|
RELATO DO CASO
Paciente de 58 anos. sexo feminino, portadora
de hipertensão arterial foi internada em nossa instituição
com quadro de angina em repouso e vertigens. Ao exame físico:
obesidade mórbida, cicatriz cirúrgica com retração
fibrótica na região submandibular direita devido à
ressecção de tumor, B4, e sopro carotídeo à
direita. ECG:
hipertrofia ventricular esquerda. A cinecoronariografia revelou
lesão de 90% no tronco da artéria coronária
esquerda com leito distal satisfatório apenas na artéria
descendente anterior e artéria circunflexa difusamente comprometida
e de fino calibre; ao ventriculograma, a função sistólica
do ventrículo esquerdo foi normal. A angiografia digital
carotídea concominante mostrou carótida esquerda normal,
lesão de 85% na carótida direita ao nível de
sua bifurcação com suboclusão da emergência
da carótida externa direita (Figura l).

Figura 1
Imediatamente após o estudo angiográfico:
l) Colocado introdutor arterial 10F na artéria femoral
direita. 2) Cateterizada carótida comum direita com
catéter guia 10F tipo multipurpose. 3) Posicionado
cabo eletrodo de marcapasso 6F no ventrículo direito
através de punção de veia femoral esquerda.
4) Ultrapassada lesão carotídea com corda 018
de 3 metros (Roadrunner). 5) Realizada pré-dilatação
da lesão com balão PTA 6mm/4cm em insuflação
breve (15 segundos). 6) Colocação de stent de
Palmaz (P-308) montado em balão PTA 8mm/4cm. |
7) Pós-dilatação
do stent com balão 8mm/3cm até 10 atm (Figura 2). 8)
Angiografia de controle:
ausência de lesão residual na carótida interna
e oclusão de carótida externa (Figura 3). 9) Artenografia
cerebral de controle com fluxo normal (Figura 4).

Figura 2

Figura
3
Durante as insuflações foram observados:
bradicardia com entrada imediata do marcapasso e hipotensão
arterial significativa (PA sist 40mmHg) obrigando o emprego de Dopamina.
Na manhã seguinte, um doppler carotídeo revelou fluxo
laminar normal através da artéria corótida interna
direita. No entanto, a paciente desenvolveu instabilização
do quadro anginoso com subsequente hipotensão e edema pulmonar,
obrigando a colocação de balão de contrapulsação
intra-aórtico e revascularização cirúrgica
com colocação de ponte de veia safena para artéria
descendente anterior.
A evolução pós-operatória
foi satisfatória com retirada do balão intra-aórtico
em 12 horas e alta da terapia intensiva com três dias. Em nenhum
momento foi observado qualquer sinal ou déficit neurológico.
|