No período de janeiro de 1981 a março de 1996, operamos 94 casos de aneurismas arteriais (aorta, femoral, poplítea, braquial etc.), entre esses, quatro de artéria carótida interna extracraniana, com uma incidência de 4,2%, o que ratifica a raridade e variabilidade estatística.



Fig. 8 - Representação esquemática de aneurisma da artéria carótida interna esquerda



Fig. 9 - Representação do mecanismo das microembolizações, originárias dos trombes intraneurismáticos da artéria carótida interna

O aneurisma da artéria carótida extracraniana possui diferentes formas c etiologias. Para que possamos discuti-lo melhor preparamos uma sinopse de como, em geral, são citados na literatura: a) Aneurisma fusiforme: localiza-se preferencialmente próximo à bifurcação das carótidas, é considerado o mais comum, frequentemente bilateral e quase sempre secundário à aterosclerose, por vezes associado a outros aneurismas.4,13 b) Aneurisma sacular: geralmente envolve a carótida comum ou interna, é quase sempre unilateral e usualmente secundário à aterosclerose, mas pode ser congênito, traumático etc. Rompe-se com maior frequência para orofaringe, canal auditivo ou tecidos moles do pescoço, 14,16 c) Aneurisma dissecante: a dissecção expontânea desses aneurismas é quase sempre relatada naqueles secundários à aterosclerose, displasia fibromuscular ou necrose cística da camada média.17,19

Muitos pacientes referem história de trauma no pescoço antes do episódio da dissecção, mas o aneurisma dissecante pós-traumático deve ser classificado em outra categoria. Dor na projeção das carótidas associada a déficits neurológicos e alterações visuais, algumas vezes com síndrome de Horner, sugere dissecção expontânea do aneurisma. O tratamento vai depender da localização, extensão da dissecção, natureza dos sintomas, patência da carótida interna e resposta a terapia anticoagulante. á) Aneurisma falso (Pseudo-aneurisma): é quatro vezes mais frequente após as endarterectomias das carótidas com "patch" quando comparadas às endarterectomias simples.20 Complicações embólicas são comuns nesses aneurismas e se originam por falha na linha de sutura, seja por fratura do fio, defeito estrutural do enxerto, erro técnico ou infecção local. A ressecção e reconstrução com veia autóge-na é o tratamento de escolha, e) Aneurisma micótico: é extremamente raro, muitas vezes confundido com abscessos sub-mandibulares.20 Jebara30 reviu 26 casos publicados, e entre as causas mais frequentes estavam as infecções pós-opera-tórias, uso de drogas, infecção dentária, septicemia etc. Os agentes microbianos mais comuns foram S. aureus, Salmonella, Klebsiella, E. colli, entre outros. Cirurgia imediata e antibióticos são importantes medidas para a sobrevida do paciente.21 Os procedimentos mais utilizados foram "patch" com veia safena, ressecção com anastomose térmico-terminal e ligadura.30

Como podemos observar, as manifestações clínicas desses aneurismas são muito variadas. Sintomas neurológicos de localização isquêmica estão presentes em aproximadamente 50% dos casos e um terço dos mesmos pode apresentar massa pulsátil assintomática no pescoço. Alguns podem invadir a fossa tonsilar simulando tumores ou abscessos.5,25 O duplex-scan é um método não invasivo de realização fácil, baixo custo e de grande valia no diagnóstico desta moléstia. A arteriografia, que em alguns casos pode ter sua imagem prejudicada pelo trombo intraluminal, não deve ser dispensada em função da necessidade de se definir de forma precisa a anatomia vascular envolvida no processo aneurismático; dessa forma, a tomografia computadorizada, e, mais modernamente, a ressonância magnética, quando disponíveis, poderão ser de grande valia.

A cirurgia com ressecção da massa aneurismática e restabelecimento do fluxo arterial cerebral é o tratamento de escolha. Assim, poderão ser evitadas complicações neurológicas graves, seja por baixo fluxo ou tromboembolismo.4,6,9 O material empregado e a técnica utilizada para a reconstrução do trajeto arterial variam com o tipo de aneurisma e a experiência da equipe cirúrgica. Nos micóticos deve ser utilizado sempre enxerto de material autólogo (veia safena, jugular externa, cefálica etc.),28,30 devido ao risco de infecção inerente ao material sintético.

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