CURSO

TERAPIA TROMBOLITICA INTRA-ARTERIAL

Prof.Gaudencio Espinosa1, Prof. Adilson Mariz2

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento da terapia trombolítica inicia-se em 1933 quando Tillett, no Johns Hopkins Medical School, descreve a existência de uma substância fibrinolítica em culturas de estreptococos hemolíticos, a qual denominou de streptococcal fibrinolysin.41

Em 1941, Tillett e Milstone verificaram que coágulos formados por trombina e fibrinogênio purificados não eram capazes de ser lisados pela streptococcal fibrinolysin; no entanto, a lise ocorria rapidamente com a adição de soro humano, surgindo então a ideia da necessidade de umfator de Use plasmático, mais tarde identificado como sendo o plas-mino gênio. Desta forma surgiu o conceito de um sistema enzimático fíbrinolítico, no qual a streptococcal fibrinolysin atuaria como um atívador, motivo pelo qual, em 1945, Christensen a redenomina de estreptoquinase.

A primeira aplicação clínica da estreptoquinase no ser humano foi realizada em 1949, por Tillett, injetando o medicamento no espaço pleural do paciente para tratar de um derrame pleural organizado.42.43 Este mesmo pesquisador utiliza, em 1955, a estreptoquinase por via intravenosa. Desde então, a estreptoquinase é o agente trombolítico mais extensamente estudado.

Em 1952, Astrup e outros grupos de pesquisadores purificam um novo ativador do plasminogênio, presente na urina humana, ao qual denominaram de uroquinase. Posteriormente verificou-se que, por não se tratar de uma proteína estranha ao organismo, não estimula a formação de anticorpos, podendo ser utilizada várias vezes no mesmo paciente, o que representa uma vantagem terapêutica importante sobre a estreptoquinase.

Atualmente são inúmeras as publicações que relatam experiências com diferentes medicações fibrinolíticas, principalmente estreptoquinase e uroquinase, em diversos processos clínicos. As experiências mais positivas foram obtidas no tratamento da embolia pulmonar, na doença tromboembólica arterial37 e no infarto do miocárdio.23,36

O Sistema Fibrinolítico Sanguíneo

O conhecimento de que o sangue possui um sistema lírico intrínseco data do século passado, quando Zimmerman observou que a fibrina obtida do soro humano dissolvia-se parcialmente se conservada por 24 horas em um recipiente de vidro, sendo Dastre, em 1883, o primeiro a denominar este fenômeno de fibrinólise.

A fibrinólise é um processo fisiológico normal do organismo, que ajuda a manter o sangue no seu estado líquido apesar das pequenas lesões vasculares que ocorrem no decorrer da vida. No entanto, quando os vasos são severamente lesados, interrompendo a barreira endotelial, ocorre a agregação plaquetária, bem como a liberação de fatores estimulantes da coagulação. A lise fisiológica do sistema sanguíneo impede a propagação do trombo para os demais tecidos e promove a dissolução subsequente do coágulo, facilitando a cicatrização dos tecidos.35

Nos indivíduos normais ocorre uma dissolução lenta da fibrina, através da ativação do plasminogênio, levando à formação de plasmina, com consequente degradação da fibrina. A eficiência do sistema plasmina-fibrina parece depender da concentração do ativador do plasminogênio (t-PA), presente no sangue.

O plasminogênio é um dos principais componentes do sistema fibrinolítico, sendo uma glicoproteína produzida no fígado, com uma constituição molecular de 791 aminoácidos, possuindo uma meia-vida plasmática de dois dias.


  1. Professor Assistente do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Responsável pela Unidade de Cirurgia Endovascular do Hospital São Vicente de Paulo.
    Responsável pela Unidade de Cirurgia Endovascular do Hospital Rio-Mar.
  2. Professor Auxiliar do Departamento de Cirurgia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital Rio-Mar.
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