RELATO DE CASO

CIRURGIA DO ANEURISMA DA ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA
EXTRACRANIANA SOB ANESTESIA REGIONAL - RELATO DE QUATRO CASOS
REPAIR OF INTERNAL EXTRACRANIAL CAROTID ANEURYSM UNDER REGIONAL
ANAESTHESIA - FOUR CASES REPORTS

Ivanésio Merlo1, Alberto Coimbra Duque2, Manoel Júlio Cota Janeiro3,
Ruy Luis S. Pinto Ribeiro3, Américo Salgueiro Autran Filho4
Recebido para publicação em 14/2/96


RESUMO
Os aneurismas das artérias carótidas são considerados eventos raros. Em aproximadamente 50-70% dos casos produzem complicações neurológicas graves. Outras vezes rompem-se com hemorragia para os tecidos moles do pescoço e, até mesmo, podem provocar a morte. Relatamos quatro casos de aneurismas das artérias carótidas internas, sintomáticos, operados com sucesso sob bloqueio anestésico regional, nos quais a restauração do fluxo arterial foi feita com próteses sintéticas (Dacron e PTFE). Durante a operação o paciente esteve acordado e suas funções cerebrais monitoradas clinicamente. Todos evoluíram bem.

 

UNITERMOS
Aneurismas; Artéria carótida; Anestesia regional; Cirurgia da carótida.

 

SUMMARY
Aneurysms of the extracranial carotid arteries are unusual events, but can cause cerebrovascular accident in 50-70% of cases, or rupture with hemorrhage and even death. This report descri bes four cases ofsymptomatics internals carotids arteries aneurysms, operated with success, under loco-regional anaesthesia block. The aneurysms were resecteds and the arteries repaired by the use of synthetical grafis (Dacron and PTFE). The patients were awake during the operation and with continuous clinical monitoring of the cerebral function.

 

UNITERMS
Aneurysm; Carotid artery; Anaesthesia, regional block; Carotid surgery.

INTRODUÇÃO

As manifestações neurológicas da doença aterosclerótica oclusiva da artéria carótida extracraniana são bem conhecidas por todos.1,2 A doença aneurismáti-ca nessas artérias ocorre com rara frequência,3,5 mas, devido as suas graves complicações clínicas,4,6 não pode ser ignorada e deve ser tratada adequadamente conforme cada caso.

Sir Astley Cooper10 foi o primeiro a tratar um aneurisma da artéria carótida extracraniana em 1805, pela ligadura da artéria carótida comum. O paciente desenvolveu hemiplegia e faleceu 13 dias depois. Três anos mais tarde publicou o seu primeiro caso de sucesso com a ligadura da artéria carótida aneurismática.4,7,9


  1. Chefe do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital de Clínicas 42 Centenário do Rio de Janeiro, Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBAVC).
  2. Professor do Curso de Pós-graduação de Angiologia e associado a Endocrinologia da PUC-RJ, Titular da SBACV; Chefe do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Instituto de Endocrinologia e Diabetes.
  3. Assistente do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hosp. de Clínicas 4° Centenário-RJ; Membro da SBACV.
  4. Título Superior em Anestesiologia e Responsável pelo Centro de Ensino e Treinamento da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, no Hospital da Lagoa do Rio de Janeiro.
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