Em 1955, Shea11 anastomosou a artéria carótida comum na carótida interna após a ressecção de um aneurisma micótico e, cm 1959, Beall12 usou prótese sintética para reconstruir a artéria carótida aneurismática.

As causas mais frequentes desses aneurismas relatadas na literatura são a aterosclerose, infecção e o trauma. Nos dias de hoje a aterosclerose é a mais comum, mas há quarenta anos a sífilis constituía a causa mais frequente. Nos quatro casos relatados, o exame histopatológico identificou-os como aterosclerose. Devido à raridade deste tipo de aneurisma, sua história natural não é ainda conhecida, mas é ponto pacífico entre os autores que o tratamento deva ser cirúrgico.4,7A ressecção dos aneurismas c o restabelecimento do fluxo arterial utilizando prótese sintética, sob bloqueio anestésico loco-regional do plexo cervical, permitiu o tratamento cirúrgico com segurança e recuperação rápida dos pacientes.

Weiling4 avaliou 1.118 casos de aneurismas periféricos operados num período de trinta anos, entre 1952 e 1982. Desses, 41 envolviam as ariérias carótidas extracranianas em 36 pacientes assim distribuídos: 15 fusilbrmes, 6 saculares, 16 dissecantes, 3 pseudoancurismas e l micótico.

Ristow et al36 relatam 19 casos englobando os troncos supra-aórticos: três no tronco braquiocefálico, quatro na subclávia, quatro na carótida comum, seis na carótida interna, um na mamaria e um na vertebral, de variada etiologia:
sete atcroscleróticos, quatro pós-traumáticos, três por compressão ncurovascular do desfiladeiro cérvico-torácico, dois associados a síndrome de Marfan, um por displasia fibro-muscular, um por sífilis c um por dissecção. Mais recentemente, Piccinato37 e o grupo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo publicaram quatro casos de aneurismas de artéria carótida interna extra-craniana, dois casos por etiologia traumática, um atcroscle-rótico e outro por degeneração cística da média.

RELATO DE CASO 1

Homem de 49 anos, branco, não fumante, normotenso c que há onze meses havia sido acometido de hemiplegia à direita. Após intensivo tratamento fisioterápico obteve recuperação quase total. O eco-Doppler mostrou aneurisma de l,4cm na artéria carótida interna esquerda e de l,2cm na carótida interna direita, ambos com [rombos murais intravasculares. A arteriografia não foi muito ilustrativa, visto que o interior dos aneurismas estava preenchido por trombos, simulando a luz arterial natural discretamente ectasiada. A tomografia computadorizada do crânio identificou pequenas áreas compatíveis com isquemia cerebral à esquerda. Exames laboratoriais e cardiopulmonares sem alterações.

A história clínica e sintomatológica determinou que primeiramente fosse operado o aneurisma esquerdo, possível fonte da embolia. Foi realizado bloqueio anestésico do plexo cervical superficial e profundo cm C-2, C-3 e C-4 com bupivacaína 0,33% com epinefreína a 1:200.000.37 Incisão longitudinal clássica no pescoço para acesso às carótidas e exposição do aneurisma, após cuidadosa dissecção, o qual se mostrou com tamanho e características compatíveis com o eco-Doppler. O aneurisma foi ressecado e o trajeto arterial reconstituído com interposição de prótese vascular de dacron double velour 6mm, com anastomoses término-termi-nais com fios prolene 5-0 dupla agulhas, entre o segmento proximal da carótida interna e o coto Distal junto ao bulbo com extensão de uma lâmina do enxerto em forma de "patch" sobre o bulbo e carótida comum, para corrigir a invasão da doença aneurismática na parede anterior desses vasos. A pressão arterial média foi monitorada através de catéter na artéria radial e controlada pelo microgotejamento de nitro-prussiato de sódio. O tempo de clampeamento foi de 28 minutos e o paciente permaneceu acordado e informando sobre seu nível de consciência durante todo o procedimento. Na unidade de tratamento intensivo (UT1) permaneceu por 12 horas e leve alta hospitalar no 3° dia após a cirurgia, sem complicações. O laudo histopatológico foi aterosclerose. Devido a sua demissão do emprego e exclusão do seguro saúde, não foi possível, ao paciente, realizar a cirurgia no lado direito, até o momento.

Fig. 1 - Ecodopler. Corte longitudinal do aneurisma da carótida interna esquerda com trombo no seu interior (caso 1).



Fig. 2 - Corte transversal mostrado na figura 1

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