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Aberta a mesa pelo Presidente de Honra e após
a introdução do assunto feita pelo Presidente, o moderador
apresentou os componentes e passou a palavra ao relator.
Relator - O AVE se constitui numa patologia
das mais graves, uma vez que, ao se instalar, traz ao paciente uma
transformação radical em sua vida - o abandono da
atividade produtiva, o afastamento do lazer e a dependência
familiar são situações de extrema dificuldade
para o cotidiano e jogam a maioria destes pacientes numa permanente
e profunda depressão. Assim, todos os esforços que
possam ser somados a fim de diminuir sua incidência são
de grande importância, pois isto tem implicações
de grande impacto individual, coletivo, social e econômico.
As medidas de ordem geral, principalmente no
tocante ao controle dos fatores de risco da doença aterosclerótica
e suas manifestações, sobretudo em populações
urbanas, são a base de quaisquer políticas de controle
e restrição desta patologia.
Entretando, apesar de governos e sociedade
civil se empenharem no estabelecimento de tais medidas de controle,
a doença aterosclerótica permanece como uma das principais
causas de morte no mundo.
A doença isquêmica cerebrovascular
é a segunda forma mais frequente de apresentação
da aterosclerose, só perdendo para a doença coronariana.
Estima-se, nos Estados Unidos, que cerca de 20% a 30% dos AVEs tenham
origem nas artérias extracranianas e que, dentre eles, a
imensa maioria se constitua de lesões carotidianas acessíveis
à cirurgia.
Recentemente, DeBakey mencionou a ocorrência
de 500 mil novos casos de AVE e a realização de 100
mil endarterectomias carotídeas ao ano nos Estados Unidos.
Assim, a constante busca pelo paciente em risco antes que o AVE
sobrevenha tornou-se um dos tópicos mais instigantes da atuação
médica.
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Reveste-se, pois, a cirurgia de revascularização
cerebral de um caráter único em nossa especialidade:
com frequência, nossos pacientes são assintomáticos
ou seus sintomas são transitórios e a ameaça
de uma sequela definitiva lhes parece, no mais das vezes, algo muito
remoto ou improvável.
A história natural da doença
aterosclerótica carotidiana já está bem estabelecida
através de sucessivos estudos prospectivos de larga escala.
O diagnóstico não invasivo da
lesão vascular se amplia progressivamente às custas
da experiência acumulada dos nossos imaginologistas.
A endarterectomia carotídea é
uma técnica plenamente sistematizada e com resultados conhecidos
que sobrepujam a evolução natural da doença
e a tentativa de controle medicamentoso.
Então, porque operamos tão poucas
carótidas no Brasil?
Para nossa população, de cerca
de 150 milhões de habitantes, poderíamos estimar,
no mínimo, a realização de 50 mil endarterectomias
carotídeas ao ano. Apesar de não contarmos com dados
estatísticos confiáveis, intuitivamente creio que
todos nós, cirurgiões vasculares, sabemos que tal
não acontece. A conclusão que podemos obter destes
dados é que estamos evitando muito pouco o AVE .
Torna-se, portanto, imperativo que a Sociedade
Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular se empenhe cada vez
mais em divulgar esta patologia, estimular o debate científico
como este de hoje e envidar esforços junto aos clínicos
gerais, cardiologistas e neurologistas para que o diagnóstico
precoce seja estabelecido e um numero de pacientes, adequado à
nossa realidade, possa se beneficiar de um procedimento de valor
inquestionável e inestimável.
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