirá uma atuação com muito mais segurança c o procedimento pode ser realizado em um terço do tempo que se leva quando estamos trabalhando em um aparelho convencional. É indispensável dispormos de todo o material necessário às punções e dissecções arteriais e venosas, bem como de todo o material para uma eventual ressuscitação cardiopulmonar. O ambiente deve ser refrigerado e mantido em rigorosas condições de limpeza.

Quase todos os procedimentos angiográficos por cateterismo podem ser realizados por punção percutânea das artérias femorais, na prega inguinal, das artérias umerais, na prega do cotovelo ou das artérias axilares, na base de implantação dos pêlos axilares. Por vezes, é necessário fazer o cateterismo por punção das artérias subclávias e até mesmo através das artérias carótidas comuns. Quando se quer fazer cateterismo arterial por dissecção, o único acesso aconselhável é na prega do cotovelo, para abordagem da artéria umeral, (técnica de Sones). Excepcionalmente, pode-se fazer a dissecção da artéria axilar. Algumas vezes, é necessário fazer a embolização da área afetada, a partir de uma abordagem cirúrgica do vaso principal, que irriga a região lesada.

O acesso ao sistema venoso também pode ser realizado por punção percutânea pelas veias femoral, subclávia e até pela veia jugular interna ou externa.

É comum fazer-se o estudo por cateterismo através da dissecção de veias superficiais dos membros superiores.

Para embolização do sistema venoso esplâncnico, o catéter é introduzido através do fígado. A punção é realizada no 8° espaço intercostal direito, na linha axilar anterior. O sistema venoso portal intra-hepático é puncionado e através dele passam-se os catéteres sobre guias, para as veias es-plâncnicas. Ao final do procedimento, injeta-se um fragmento de Gelfoam no orifício hepático, por onde penetrou o catéter.

Mais modernamente, é mais prático c menos perigoso cateterizar o sistema venoso esplâncnico através de cateterismo percutâneo pela veia jugular interna, cateterizando a veia supra-hepática e, com o auxílio de material contido em um kit especial, puncionamos os ramos da veia porta intra-hepático e por eles cateterizamos, sobre guia metálico, o sistema porta.

O referido kit é o mesmo que utilizamos para fazer o shunt porto-cava por via percutânea pela veia jugular interna. Ele, o kit (Cook, Inc., Bloomington, IN), contém: um sistema introdutor com uma bainha de 35cm de comprimento; um dilatador de trajeto; uma guia de troca 0.038 hiper-rígida (guia de Amplatz); uma agulha de aço, calibrosa, com mais de 35cm de comprimento e sua bainha de teflon (agulha de Colapinto), ambas com a extremidade angulada de 30°; uma agulha fina com sua bainha de teflon (agulha de Rõsch-Uchida), que punciona ramos da veia porta dentro do parênquima hepático. Por essa bainha da agulha de Rõsch-Uchida (Cook, Bloomington, Ind.) é possível passar a guia de troca, hiper-rígida, 0.038 (guia de Amplatz) para as veias esplâncnicas.

Todos os procedimentos por punção percutânea são realizados com anestesia local e sedação leve, exceto em crianças pequenas.


  1. Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões Titular da Academia Brasileira de Medicina Militar Ex-Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular e da Seção de Radiologia Vascular do Hospital Naval Marcílio Dias
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