O procedimento foi realizado mediante anestesia peridural e punção femoral anterógra-da com introdução de bainha 8Fr. Foi realizado estudo angiográfico para delimitar a área da fístula arteriovenosa e, a seguir, realizamos implante de endoprótese vascular recoberta com poliuretano (Corvita®) de 12 x 60mm (Figura 2B). O estudo angiográfico de controle evidenciou bom resultado do procedimento realizado, observando-se imediatamente após o implante da endoprótese o desaparecimento do trajeto fistuloso, bem como clinicamente do frémito e do sopro, considerando-se a fístula arteriovenosa tratada (Figura 2C). O paciente foi mantido em uso de anticoagulante oral durante três meses, utilizando na atuali-dade apenas ácido acetilsalicílico na dose de 200 mg ao dia. Vem usando meia elástica de média compressão desde a alta hospitalar.

No último acompanhamento clínico, o paciente encontrava-se assintomático, sem sinais de recidiva da fístula arteriovenosa.

DISCUSSÃO

Apesar do uso das endoprótese vasculares vir sendo extensamente descrito, apenas recentemente é que surgiram os primeiros relatos de sua aplicação no tratamento das fístulas arteriovenosas e pseudo-aneurismas, causadas por trauma vascular. Inicialmente foram utilizados, para recobrir as endopróteses, segmento de veia safena ou materiais sintéticos, como o PTFE ou Dacron woven. O objetivo de criar um revestimento externo para a endoprótese é o de torná-la impermeável aos fluidos, propiciando a oclusão da solução de continuidade da parede vascular traumatizada.

Com a evolução tecnológica dos dispositivos endovas-culares, conseguimos na atualidade dispor de endopróteses com dispositivos de liberação de menor perfil e auto-expan-síveis, não mais necessitando, como início, de balão de angioplastia para sua abertura, o que torna estas endopróteses mais simples de serem utilizadas.

Neste trabalho apresentamos dois casos de fístulas arteriovenosas traumáticas, nos quais os pacientes apresentavam edema e intenso desenvolvimento de circulação venosa colateral do membro acometido, representando grande dificuldade técnica para a abordagem cirúrgica clássica (tempo cirúrgico longo, necessidade de transfusões sanguíneas, maior probabilidade de infecção, maior morbidade e maior permanência hospitalar). Por este motivo decidimos abordar estes pacientes por via endovascular. Os dois pacientes foram tratados sem maiores dificuldades técnicas, demonstrando que a endoprótese utilizada é de fácil aplicabilidade e manuseio técnico.

 

Nenhum caso apresentou nenhum tipo de complicação, e o tempo de internação hospitalar foi de 48 horas. Desta forma constatamos que este tipo de abordagem é simples e apresenta um curto tempo de internação.

Dentre os possíveis problemas associados ao uso das endopróteses recobertas destacamos o potencial de hiperpla-sia intimal e a trombose.

No entanto, a abordagem pouco invasiva, a diminuição das perdas sanguíneas e a possibilidade de atingir locais anatomicamente distantes e de difícil acesso cirúrgico, utilizando apenas anestesia local, bem como os bons resultados iniciais recentemente descritos com uso de endopróteses recobertas, aparentemente justificam a utilização destes dispositivos para o tratamento de alguns tipos de trauma vascular.

CONCLUSÃO

Embora com experiência limitada, o excelente resultado inicial obtido nos faz acreditar que esta técnica está justificada para o tratamento de diversos tipos de trauma vascular, simplificando extremamente a abordagem deste tipo de afecção. No entanto, o comportamento a longo prazo, destes dispositivos implantados no interior da árvore arterial ainda está por ser determinado.

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