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DIAGNÓSTICO
O exame físico sistemático
e cuidadoso constitui o aspecto essencial para a valiação
diagnostica das complicações do pé
diabético e deve incluir a observação
em pormenor da pele e fâneras, com particular
atenção dedicada às unhas, bem
como aos espaços e pregas interdigitais. A palpação
cuidadosa dos pulsos, a pesquisa de palidez cutânea
com o membro elevado ou o rubor com o pé pendente
são gestos de grande valor semiológico.
A avaliação da sensibilidade profunda,
tal como a sensibilidade ao toque, ao calor e à
pressão, assim como os reflexos tendinosos profundos,
devem ser pesquisados sistematicamente.
Exames radiológicos do
pé devem ser efectuados rotineiramente tendo
em vista a detecção de lesões osteoarticu-lares.
Estudos bacteriológicos, em meio aeróbico
ou microaerofilia devem também ser efectuados
sistematicamente nos exsudados das lesões ulceradas
ou purulentas.
A ultrassonografia Doppler, nomeadamente
a determinação das pressões segmentares
e os índices sistólicos tornozelo-braço
sofrem da reconhecida limitação derivada
da calcificação das artérias periféricas,
mas pode fornecer informações importantes,
no que respeita à qualidade e intensidade do
fluxo sanguíneo.2,3,21
A angiografia global do membro
afectado constitui o elemento mais esclarecedor sobre
o padrão e extensão do envolvimento arterial,
fornecendo ainda informações úteis
sobre as possibilidades de revascularização,
o estado da circulação periférica
("run off"), o grau de desenvolvimento da
circulação colateral e uma visão
genérica sobre o prognóstico da situação.
A angiografia está particulamente
indicada sempre que se preveja a necessidade de uma
cirurgia reconstrutiva e deve tomar em consideração
a existência de contra-indicações,
nomeadamente relacionadas com compromissos ou deteriorações
da função renal.
TERAPÊUTICA DAS COMPLICAÇÕES
DO PÉ DIABÉTICO
A orientação terapêutica
das lesões do pé diabético está
dependente da natureza das lesões, do seu caráter
agudo ou crónico, bem como da sua extensão
e gravidade e utiliza meios médicos, farmacológicos,
e actuações cirúrgicas, isoladas
ou geralmente em associação.
a) Terapêutica Médica
Regra geral, as lesões
crónicas de carácter infeccioso podem
ser tratadas em regime ambulatório, mas as situações
agudas carecem de internamento hospitalar urgente, a
fim de se corrigirem os frequentes desequilíbrios
metabólicos e hidroelectrolíticos que
as acompanham.
A presença de múltiplos
organismos nos processos infecciosos, incluindo estirpes
gram-positivas, bem como bactérias anaeróbias,
exige a utilização de associações
de antibióticos de largo espectro para o controlo
daquelas situações.
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A terapêutica
tradicional com antibióticos inclui a associação
de um aminoglicosido para os agentes aeróbios,
à ampicilina, que dá cobertura aos Enterococos
e à clindamicina ou o metronidazole para as estirpes
anaeróbias.
A toxicidade renal dos aminoglicosidos
leva à sua utilização prudente
especialmente face a indícios de compromisso
ou deteriorização da função
renal.
Localmente está recomenda
a lavagem frequente e abundante das lesões com
solução salina, seguida da aplicação
de uma pomada antiséptica ou bactericida, de
largo espectro. Os pensos e as ligaduras devem evitar
toda e qualquer compressão da pele e o doente
deve obrigar-se a um repouso do membro afectado.
Os fármacos vasoactivos
e vasodilatadores têm uma eficácia reduzida
neste contexto, e a neuropatia pode beneficiar com a
administração parentérica de vitamina
BI e B 12, em associação ou isoladas.
b) Terapêutica cirúrgica
O gesto cirúrgico mais
simples, mas por vezes imperioso e extremamente benéfico,
consiste na drenagem e desbri-damento das lesões
supuradas e desvitalizadas do fleimão diabético,
acompanhado da remoção dos tecidos necrosados.
A extensão e gravidade das lesões obriga
por vezes à realização de amputações
primárias da perna ou da coxa, com carácter
"life saving".
A cirurgia de revascularização
não está geralmente indicada na fase aguda
do fleimão diabético, mas pelo contrário,
é extremamente frequente em situações
de isquémia crítica ou mesmo de gangrena
isquémica.
Raramente estão indicados
procedimentos de revascularização aorto-ilíaca,
mas a revascularização femoro-poplítea
ou dos vasos crurais e pedais constitui um capítulo
muito activo da cirurgia vascular contemporânea,
em que o substituto arterial ideal é inquestionavelmente
a veia autóloga, nomeadamente a veia safena interna.
A arteriografia continua a ser
indispensável para uma formulação
da proposta cirúrgica, mas nem sempre é
totalmente esclarecedora. A sua sensibilidade para revelar
a circulação periférica diminui
com a gravidade da isquémia, mas também
varia com método utilizado, reconhecendo-se que
a angiografia por subtracção digital é,
nesse aspecto, superior à angiografia convencional.22
A identificação
de uma artéria permeável capaz de receber
um enxerto, conectada com uma rede que permita um adequado
escoamento de fluxo ("run off) constitui o objectivo
primordial procurado pelo cirurgião e somente
revelado pela angiografia, consubstanciando o conceito
de "operabilidade".
A simpaticectomia lombar, de grande
popularidade num passado recente, tem perdido praticamente
todos os seus créditos na actualidade, existindo
todavia alguns autores que lhe reconhecem alguma utilidade
em grupos bem seleccionados de doentes.23-26
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