Radiografia com hemopneumotórax esquerdo. O projétil da nádega ficou alojado na coxa direita. O paciente foi submetido a drenagem de tórax em selo d'água e laparotomia, onde observou-se lesão de íleo, cólon direito e hematoma retroperitoneal, realizando-se rafia de íleo, cólon, hemostasia do mesocólon e exploração do hematoma retroperitoneal. Durante o procedimento houve necessidade de realizar hemotransfusão de dois concentrados de hemácias (600ml). Dois dias após o procedimento, o paciente apresentava-se com edema no ombro e membro superior esquerdo, redução da temperatura cutânea e enchimento capilar preservado, ausência de pulsos, porém com sinal Doppler arterial nos segmentos axilar, braquial, radial e uinar. Paciente com estado geral grave, em virtude dos demais ferimentos, hipotenso e descorado. Instituído tratamento conservador, suporte clínico e aquecimento do membro. Após 72 horas, o paciente evoluiu com melhora das condições clínicas, recuperação dos pulsos radial e uinar, diminuição do edema no membro superior esquerdo, porém apresentando frémito e sopro sistólico rude na região subclávia e com limitação motora da extensão do 4° e 50,dedos.

No dia 5 de outubro foi realizado estudo arteriográfico, que evidenciou fístula arteriovenosa de alto débito, na transição subclávia/axilar esquerda (Figura 1A). O paciente recebeu alta hospitalar em boas condições gerais, sem edema do membro superior esquerdo, desenvolvendo circulação venosa colateral ao nível do ombro esquerdo. Recuperação satisfatória dos movimentos dos dedos. Em novembro foi submetido a implante de endoprótese vascular coberta, para

Fig. 1 - Estudo angiográfico de artéria subclávia esquerda apresentando fístula arteriovenosa de alto débito, na transição da artéria subclávia com a axilar esquerda (a), tratada mediante implante de uma endoprótese vascular recoberta de poliuretano (Corvita®) de 10 x 50mm (b). O estudo angiográfico de controle evidenciou bom resultado do procedimento realizado, com oclusão do trajeto da fístula e preservação do leito arterial (c).



tratamento da fístula arteriovenosa. O procedimento foi realizado mediante anestesia local e dissecação da artéria braquial esquerda, sendo introduzida bainha 8Fr. Após realizar estudo angiográfico prévio, com a finalidade de localizar precisamente o local da fístula, realizou-se o implante de uma endoprótese vascular coberta de poliuretano (Corvita®) de 10 x 50mm (Figura 1B).

O estudo angiográfico de controle evidenciou bom resultado do procedimento realizado, com oclusão do trajeto da fístula e preservação do leito arterial (Figura 1C). No último acompanhamento clínico, em maio de 1996, observamos ao estudo ecocolor-Doppler boa visualização da artéria e veia subclávia esquerda, com adequado posicionamento da endoprótese, não existindo trajeto fistuloso e com fluxo arterial e venoso normal ao Doppler.

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